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Coser o Rio Tejo como se um pano fosse… (3)

15 travessias do nosso maior rio, o Tejo, de Lisboa até à ponte de Ródão que une a Beira ao Alentejo com o rio como testemunha.

15 travessias de Lisboa a Ródão

3 – De Alvega a Nisa. Objectivo cumprido!

Voltamos então à EN118 e logo à localidade de Alvega (sim, tem tudo a ver com o famoso Major Alvega dos livros de histórias aos quadradinhos – a saudosa colecção “O Falcão” – e da mais recente série televisiva… mas esta é uma outra história).

Depois de Alvega, cerca de 6 quilómetros mais à frente em Casa Branca, mesmo dentro da localidade e numa curva apertada à direita, temos a placa que indica a Barragem de Belver (é preciso alguma atenção porque é a única indicação, embora haja uma alternativa alguns quilómetros mais à frente, também ela parcamente sinalizada). E esta travessia será a primeira de duas que não será feita em ponte mas sim pelo paredão da barragem.

A Barragem de Belver, uma das duas situadas no Rio Tejo no seu percurso português , cuja construção foi finalizada em 1952, possui uma altura de 30 m acima do terreno natural e um comprimento de coroamento de 327,5 m. A capacidade instalada de produção de energia eléctrica é de 80,7MW. É dotada de uma pequena eclusa para passagem de peixes mas que consta ser pouco eficaz.

014BarrBelver

Na margem norte encontramos uma pequena povoação de casas todas iguais que presumimos seriam as residências dos trabalhadores da central hidroeléctrica mas que os tempos das automações terão afastado, pois a maioria tem o aspecto de estarem desabitadas. Não vimos vivalma e aqui as primeiras hesitações. Convém referir que esta viagem foi efectuada sem qualquer recurso a GPS. E a escala dos mapas não nos dava aqui grande ajuda. Lá encontrámos alguém, montado num “potente” ciclomotor Zundapp ou similar, que nos indicou o caminho através de estradas municipais em direcção a Belver que ficava ali a meia dúzia de quilómetros.

Acercámo-nos de Belver vindos de poente e ao virar de uma curva lá estava: o Castelo de Belver, empoleirado no cimo de um monte fronteiro a outro onde se situa a vila. Lindo! E a merecer uma visita mais pormenorizada noutra ocasião.

Belver1

Vila branca, de ruas estreitas, muitas delas em empedrado, onde no alto temos uma vista deslumbrante para o Tejo e a para a ponte que leva o nome da terra e que iríamos atravessar de seguida, Belver é nome a reter.

Descemos para a ponte de Belver, na Estrada Nacional 244, que une Belver a Gavião. Foi inaugurada em 1907, é uma ponte com tabuleiro metálico e tem o comprimento de 239 metros divididos por quatro vãos. À saida da ponte existe um passadiço em madeira com cerca de 3 km que vai dar à Praia Fluvial do Alamal. Uma pérola do Rio Tejo…

Belver4

O destino agora era Gavião onde iríamos encontrar novamente a nossa “amiga” EN118. Faltavam-nos agora 2 travessias e o dia já ía longo. Este percurso entre Belver e o Gavião veio-nos alegrar um pouco pois apesar de pouco extenso, tinha alguma condução, com curvas e contra curvas bem encadeadas. Um aperitivo para a sobremesa que teríamos no final…

Belver5

Atravessámos Gavião, tomámos a EN118 até ao cruzamento onde esta encontra o IP 2, um pouco antes de Arez (cerca de 20km). Viramos a norte (direcção A23/Lisboa/Castelo Branco), em boa estrada mas que a certa altura nos apresenta uma descida inclinada, com curvas algo perigosas e o barranco à nossa direita. Começamos a ver a albufeira da Barragem do Fratel que rapidamente iremos atravessar para logo, em subida igualmente íngreme, chegarmos ao acesso à A23.

A Barragem de Fratel tem uma altura de 43 m acima do terreno natural e uma cota de coroamento de 87 m. A capacidade instalada de produção de energia eléctrica é de 130 MW.

0016BarrFratel

A construção foi finalizada em 1973. A albufeira da barragem submergiu uma boa parte dos núcleos de gravuras rupestres do Tejo e um troço do antigo muro de sirga do Tejo.

Para além da sua importância económica na produção de energia eléctrica, esta barragem bem como a de Belver que lhe fica a jusante, têm um papel muito importante na regularização do caudal do rio Tejo e na prevenção/minimização das cheias que ciclicamente ocorrem.

O único troço em AE e com portagem (pórticos) desde que passámos Vila Franca de Xira espera-nos mas que é obrigatório para chegarmos a Vila Velha de Ródão sem nos perdermos numa teia de pequenas estradas locais. Entramos no nó 16 (Gardete) e saímos no nó 18 (Fratel). A aproximação a Vila Velha de Ródão faz-se no sentido norte-sul e atravessamos a vila para nos acercarmos da ponte que une a Beira-Baixa ao Alto Alentejo e que até à recente AE era a única via de comunicação rodoviária entre as respectivas capitais: Castelo Branco e Portalegre. E uma das mais inportantes no interior do País. A A23 e o IP2 retiraram-lhe essa importância e carga rodoviária e atualmente serve praticamente para unir os dois concelhos fronteiros: Vila Velha de Ródão e Nisa.

A ponte de Vila Velha de Ródão é a 15ª travessia e praticamente o final da nossa missão!

Ródão é hoje mais tristemente célebre pelo seu presente ligado às fábricas de celulose, ao cheiro nauseabundo quase permanente e aos episódios de poluição do rio, mas o seu passado é antiquíssimo. Os mais antigos vestígios do passado de Ródão são de natureza geológica e estão datados de cerca de 600 Milhões de anos. Existem fósseis que testemunham a existência de um mar que chegava a Ródão… Muitas outras comunidades se forma estabelecendo por aqui na pré-história tendo deixado a sua marca no complexo de arte rupestre do Tejo, com cerca de 25 000 gravuras.

Os romanos por aqui andaram também, principalmente para explorarem a extração de aluvião de ouro e cobre. A navegabilidade do Tejo foi sempre fundamental para o desenvolvimento de intensa actividade económica nomeadamente pelo Porto do Tejo que dava passagem a uma estrada comercial e pastoril, fundamental para assegurar o fluxo de mercadorias do interior para o litoral e do litoral para o interior e que tinha em Ródão o seu local privilegiado. Até ao Porto do Tejo chegavam as embarcações que subiam o rio, auxiliadas pela força humana e de bestas que ajudavam a vencer os rápidos, usando para tal os muros de sirga que ladeiam as margens do rio.

Rodao6

Estrategicamente, a sua localização era também fundamental. E aqui sobressai inevitavelmente o monumento natural que são as Portas de Ródão. Duas muralhas rochosas que estreitam e apertam o curso do rio e cuja vista da ponte que iremos atravessar é espectacular. Não entrando já na ponte, é possível por um caminho à sua direita encontramos um ponto onde a vista para a ponte e para as Portas de Ródão é espectacular. E ainda mais se subirmos um pouco mais, até ao castelo de Ródão, torre de vigia no alto das Portas… imperdível!

A Ponte de Portas de Ródão ou Ponte de Ródão fica na Estrada Nacional 18 em Portas de Ródão. Foi inaugurada em 1888, é uma ponte com tabuleiro metálico e tem o comprimento de 167 metros, apoiada em dois pilares centrais de granito. Foi alvo de obras de beneficiação concluídas em 1996. As vias de rodagem ocuparam o antigo espaço dos passeios e alargou-se o tabuleiro para criar novos passeios para peões com 75 cm de largura.

Atravessámos e estava concluído o nosso objectivo. 15 travessias, efectuadas alternadamente de norte para sul e vice versa, 13 pontes e 2 barragens. Nesta altura estávamos quase a perfazer 400 km, a tarde aproximava-se do seu fim e era tempo de regressar pois não pretendíamos pernoitar no caminho.

Anterior:

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(1)

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(2)

A seguir:

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(final)

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