Estrada Nacional 2 – de cima a baixo (1)

A preparação e a viagem até ao quilómetro 0 – Chaves

O desejo de fazer a Estrada Nacional 2 era velho de 2 anos. Aliás, esteve previsto para Abril ou Maio de 2017 mas as conjugações astrais não se mostraram favoráveis na altura. Voltámos à carga em Abril de 2018 aproveitando o feriado de 25 de Abril para minimizar os “estragos” em termos de dias de férias consumidos.

Definidas as datas, passámos a fase final do planeamento. É possível fazer a EN2 de improviso, tentando seguir placas, marcos e outras indicações (quando existem…o que não é frequente!), pelo velho método do “quem tem boca vai a Roma”. É possível, mas não eficaz. Principalmente quando o tempo disponível é finito, não pretendíamos viajar à noite e queríamos “ver coisas” e não só fazer alcatrão.

Foram elementos preciosos 2 publicações: uma, editada há cerca de 2 anos pela desaparecida revista Auto Hoje e outra, bastante mais recente, pela Editora Papa Figos.

Preparaçao

Também o recurso a um velhinho mapa do ACP de 1961 foi útil (apesar de nessa altura alguns troços da EN2 ainda não existirem) e, principalmente, as muitas leituras que a internet nos proporcionou. Foi um processo moroso…

Depois, seguiu-se a elaboração do roadbook que nos serviria de guia durante a viagem. A utilização daquelas publicações não seria prática, pelo que era fundamental fazer um resumo que contemplasse não só o trajecto como também alguns pontos de interesse que pretendíamos ver ao longo do percurso. Daí também o termos optado por não utilizar GPS. Desse trabalho, mais fácil nalgumas regiões (principalmente abaixo de Abrantes quer pelo conhecimento pessoal quer porque o traçado original pouco alterou ao longo do tempo) substancialmente mais complicado noutras, resultou o guia (não isento de erros) que nos acompanhou de principio a fim com muito bons resultados.

Roadbook

Destaco duas zonas mais complexas por motivos diferentes:  a primeira, o percurso entre Santa Comba Dão e Penacova pois a maior parte da EN2 ou ficou submersa pela albufeira da Barragem da Aguieira ou foi sobreposta pelo IP3; acabámos por fazer um roadbook específico para esta zona, bastante mais detalhado e que se revelou determinante. Demorou mais tempo a fazer do que o que gastámos a percorrê-lo. Mas valeu a pena…e percurso é muito bonito. A segunda consiste na zona que vai da Sertã até quase a Abrantes. Neste caso, continua identificada como EN2 mas trata-se de uma variante moderna. Só mais tarde soubemos que o percurso verdadeiramente original não era esse. De qualquer forma, este que fizemos já está institucionalizado e permite passar no Picoto da Melriça que é um ex-líbris da EN2.

Definidas as etapas, até por conveniências de alojamento – Chaves-Viseu, Viseu-Abrantes – pois tínhamos dormida gratuita em Viseu (casa de família de um dos membros do grupo) e em Abrantes onde amigos nos proporcionaram uma recepção épica – Ana e Zé, um enorme bem haja! – faltava encontrar o ponto óptimo para o início da última parte da viagem. A opção lógica seria dormirmos em Faro reservando o ultimo dia para o regresso. Tal obrigaria a que a última parte da viagem, e claramente uma das mais divertidas, fosse feita em final de dia e já com muito cansaço acumulado: a Serra do Caldeirão. Resolvemos pernoitar antes e guardar essa parte para a manhãzinha do dia seguinte. Assim, fizemos Abrantes-Castro Verde e aqui brindamo-nos com um belo banho na piscina do hotel ao final da jornada. Mais tarde, fomos surpreendidos com o início das festividades do 25 de Abril e um espectacular fogo de artifício o que provou o acerto da opção.

Outro aspecto decisivo na parte final do planeamento foi o acompanhamento diário, na quinzena que antecedeu a partida, das previsões meteorológicas. Delas dependia inclusivamente a hipótese de adiamento. De facto, até à última hora as perspectivas eram sombrias pois previa-se uma autêntica tormenta para aqueles dias. Aliás, a data e hora inicialmente previstas coincidiam com uma intempérie quase épica. Na véspera da partida, consulta detalhada aos sites de previsões (e aqui destaco pelo elevado grau de acerto o meteo.ist.utl.pt) permitiu concluir que se antecipássemos a saída cerca de uma hora, conseguiríamos sair de Lisboa antes do vendaval e ir sempre à frente dele enquanto marchávamos para norte. E bateu certo!

Clima

Só já bastante depois de Braga nos deparámos com uns chuviscos breves. Para o resto dos dias, as perspectivas iniciais também acabaram por não se cumprir e beneficiámos geralmente de dias quentes (mais quentes do que o nosso equipamento antecipava…) e apenas uma chuva ligeira na zona de Góis.

Se o planeamento se veio a revelar fundamental para o sucesso, destacar aqui a camaradagem e amizade entre os três motociclistas viajantes que tornou todos estes dias uma verdadeira diversão.

Foto1

Sábado, 21 de Abril, cerca das 7.30 da manhã, era tempo de nos fazermos à estrada. Assim foi. Auto-estrada até à saída de Braga, com uma pequena paragem na área de serviço da Mealhada para reabastecimento de montadas e cavaleiros.

Foto2

À saída de Braga tomámos a EN 103. E que surpresa! Estrada maravilhosa, das mais bonitas que já percorremos. Logo no início, paragem para almoço e depois…uma chuvinha para animar o caminho. Mas até desviarmos para Montalegre, foi um deleite de condução só superado pela paisagem.

Ora o Gerês a norte, ora as barragens e suas albufeiras com destaque para a do Alto Rabagão. A EN 103 merece por si só uma visita mais detalhada.

Montalegre mostrou-se uma bonita vila, com um castelo altaneiro a fazer frente aos vizinhos espanhóis lá ao longe.

Daí até Chaves seguimos por uma estreita estrada municipal, sem trânsito, onde sentimos mesmo a dureza (também bela) do planalto transmontano. Memorável!

Jpeg

E assim chegámos à cidade de Trajano, que visitámos depois de um jantar bem comido e bem bebido (antes ainda tínhamos dado um salto a Espanha para atestar as Hondas que bem carentes estavam), numa noite muito agradável de temperatura amena. Depois…descansar que no dia seguinte começava a Estrada Nacional 2!

Foto17Foto21

Continua (…)

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s