Volta saloia por Montejunto e Bombarral (1)

A zona a norte de Lisboa, conhecida por Região Saloia é um manancial de estradas nacionais e municipais sinuosas, em razoável estado e com pouco trânsito. Ou seja, são óptimas.
E a paisagem e as referências históricas não lhe ficam atrás.

1 – A viagem

O hábito de no dia a dia circularmos pelas AEs, IPs e ICs faz-nos esquecer (pelo menos aos mais velhos) o tempo em que reclamávamos das miseráveis estradas que tínhamos nas quais se demorava uma infinidade de tempo a ir onde quer que fosse.

Hoje, quando temos uma das melhores redes rodoviárias da Europa (nem sempre bem estimada) e a esmagadora maioria do tráfego passa por ela, resta-nos o privilégio de ter inúmeras estradas meio escondidas, geralmente de boa qualidade e que são uma delicia para os amantes das 2 rodas.

Um dos exemplos é a zona a norte de Lisboa. Longe de ser plana, as estradas que unem as muitas povoações decorrem entre curvas e contra curvas, subidas e descidas ligeiras, que permitem ritmos simpáticos e diversão da condução.

Aqui falarei de uma volta que utiliza algumas destas estradas e que numa manhã e tarde domingueira, ao longo de cerca de 200km, permitiu a 5 amigos bons momentos de camaradagem e de bastante condução. Recordando a máxima que as rectas servem meramente para unir 2 curvas e que se desejam aquelas necessariamente curtas!

Eram cerca de 9h quando nos começámos a reunir num local muito habitual para os diferentes grupos que se dedicam a este “passatempo”: as bombas do Ralis na saída de Lisboa para a A1.

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Até se poderia chamar Team Honda!

Depois do obrigatório cafézinho, seguimos pela A1 até Alverca onde saímos para a N10 (objectivo: não contribuir para a Via Verde…) até Vila Franca, onde iríamos entrar de verdade no traçado previsto.

À entrada da cidade, virámos à esquerda, na mesma rotunda que permite o acesso à A1 mas depois seguimos em frente pois queríamos tomar a N248 que nos levaria até Arruda dos Vinhos e depois Sobral de Monte Agraço onde faríamos uma primeira paragem para “reabastecimento”.

Arruda
A caminho de Arruda

Esta estrada, apesar de algum trânsito e de atravessar povoações, tem excelente piso, boa sinalização e às poucas rectas sucedem-se zonas de curvas bem desenhadas que permitem uma condução muito fluída, com uma paisagem que faz uma transição dos montes que seguem paralelos ao Tejo e a planície mais a norte.

2ArrudaSobral
Entre Arruda e Sobral

Chegados a Sobral de Monte Agraço, quando permitíamos algum descanso às nossas montadas, fomos surpreendidos com um desfile de “clássicas” em que a esmagadora maioria eram cinquentinhas dos tempos áureos:

3Cinquentas
A parada de cinquentinhas…e outras tão ou mais antigas

Enquanto “as meninas” descansam, nada como uma amena cavaqueira em esplanada no centro de Sobral de Monte Agraço. Como se pode ver na imagem, não estávamos sozinhos, pois outros motociclistas também por ali paravam.

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Em repouso…

Feito o “reabastecimento” era tempo de finalmente nos dirigirmos ao nosso primeiro grande objectivo do dia: a Serra de Montejunto!

No próprio largo onde nos encontrávamos, são visíveis as placas indicadoras do rumo Alenquer. Não pretendíamos ir até lá, mas sim tomar a N115 que até determinado ponto é comum à rota que leva aquele destino.

Tomada a N115, fomos sucessivamente passando por Chãos, Freiria, Tojais, Palhacana, Corujeira, Aldeia Galega, Merceana, Cortegana, Atalaia e, embalados pela boa estrada e pela paisagem da aproximação ao vulto da Serra de Montejunto, quase não dávamos pelo cruzamento em Vila Verde dos Francos, onde obrigatoriamente virámos à direita em direcção à serra.

5antesMontejunto
Montejunto lá ao fundo

A estrada, inicialmente com pouco relevo, estreita e com piso algo irregular a exigir os devidos cuidados na condução, começa depois a subir…e aí, sobe e bem!

À nossa esquerda vemos, cada vez mais de cima, uma extensa planície.

Muita atenção pois apesar de não ter grandes dificuldades, a estrada tem poucas ou nenhumas guardas de protecção, a não ser umas pedras brancas que nos lembram que dali para o lado de lá…não!!!!

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A subir Montejunto. Do lado esquerdo…o precipício sem rede

Chegados ao cruzamento que dá, para a direita, acesso ao cimo da Serra, às antenas, ao Quartel e à Real Fábrica de Gelo, à esquerda para Pragança e onde está uma curiosa imagem de Nª Senhora, seguimos obviamente à direita.

Mais tarde voltaríamos a este cruzamento, mas então para nos dirigirmos a Pragança.

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À direita para o cimo da Serra

A caminho do cume passámos ainda pela antiquíssima (época medieval) capela de Nossa Senhora das Neves.

Lá em cima, quase nos sentimos no topo do mundo…bem, até verdade, daquele mundo que ali nos rodeia. Em dias de boa visibilidade, caso raro na zona (!), é possível alcançar toda a planura que vai até ao Tejo e mesmo mais além, a Serra da Arrábida ou, mais para sudoeste a Serra de Sintra. A nossa sorte não chegou a tanto, mas ainda assim desfrutámos da vista e do ar fresco e puro da montanha.

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No topo

Tão puro e fresco que motivou um pequeno petisco em que tomámos um “cafézinho” proveniente das vinhas da Madeira acompanhado de umas deliciosas fatias de um “bolinho” curado da Serra da Estrela!

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Uma delícia!!!!

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O Team Honda em formação

Era tempo de nos fazermos ao caminho, pois ainda havia muitos quilómetros a percorrer, uma visita a fazer e…um almocito que nos esperava no Bombarral.

AltoMontejunto
O início da descida

Essa visita, antes de descermos a Serra, era a um dos ex-libris da Serra de Montejunto: a Real Fábrica de Gelo.

Património histórico (séc. XVI) recuperado há relativamente pouco tempo, é testemunho vivo de como os nossos antepassados régios conseguiam desfrutar de algo que para nós é banal: os gelados!

Mas sobre a Real Fábrica do Gelo falaremos no próximo post onde vos contarei a sua história…

Sim porque isto de andar de mota não é só fazer quilómetros. Vemos e aprendemos!

Visitada a Real Fábrica de Gelo, onde fomos simpaticamente recebidos e tivemos o privilégio de ter uma visita guiada exclusiva, é tempo de nos fazermos à estrada.

E agora sim, a caminho do Bombarral.

A descida da Serra, a caminho de Pragança, segue vertiginosa, com um encadeado de curvas bastante divertido e com uma extensa paisagem à nossa frente.

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Descida para Pragança

Neste momento, faltava pouco para a pausa alimentar aprazada para o Bombarral. Era fundamental recompor as energias depois de uma longa manhã, com muita condução e alguns intervalos aprazíveis.

Em Pragança tomamos a N115-1, passamos por Valbom, Boiça, Chão de Sapo (os nomes de terras não deixam de nos surpreender…) e Cadaval onde deixamos esta estrada e seguimos as indicações para o Bombarral onde a dado momento apanhámos a N-361.

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Bombarral é já ali…

Aqui, uma chamada de atenção sobre algo que já detectámos em outros locais: a primazia que é dada nas indicações rodoviárias aos trajectos feitos pelas Auto-Estradas.

Geralmente, a alternativa por estradas nacionais não existe, ou só existe mais à frente (quando o condutor já teve que optar antes!), ou então não tem igual destaque gerando desnecessária confusão e hesitação!

Compreendemos a vénia feita às concessionárias, razão pela qual nos devemos precaver quando fazemos o estudo do percurso! Nomeadamente, saber sempre com a devida antecedência quais as 2 ou 3 próximas localidades a atravessar! Sempre é uma forma de não nos deixarmos enganar…

Sem mais história chegámos ao Bombarral!

Por sugestão do amigo Trip Advisor, o local escolhido foi o restaurante Os Sócios identificado por ser “bom e barato” e cuja especialidade é o frango de churrasco.

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Comprovámos, se tal fosse necessário, que o Trip é um bom companheiro de viagem e aquelas características estavam corretíssimas.

Se alguém quiser seguir a sugestão…aconselho vivamente que faça a reserva de véspera! A espera pode ser prolongada…

Repasto despachado….vamos à estrada que o caminho ainda é longo e há algumas pérolas rodoviárias a descobrir…

Para começo, a N8 – um clássico para os motards –  entre o Bombarral e Torres Vedras. Excelente piso, algum tráfego, curvas e contra curvas à descrição, que seriam uma maravilha a explorar se não existissem alguns constrangimentos: os outros parceiros da estrada, algumas povoações com os irritantes (mas, se calhar, necessários) semáforos e os limites legais de velocidade que convém acautelar…que estes pontos não dão acesso à Champions!!!

Chegados a Torres Vedras, sucedem-se as rotundas plantadas por estas estradas à velocidade de calendários eleitorais e outros… seguimos a direcção da saída sul de Torres até encontrarmos o desvio para a M533 em direcção à Serra da Vila.

Passamos esta pequena localidade, sempre por uma estrada que primeiro sobe até lá e depois, inevitavelmente desce, até reencontramos um pouco mais à frente a já conhecida N8. Passamos Freixofeira, Carrascal, Barras e um pouco mais à frente, um cruzamento à direita com a indicação Gradil e que nos vai levar pela N9-2, atravessando aquela pequena terra e em direcção a Mafra passando a dada altura pela entrada da Tapada de Mafra e durante algum tempo levaremos o muro desta à nossa esquerda

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Gradil
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Ao lado do muro da Tapada de Mafra

Esta estrada é uma preciosidade sob o ponto de vista de condução! Fabulosa!!!

Bom piso, curvas rápidas, curvas lentas, ganchos, curvas e contra-curvas, é o desfrute absoluto!

Passámos Murgeira, Paz (onde entrámos na N116) e atravessámos Mafra. O rumo agora era em direcção à Malveira, sempre pela N116.

Na Malveira, uma paragem impunha-se! As famosas trouxas da Malveira.

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Troooouuuuccchhhaaaaaasssss!!!!!!!

Há coisas que são essenciais….

Passada a Malveira, à saída desta, viragem à direita pela M539-2, em direcção à Avessada e depois, Vale de Uge e Santo Estevão das Galés.

Chegados a Santa Eulália, o engano do dia. Resolvemos virar à esquerda quando o previsto seria seguir em frente, continuando na M539-2 até Albogas. Como virámos à esquerda, pela M1205, não só viémos a entrar mais à frente na N8 (muito antes do pretendido) como apanhámos um pedaço de estrada em mau estado (nada de muito problemático mas ainda assim algo desconfortável). Em Ponte de Lousa entrámos outra vez na N8.

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Regresso a Lisboa

Sucederam-se Guerreiros, Pinheiro de Loures, Loures. Aqui optámos por seguir por Ponte de Frielas e Frielas para fazermos a entrada em Lisboa por Sacavém. O objectivo seria fazer a estrada da Apelação (as melhores curvas e contra curvas quase dentro da cidade…) e daí aquela cidade do concelho de Loures.

Todavia, algo se passava que não conseguimos identificar, razão pela qual era impossível seguir aquele rumo. Mas a estrada de Unhos (não tão interessante e com pior piso) serviu como alternativa!

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Depois de Unhos. O final estava próximo!

200 km depois chegámos! Foi tempo de despedidas e ficou desde logo o compromisso de nova volta em breve…afinal, elas estão aí, ao virar da esquina!

Continua aqui!

4 opiniões sobre “Volta saloia por Montejunto e Bombarral (1)”

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