Serra da Estrela…e algo mais (1)

A aproximação: de Nisa a Belmonte

Diz-se que de manhã começa o dia. Assim é. Mas sem exageros…

Pronto para partir

Pouco passava das 9h e já depois de consultado o horóscopo na máquina Multibanco mais próxima, lançámo-nos ao caminho. Nisa é o último bastião alentejano antes de atravessarmos o Rio Tejo e entrarmos em território beirão. A jornada antecipava-se longa em tempo e distância…

Nisa

Mas até lá, tínhamos para começo de conversa, um troço de 18 km da EN18 (vejam a coincidência numérica) que é uma delícia. A estrada desenvolve-se fluente e em bom piso, seguindo e por vezes cruzando as curvas de nível da Serra de Nisa, num percurso a fazer lembrar a Serra do Caldeirão mais a sul. Sem grandes inclinações, curvas e contra curvas bem lançadas, umas mais rápidas outras a exigir alguma mudança mais baixa, mas sempre em bom ritmo. Se no início a paisagem é agreste, perto do final, os últimos 3 km são uma maravilha com uma descida pronunciada e o Rio Tejo, recém entrado em Portugal, a correr à nossa direita. Mais ao fundo vemos Vila Velha de Ródão.

Rio Tejo - Descida para Ródão

Rio Tejo - Vila Velha de Ródão

Chegados ao final da descida, temos a ponte metálica que atravessa o rio e nos dá uma perspectiva deslumbrante do monumento natural que é as Portas de Ródão.

Portas de Ródão

Ponte de Ródão e Rio Tejo

Entrámos então na Beira Baixa, passa-se Vila Velha de Ródão e seguimos pela EN18, que nos iria ser o eixo principal desta viagem, agora já com um piso algo descuidado, com destino a Castelo Branco, a primeira paragem do dia. Certamente por efeito da trepidação originada pelo piso deficiente, poucos quilómetros volvidos, o primeiro (e único, felizmente) precalço: o aperto da base do GPS desapertou-se…algo simples de resolver com uma chave Allen de tamanho adequado…que não havia! Paragem forçada numa bomba de gasolina mas sem resultado. Ainda tinham menos ferramentas que eu. Solução? Fácil, muito fácil! Segui até Castelo Branco com algum cuidado para não agravar o desaperto e…lá chegado, paragem na primeira Loja do Chinês encontrada. Problema resolvido em 5 minutos (incluindo a visita à loja!).

Em Castelo Branco, a paragem era acima de tudo sentimental. Tirar a foto da praxe em frente ao Liceu onde há muitos anos atrás vivi época feliz. À época chama-se Liceu Nun’Álvares Pereira. Hoje há-de ser algo parecido… Em breve conversa com jovem que me tirou a foto, recordei-me de mim próprio naquele sítio, com aquela idade, provavelmente com idênticos sonhos.

SE7

E não poderia faltar uma recordação da passagem pelos Jardins do Paço, um dos ex-líbris da cidade a merecerem sempre uma visita atenta, com a sua multiplicidade de estátuas (muitas delas réplicas das originais em bronze pilhadas aquando das Invasões Francesas). É evidente que Castelo Branco merece uma visita mais demorada, principalmente para quem não conheça a capital da Beira Baixa, mas o objectivo é diferente.

Castelo branco - Jardins do Paço

Deixámos para trás a cidade, sempre pela EN18 (o piso melhorou) e em direcção norte. Esperava-nos Alpedrinha e a Serra da Gardunha, de certa forma o aperitivo para o petisco final, a Serra da Estrela.

Serra da Gardunha e Castelo Novo

Se até Alpedrinha a estrada flui quase rectilínea, a subida da Serra não tem grande história, pois é relativamente curta e não muito sinuosa. E as obras de melhoria do pavimento aconselhavam também alguma cautela. Esperava no cimo da Serra poder antever a majestosa Serra da Estrela em frente e no intervalo, Fundão e a famosa (e rica) Cova da Beira. Mas a vegetação quase só deixava antever esse cenário pelo que a panorâmica ficou para depois

Serra da Gardunha - Vista para a Serra da Estrela e Covilhã

Aproximava-se o final da manhã. A próxima paragem seria em Belmonte. Minha terra materna e, pelo adiantado da hora, local ideal para um breve descanso e algum reforço alimentar, leia-se almoço! Mas ainda faltavam uns quilómetros.

Em miúdo, quando fazia o trajecto Castelo Branco – Belmonte ou vice versa, sempre questionei a razão de escolherem a estrada mais longa, pela Covilhã, em vez da alternativa mais curta por Caria. A resposta invariavelmente era: esta tem mais curvas. Bem, se assim é, de curvas é que nós gostamos!

A meio da descida, antes do Fundão, cortei à direita pela EN345 em direcção a Alcaide e mais à frente Caria. E surpresa das surpresas! Uma estrada relativamente estreita, bom piso, bem marcada, quase sempre a descer suavemente, com curvas de diferentes perfis mas sempre bem lançadas, um verdadeiro prazer de condução. A requer apenas algum cuidado extra porque, provavelmente por ter pouco trânsito (o que confirmei!) e alguns caminhos rurais a desembocar, pode apresentar terra e outros detritos nomeadamente nas curvas. O único susto (mais um aviso) destes dias foi aqui e por essa razão, mas nada de significativo. A meio caminho, lá estava enorme a Serra da Estrela. Majestosa, com a Covilhã a seus pés e a galgar encosta acima

Serra da Estrela e Covilhã

Passámos algumas terras cujo contributo para a série “localidades com nomes peculiares” é válido: Terreiro das Bruxas, Enxames (com um curioso “Bem vindos”….sim, sim!), Sra. do Fastio e Panasco! Em Caria vimos também um exemplo da arqueologia das telecomunicações ainda funcional!

Já a seguir a Caria, a estrada bifurca com as alternativas Covilhã ou Belmonte. Mantivemo-nos na EN345 que nos levaria à terra de Pedro Álvares Cabral, mas curiosamente, a partir daqui voltava o piso algo irregular.

Cerca de 150km depois da partida, chegávamos ao primeiro objectivo do dia. Muito ainda faltava fazer, mas agora era tempo de repousar um pouco e recordar alguns dos pontos de maior interesse desta vila beirã. Com uma história riquíssima, não só por ter sido a terra natal do descobridor do Brasil, e por essa razão ter sempre mantido uma profunda ligação ao “Portugal de lá do Atlântico” mas também por ter sido um dos últimos e talvez o mais importante reduto do povo judaico quando foi expulso do nosso País pelo Marquês de Pombal. A Judiaria belíssimamente conservada e o Museu são pontos a não perder obviamente.

É evidente que não perdi a oportunidade de rever a construção/reconstrução que fizeram no que foi em tempos a casa da minha bisavó…mas com sinceridade, acho que não resultou bem. A original era bem mais bonita apesar de não ostentar uma “típica” fachada de pedra. Mas ao menos a caixilharia era de madeira…

Belmonte - Casa da Bisavó (reconstruida)

Lá ao fundo, a Serra da Estrela esperava-nos!

Belmonte - Vista da Serra da Estrela

A seguir:

Serra da Estrela…e algo mais (2)

Serra da Estrela…e algo mais (3)

 

 

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3 opiniões sobre “Serra da Estrela…e algo mais (1)”

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