Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(1)

15 travessias do nosso maior rio, o Tejo, de Lisboa até à ponte de Ródão que une a Beira ao Alentejo com o rio como testemunha.

15 travessias de Lisboa a Ródão

Viagem

I – O Início da jornada…até Muge

Porque se diz que se deve começar do início, esta é a história da minha primeira grande viagem, a minha iniciação ao moto turismo (até aí, os muitos quilómetros feitos tinham sido numa lógica mais utilitária).
A ideia surgiu casualmente de alguma leitura ou referência na internet, não sei ao certo, ao percurso do Rio Tejo e das muitas travessias que unem as suas duas margens. Sendo certo que as mais famosas são as de Lisboa, outras há que merecem ser conhecidas. E porque para as conhecer todas é necessário uni-las de forma terrestre, o objectivo estava traçado. Faltava isso sim, optimizar o percurso que seria feito alternadamente por uma margem ou por outra conforme o sentido em que cada travessia fosse utilizada. No fundo era como se estivéssemos a cozer dois panos, separados pelo Rio Tejo, em que a linha era o nosso percurso!

As estradas existentes, o interesse em minimizar a utilização de auto-estradas e o pagamento de portagens e o desejo de efectuar alguns trajectos pelo seu próprio interesse paisagístico ou de condução (a diversão é fundamental) também fizeram com que o percurso tivesse que ser este e não outro. A descrição adiante certamente trará a justificação para as opções tomadas.

Cabe aqui referir que o Rio Tejo tem no seu percurso nacional 15 travessias, das quais 13 são pontes e 2 são barragens. E o primeiro “nó” que se nos colocou tem a ver com as opções relativas às pontes lisboetas – 25 de Abril e Vasco da Gama – pois para garantir o fluxo como atrás referi (e sem percorrermos uma travessia para lá e para cá), era fundamental que a terceira ponte – a ponte Marechal Carmona em Vila Franca de Xira – fosse feita no sentido norte-sul. Afinal qual atravessar primeiro? Sair pela Vasco da Gama e entrar na 25 de Abril ou o inverso? A distância era a mesma pois acabava por ser circular e assim a opção foi entrar em Lisboa pela ponte que tivesse a portagem mais barata, ou seja, a 1ª opção.

Uma nota, porque aprendemos sempre algo: se fosse hoje, teria previsto a saída de Oeiras, junto à foz do  Rio Tejo – o simbolismo é importante – e nesse caso a opção teria sido a contrária: primeiro a 25 de Abril e depois a Vasco da Gama.

001SJulião
Em resumo, saida de Lisboa manhã cedinho (que a distância a percorrer era substancial – cerca de 700km num dia) do habitual ponto de encontro nas bombas de gasolina da 2ª circular, junto ao Ralis. Quando a marca patrocinar, poderei indicar o nome….

Motos

No início, éramos 5 em 3 motas. Duas Hondas e uma BMW. No final sobraram as duas Hondas…mas isso é história lá mais para a frente.Vasco

Começámos pela passagem pela Ponte Vasco da Gama – para inaugurar as travessias da jornada. Esta ponte, cuja inauguração ainda estará na memória da maioria, une as duas margens do Tejo entre Alcochete e Montijo a sul e Sacavém e Moscavide a norte. Tem 17 km de comprimento o que a tornam a mais extensa da Europa e uma das mais compridas do mundo.

003Vasco

Cerca de 12 km são sobre o estuário do Tejo a montante do Mar da Palha. Foi inaugurada em 1988 a tempo da Expo 98 e demorou cerca de 18 meses a ser construída. Com 155 metros de altura é também umas das mais altas construções de Portugal.

O rumo era em direcção à Ponte 25 de Abril pelo que tomámos a saída para o Montijo e entrámos na A33. Depois seguiu-se a A2 e a reentrada em Lisboa.

00425Abril

A Ponte 25 de Abril é uma ponte suspensa rodoferroviária que liga a cidade de Lisboa à cidade de Almada. A ponte atravessa o estuário do rio Tejo na parte final e mais estreita — o designado “gargalo do Tejo”. A sua construção começou em novembro de 1962 e 4 anos mais tarde, 6 meses antes do prazo limite e dentro do orçamento previsto, foi concluída tendo a inauguração ocorrido em 6 de agosto de 1966, na altura designada por Ponte Salazar. Tem uma altura de 190m e um comprimento de 2,3km. Não só é uma das maiores pontes suspensas do mundo, como o seu enquadramento privilegiado a torna, desde sempre, um dos ex-libris da capital. E resolveu um gravíssimo problema de acessibilidades a Lisboa, pois à época as alternativas eram a ponte existente em Vila Franca de Xira (25km a norte) ou a travessia de barco a partir de Cacilhas – daí os barcos que a efectuavam serem geralmente designados por cacilheiros e fazerem também eles parte do imaginário da cidade.

Atravessada a 25 de Abril e a cidade de Lisboa pelo eixo norte-sul, 2ª circular e entrada na A1 seguimos a caminho de Vila Franca de Xira. Neste momento tínhamos já feito as 2 primeiras travessias do Tejo.

Em Vila Franca saímos da A1 e rumamos à ponte Marechal Carmona – aquela que durante bastantes anos era a mais próxima da capital e que nos remete para imaginários da memória como a Recta do Cabo ou a Estalagem do Cavalo Branco na N10.

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Esta ponte começou a ser reclamada pelas populações e autarquia vilafranquense em 1924. O governo da época, já em meados dos anos 40,  resolveu avançar com o projecto, quando era ministro das obras públicas, Duarte Pacheco. Este tinha a curiosa opinião que sendo esta uma obra de interesse público, deveria ser o Estado a construí-la e suportar o respectivo custo. Outras opiniões havia no governo, que face ao elevado custo, a construção e exploração poderia ser entregue à iniciativa privada sendo esta remunerada através da cobrança de portagens. Quando o projecto finalmente arrancou, já Duarte Pacheco tinha falecido, e o seu sucessor José Ulrich avançou com a primeira iniciativa de uma ponte com portagens em Portugal! A ponte foi inaugurada em 30 de Dezembro de 1951, tem 1224m de comprimento com um tabuleiro central de 524m dividido em cinco vãos de 104m. O seu custo na época rondou os 650 mil euros (feita a conversão de escudos para a nova moeda).

Passamos Porto Alto e viramos à esquerda onde iremos percorrer pela primeira vez a N118. Esta estrada que corre paralela ao Tejo pela sua margem sul e vai do Montijo até Alpalhão, irá ser recorrente em toda a nossa viagem. O destino será o acesso à A10 que nos permitirá atravessar pela quarta vez o Tejo na  Ponte da Lezíria.

006LeziriasUma curiosidade: esta ponte, inaugurada em 8 de Julho de 2007, tem uma extensão de cerca de 12 km que a torna numa das mais extensa do mundo e a terceira da Europa depois da Ponte Vasco da Gama e da Ponte da Crimeia, na Rússia (inaugurada em 2018).
Feita a travessia é tempo de abandonar de imediato a auto-estrada e rumarmos a Vila Nova da Rainha pela N3. Depois Azambuja e aqui viramos à direita para a N3-3 em direcção a Valada do Ribatejo. Antes de Valada, passamos pelos acessos a algumas das aldeias avieiras tão típicas da lezíria do Tejo – por exemplo o Cais Palafítico da Palhota – e seguimos com o muro-dique de protecção contra as cheias do Tejo pela nossa direita.
Passamos Valada, que mereceu uma breve paragem para um cafézinho e para apreciar a sua mini-marina bem como o ameno recanto junto ao rio…

Dirigimo-nos então para Muge, depois de atravessada a nossa 5ª travessia: a ponte de Muge ou, de seu nome, Ponte Rainha D. Amélia.

É uma antiga ponte ferroviária inaugurada em 14 de Janeiro de 1904. Após a construção na década de 1980 de uma nova ponte ferroviária, que a substituiu, foi em 2001 alvo de obras e reconvertida para tráfego automóvel e pedonal ligando deste modo, Muge no concelho de Salvaterra de Magos, e Porto de Muge,no concelho do Cartaxo, bem como a localidade de Valada, que, antes desta ligação, ficava frequentemente isolada em períodos de cheia.

Em Muge retomamos a já nossa conhecida N118.

Para quem, aqui chegado, sinta já um certo vazio no estômago, as bifanas do Silas são imperdíveis. Fica só o registo, porque o nosso caminho mandava-nos seguir e o almoço estava previsto para ser mais à frente.

Ainda havia muita estrada a fazer…e 10 travessias!

A seguir:

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(2)

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(3)

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(final)

5 opiniões sobre “Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(1)”

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