A Fórnea, o Polje de Minde e o final nos Olhos d’Água

Um dia na Serra dos Candeeiros Nomes estranhos! Polje de Minde? Fórnea?…os Olhos d´Água já conhecíamos, mas os outros? Surgiram à nossa frente quando preparávamos uma volta domingueira pela Serra dos Candeeiros. E suscitaram ainda mais a nossa curiosidade. Já lá iremos… Cerca de 100km a norte de Lisboa, a Serra dos Candeeiros é conhecida […]

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Um dia na Serra dos Candeeiros
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Turismo, Moto Turismo!

Nomes estranhos! Polje de Minde? Fórnea?…os Olhos d´Água já conhecíamos, mas os outros?

Surgiram à nossa frente quando preparávamos uma volta domingueira pela Serra dos Candeeiros. E suscitaram ainda mais a nossa curiosidade. Já lá iremos…

Cerca de 100km a norte de Lisboa, a Serra dos Candeeiros é conhecida pelas suas grutas – Santo António, Alvados e Mira d’Aire. Por incorporarem já muitos circuítos turísticos, não faziam parte do nosso objectivo. Pretendíamos conhecer melhor a Serra, as suas especificidades e alguns pontos menos conhecidos…que não menos interessantes.

Outro aspecto que avivou a nossa curiosidade tem a ver com a semelhança (geológica) entre a Serra dos Candeeiros e aquela outra onde recentemente se passou um episódio que centrou a atenção do mundo inteiro: o salvamento dos miúdos de uma equipa de futebol, que ficaram isolados no interior de uma gruta, na Tailândia.

É verdade! A Serra dos Candeeiros, predominantemente calcária é, tal como aquela, um verdadeiro queijo suíço, tal a profusão de grutas e túneis que tem no seu interior. Algumas conhecidas e disponíveis para visita (as acima referidas) e outras, pela sua perigosidade, obviamente fechadas aos curiosos. Uma delas, em Alvados, muito similar à tal dos miúdos da Tailândia, estima-se que terá cerca de 70 km de comprimento…

Desta vez, éramos 6 à partida, cedinho que a jornada antecipava-se longa. Para quebrar a monotonia das marcas, desta vez 4 Hondas e 2 Yamaha.

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4 Hondas e 2 Yamaha à partida. A meio ainda teríamos mais uma Yamaha.

O primeiro objectivo era as Salinas de Rio Maior. Para lá chegar, 30 km de A1 até ao Carregado e depois a mítica Estrada Nacional 1 até Rio Maior. No caminho, passámos por um decadente edificio que era, há muitos anos, um dos ex-libris de paragem obrigatória das nossas estradas : o café e restaurante Ponderosa. 40 km de N1 foram suficientes para percebermos (ou recordarmos) como era ir de Lisboa ao Porto há trinta e tal anos….

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Estrada Nacional 1

As Salinas de Rio Maior são um fenómeno muito interessante. A mais de 30 km do mar existe uma nascente de água salgada que alimenta os tanques onde, pelo tradicional método de evaporação, é obtido o sal que utilizamos nas nossas cozinhas. A curiosidade é explicada pelo facto de o caudal de água atravessar no seu curso um veio de sal, de tal forma que esta água é 7 vezes mais salgada que a água do mar!

Muito interessante ver também, como a mesma forma artesanal de obtenção do sal permanece bem viva no nosso tempo.

A paragem mereceu também um pequeno intervalo para nos refrescarmos e recebermos mais um amigo, natural da zona e que simpática e muito orgulhosamente foi nosso cicerone durante o resto da manhã e também depois se nos juntou no final do dia para uma petiscada. Mais uma Yamaha…estavamos quase equilibrados!!!

E não ficou por aqui…de caminho, proporcionou-nos em sua casa um reabastecimento alimentar cinco estrelas. Pois é…quem não é para comer, não é para andar de mota!

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Reabastecimento…

O próximo objectivo  era conhecer a vertente oeste da Serra dos Candeeiros, entre Rio Maior e Porto de Mós. Pelo caminho, iríamos conhecer algumas povoações: Chãos , Alcobertas, Casais Monizes, Vale de Ventos, Arrimal e as suas aprazíveis lagoas…

As estradas praticamente desertas e ainda muitas notas históricas do modo de vida destas gentes e também do trabalho meritório de recuperação do património edificado e das tradições locais, foram-nos proporcionadas pelo nosso cicerone. Excelente!

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Vista panorâmica

Interessantíssimo pelo seu ineditismo, o Dólmen-capela adjacente à Igreja de Santa Maria Madalena (monumento megalitico funerário do período neolitico +/- 4000/3500 a.c.), situado em Alcobertas.

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Alcobertas – Dólmen – Capela  (Igreja de Santa Maria Madalena)

E assim chegámos a Serro Ventoso, onde tomámos a EN362 que nos levaria diretamente a Porto de Mós.

As paisagens que desfrutámos neste caminho foram verdadeiramente espectaculares, nomeadamente quando começámos a descer e, bastante ao longe, ao fundo de um vale, descortinámos Porto de Mós – com o seu original castelo que visitámos rapidamente pois está fechado para obras de recuperação – onde seria a paragem para o já merecido almoço.

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Lá ao fundo… Porto de Mós

Porto de Mós é uma localidade tão antiga, pelo menos tanto quanto a nossa nacionalidade, pois segundo a lenda, já em 1182 o cavaleiro D. Fuas Roupinho (o tal da lenda do Sítio na Nazaré) era o seu Alcaide depois da conquista aos Mouros em 1148. Recebeu foral de D. Dinis em 1305 e de D. Manuel I em 1515. No entretanto, o seu concelho tinha sido doado a D. Nuno Álvares Pereira e à Casa de Bragança, na sequência da vitória na Batalha de Aljubarrota em 1385.

O castelo, que remonta à época da Reconquista, foi sofrendo as vicissitudes do tempo e da História e já na segunda metade do séc. XV sofreu as alterações que lhe conferiram a actual traça, que o diferencia e o torna original em Portugal. Sofreu depois o impacto do Terramoto de 1755 e foi já no séc XX que sucessivas obras de recuperação têm vindo a ser efectuadas.

Era pois tempo de almoço!

A designação “tasca” remetia-nos para um local onde poderíamos eventualmente desfrutar de alguns petiscos tradicionais. Pois…já nem as tascas são o que eram! De petiscos, nem vê-los….mas, sejamos justos, os bifes estavam muito bons! A curiosidade também de a área de restauração ficar na base de um moinho (em recuperação) com uma bela vista para Porto de Mós (curiosamente, estávamos a uma cota superior à do castelo…).

Faça-se jus ao sítio: Tasca de S. Miguel. É agradável, come-se bem, não é caro e o atendimento algo demorado, é simpático.

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Vista do Castelo de Porto de Mós

Reabastecidas as montadas e bem nutridos os cavaleiros, era tempo de voltarmos à Estrada. Desta feita, o destino era a entrada na Serra pelos lados de Minde.

Optámos pela EN 243, sentido Mira d’Aire e Minde. A primeira meia dúzia de quilometros, cerca do Livramento, foi o que precisávamos para uma saudável digestão: bom piso, curvas e contra-curvas bem lançadas a permitir logo um bom pedaço de diversão – e dar a oportunidade às máquinas para “respirarem” um pouquinho!

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O bando em formação cerrada!

A estrada segue paralela à encosta norte da Serra pelo seu sopé, com um traçado ligeiro com curvas espaçadas e a permitir um andamento um pouco mais rápido não fosse algum trânsito e um teimoso traço contínuo….

Um pouco antes de Mira d’Aire, começamos a perceber que entre a estrada que percorremos e a Serra começa a haver algum afastamento ocupado com uma pequena planície com características muito particulares (talvez parecida com algumas zonas da lezíria do Tejo) e que constatamos se estender até Minde. É o Polje de Minde, também conhecido como Mar de Minde.

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EN 243 – à direita já se vislumbra o Polje de Minde

Recordemos que no início referi que a Serra dos Candeeiros era predominantemente calcárea. Trata-se de uma rocha muito permeável quer à agua das chuvas quer aos cursos de água subterrâneos que aquela em parte alimenta. Daí também a existência das inúmeras grutas já mencionadas. O Polje de Minde é também reflexo destas características. A água da chuva não é retida à superficie e vai alimentar os aquíferos subterrâneos. Quando estes esgotam a sua capacidade, a água é empurrada para a superfície, alagando toda a planície (contrariamente a outras zonas que são alagadas porque a água não se consegue infiltrar no solo, aqui ocorre o contrário). No Inverno e até no início da Primavera é possível observer o Mar de Minde…o que não foi o nosso caso, pois estávamos no pino do Verão, em Agosto e com bastante calor.

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Minde

Atravessámos Minde em direcção a Serra de Santo António. Subimos numa Estrada relativamente inclinada com poucas curvas mas dois “ganchos” bem pronunciados, cujo piso estava mal tratado.

Quase a chegar ao cume, temos 2 miradouros separados por cerca de 1 km. O primeiro, virado a norte, permite-nos observer com detalhe o Polje de Minde, para lá da terra que lhe dá o nome e também, um pouco mais para poente, Mira d’Aire.

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Miradouro norte – Minde, Mira d’Aire e o Polje de Minde

O primeiro nome estranho estava desvendado: o Polje de Minde!

Agora íamos partir à descoberta da Fónea… mas antes ainda tinhamos o segundo miradouro, virado a Sul e com umas mesas e cadeiras em pedra, a pedirem um piquenique.

Oferece-nos uma vista ampla, com Montejunto bem destacado no horizonte e vista para Alcanena, alguns dos muitos pequenos povoados desta zona e, em dia de boa visibilidade, quase até Santarém tal não é a planura que temos à nossa frente.

E se a primeira parte do percurso desta tarde foi no sentido poente-nascente, agora iríamos em sentido inverso, por Serra de Santo António, Curraleira, Covão do Sabugueiro, São Bento e Chão das Pias, quase até Porto de Mós novamente, para visitarmos a Fórnea.

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Trata-se de um majestoso anfiteatro natural, cavado nas encostas norte da Serra que nos deslumbra com a sua profundidade e cujo nome se deve ao facto de o seu aspecto se assemelhar a um forno. Mais uma vez, as características do terreno transformam este curioso recanto em algo espectacular, na devida altura do ano: o Inverno e início da Primavera, tal como no Polje. As suas encostas são polvilhadas com diversas cascatas que lhe dão uma beleza muito especial (que apenas pudemos adivinhar, logicamente).

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Fórnea
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Fórnea

Foi aqui que um dos nossos companheiros nos deixou pois a tarde já ía adiantada e outros compromissos sobressairam. Nem ele sabe o que perdeu….

Pela nossa parte, ainda tínhamos programa a cumprir antes do regresso.

O destino era agora Olhos d’Água. À nossa espera estava a nascente do Alviela, o nosso Cicerone da manhã e finalmente a degustação de um farnel que nos acompanhava desde o início da viagem. Voltámos a passar em São Bento mas desta feita seguimos por Casal Velho e Amiais de Baixo. Cerca de 20 km depois da Fórnea chegávamos ao destino, onde já esperavam por nós.

Este recanto paradisíaco, com uma praia fluvial rodeada de árvores frondosas com saborosa sombra, restaurante e parque de merendas, estava compreensivelmente muito frequentado.

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Olhos d’Água
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Olhos d’Água

Abancámos primeiro para beber uns líquidos refrescantes adequados ao calor que tínhamos vivido até aí. Depois, já numa mesa do parque de merendas, era tempo de despachar um queijinho de Nisa, um paio enguitado da mesma zona alentejana acompanhados de um casqueiro da Vidigueira para amansar o conduto e ainda uns pastelinhos de bacalhau para temperar o paladar. É evidente que a estadia se prolongou pelo tempo necessário à deglutição do manjar e também para mais um momento de convivio e converseta! Quem diz que andar de mota é um exercicio solitário não sabe mesmo do que fala…

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Palavras para quê? É um petisco português, com certeza!

Com tudo isto, a tarde ía já muito adiantada e impunha-se uma alteração ao plano inicial. Resolvemos regressar a Lisboa de forma a chegarmos ainda com alguma luz natural, razão pela qual deixámos o castelo de Alcanede para outra ocasião, que certamente se irá proporcionar pois ficou prometida uma almoçarada em Chãos.

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A jornada estava a acabar. Era tempo de regresso.

Do regresso, pouca história pois fomos apanhar a A1 perto de Santarém, depois de passarmos por Pernes. Eram cerca de 21 horas quando fomos chegando aos nossos destinos, depois de percorridos cerca de 270 km de amena cavaqueira e grande camaradagem, paisagens espectaculares e a oportunidade de conhecer melhor este recanto ….

Que fica mesmo ao virar da esquina!

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