Pyrenaeos 2019 – parte 2

Na 2ª parte da travessia dos Pirenéus chegámos ao Cap de Créus e ao Mediterrâneo.
Em Figueres vivemos o mundo de Salvador Dali e no regresso, Vic, Lerida e Saragoça foram local de paragem. Sem esquecer o Museu de la Moto em Bassella.

2 MOTOS.  7 DIAS.  3.400KM.  MILHARES DE CURVAS.

SOL E CHUVA.  CALOR E FRIO.  MAR E MONTANHA!

Pirenéus é o nome da cordilheira de montanhas que desde o Golfo de Biscaia até ao Mediterrâneo separa a Península Ibérica do resto da Europa Continental. A sua altitude máxima é superior a 3.400m mas existem cerca de 200 picos acima dos 3.000 metros. Daí aquele aspecto de verdadeira muralha que começamos a vislumbrar a mais de 100km de lá chegar. E se mete respeito…

O nome deriva do latim Pyrenaeos (que escolhemos para mote da nossa viagem) e terá nascido do termo clássico grego Pyrenaia.

Pyrenaeos logo

Em Andorra-a-Velha começámos a segunda parte da nossa viagem. Que seria bem diferente….só que ainda não sabíamos!!!!

PYRENAEOS 2019
11 Junho – Dia 4

E ao 4° dia…tudo mudou!

Antecipámos intempérie a norte de Andorra, virámos agulha para sul….
…e apanhámos com um dia “fantástico”!

A acreditar na TV catalã, foi o 3° dia com mais chuva esta ano! E nevou por todo o lado, nalguns casos a partir dos 1.200m.

Se tivéssemos ido para Norte, tinha corrido mal de certeza!

Assim, fizemos 200km debaixo de chuva intensa e contínua. Percorremos uma estrada de montanha com mais de 40km de extensão e andámos pelos 1.800m. Com a temperatura a 3°!!! E não…não apanhámos neve. Por um triz!

Para ajudar à festa, a protecção que julgava ter não funcionou…as calças pareciam de fazenda, as botas alagaram, as luvas tiveram que ser torcidas para escorrer a água acumulada!

Por tudo isto…foram cerca de 3h e meia de condução ininterrupta com temperaturas sempre abaixo dos 10°. O risco de hipotermia foi real. E as falhas de concentração na condução também…

Em resumo, o meu pior dia em cima de uma moto! Já passou….

E afinal o que fizemos hoje?

Saídos de Andorra, apanhámos a N260 da véspera e iríamo-nos divertir imenso em La Collada de Toses. Mais de 40km de sobe e desce, curvas de toda a maneira e feitio…

Pois…o S.Pedro virou costas e lixou a diversão.

Ou seja, 3h e meia depois chegámos a Figueres, terra do Salvador Dali.

O resto da tarde serviu para reconhecer o terreno e tirar algumas fotos.

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Figueres: terra de Salvador Dali – Arte urbana

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Amanhã é dia de “descanso”. Antecipa-se a visita ao Museu Dali e formalizarmos a conclusão da travessia dos Pirenéus na ponta mais oriental da Península ibérica: no Cabo Créus! E descansar ….e secar o equipamento, porque na 5a. feira iniciamos o rumo a ocidente e o regresso a Portugal.

Hoje, a colheita fotográfica foi mais pobre…

(PV) – Por muito programadas que as viagens sejam, há sempre o risco do imprevisto. E aqui, o entrosamento entre os viajantes é fundamental para se tomarem as decisões (as decisões são tomadas no momento…se são as melhores ou não, é avaliação a fazer no final).

A primeira grande decisão foi alterarmos o plano inicial que previa a saida de Andorra em direcção a norte, para entrarmos em França em Pas de la Casa. Tal implicava passarmos perto do Col d’Envalira e de seguida também pelo Col de Puymorens. Andaríamos a rondar os 2.000m senão mais. As previsões atmosféricas não eram famosas: 100% de probabilidade de chuva e temperaturas mínimas a rondar os 2 ou 3⁰. Ou seja, alta probabilidade de neve e de gelo na estrada. Perigoso…

Decidimos assim regressar a Seu d’Urgell e retomar a N260, na expectativa que as condições meteorológicas fossem mais amenas.

Amanheceu chuvoso, ainda fizemos uma compra ou outra sempre debaixo de chuviscos persistentes mas nada de muita aflição. Seguimos viagem e, no meu caso confiante que o fato seria pelo menos suficiente.

Subestimámos o clima.

Sobrestimei o fato!

À saída de Andorra senti alguma humidade nas pernas e mais à frente confirmei…as calças já tinham sido impermeáveis! Agora não. As botas…já anteriormente tinha tido uma má experiência com entrada de água mas não supunha que fosse uma costura envelhecida. Também as segundas luvas (as primeiras eram de Verão), eram boas para o frio…se se mantivessem secas. Não foi o caso. Salvou-se o blusão porque milagrosamente tinha um corta-vento escondido debaixo do banco da moto. A ordem era para seguir e nunca se nos colocou a hipótese de abortar a etapa e antecipar o dia de descanso. Mas o que aí vinha…

51km debaixo de chuva ininterrupta, como aconteceria até ao final do percurso, e com a temperatura bem abaixo dos 10⁰. O equipamento ia ensopando e a velocidade não ajudava nada… Pouco depois de Puigcerdá, os 48km da Collada de Toses. Quando começamos a subir, dois sinais me alertaram que a coisa ia doer! Primeiro um que dizia “Carretera de Alta Montaña” (o resto não consegui ler…e ainda bem!) e um segundo que indicava a altitude a 1.400m (e era só o primeiro). Pois bem, 48km, temperatura nos 3⁰ e 4⁰, chuva intensa e estrada bem sinuosa, revirada, até cerca dos 1.800m, que subimos e descemos! Gelei ao ponto de temer entrar em hipotermia. E sempre com a máxima atenção à estrada pois nestas condições não permitia brincadeiras.

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Collada de Toses – 11/6/19 – Inesquecível! 3º C Chuva persistente
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Collada de Toses – 11/6/19 – Uma lição… … e uma dívida a pagar em futura viagem!

A certa altura passámos por um carro da Proteccão Civil local parado à beira da estrada. E pouco depois cruzámo-nos com outro que vinha em sentido contrário ao nosso. Provavelmente preparavam-se para fechar a estrada… E este facto merece registo! A atenção ao detalhe e à segurança. Vigilância permanente! E outro ainda…o cuidado com a manutenção das estradas. Uma equipa ainda numerosa e com bastante equipamento, fazia reparações na estrada, apesar da intempérie. Vá lá que estavam adequadamente vestidos…não como certo incauto motociclista!

Quando tivemos que parar junto a essas obras, os dedos da mão esquerda doíam com o frio. Uma paragem providencial, em que coloquei a mão em cima da cabeça do motor da moto do Jaime! Recuperei alguma temperatura e a mão voltou a funcionar. Acabada a Collada de Toses, faltavam mais cerca de 100km até Figueres. Ainda ponderámos parar antes. Mas perdido por dez, perdido por mil, lá chegámos depois da mais difícil e sacrificada jornada em cima de uma moto que já tive.

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Depois de descalçar as luvas (ensopadas!) o resultado era este…

A nota obrigatória: hoje rimo-nos deste dia. As mais de 3 horas consecutivas em cima da moto foram desagradáveis e uma provação. Mas acima de tudo uma lição! E que lição!!! Com equipamento adequado, alguma diversão teria tido (embora deteste conduzir moto com chuva) e a coisa teria corrido melhor certamente!

A chegada ao Hotel teve tanto de salvadora e providencial como de anedótica: passado quase uma hora, quando já restabelecidos e secos saímos para uma volta pela cidade…ainda estava na recepção a poça de água que lá tinha deixado à chegada!!!

Teria sido melhor tomar a decisão de antecipar e  fazer o dia de descanso em Andorra? Porque os dias seguintes foram solarengos. Não conseguiremos saber. Porque afinal…as coisas até correram bem. Mas correcta a decisão de não rumar a norte. Teria sido bem pior…

Para terminar, referir que à noite, os noticiários da TV abriram todos com a noticia da verdadeira intempérie que assolou os Pirenéus e zonas adjacentes. Nevou em alguns sitios acima dos 1200m, num local a temperatura desceu abaixo de zero e am Barcelona foi o 3º dia mais chuvoso do ano…em Junho. Nos dias seguintes iríamos deleitar-nos com a visão dos picos dos Pirenéus cobertos pelo branco da neve deste dia!

Apesar de tudo isto pudemos ainda constatar que esta zona da Catalunha, ainda inserida nos contrafortes dos Pirenéus mostra alguns sinais de um antigo esplendor industrial (a que não será estranho os inúmeros rios que provêem da cordilheira e que forneciam a água necessária para as máquinas a carvão e as vias para o escoamento dos produtos) hoje quase ou totalmente ao abandono, nas principais localidades que atravessámos. Também os campos não têm o esplendor do lado mais ocidental das montanhas, com uma ruralidade mais agreste a fazer lembrar alguns pedaços do nosso país. Tal como alguma sonoridade, fonética ou vocabulário da língua…

Outro aspecto: o espirito nacionalista está mesmo muito acirrado na Catalunha. Sem fazer quaisquer juízos de valor, é impossível não deixar de perceber o pulsar da vontade de autonomia/independência, seja por graffitis, seja pelas inúmeras bandeiras e outros símbolos em janelas, varandas e outros locais onde seja possível pendurá-los. Há aqui certamente um problema por resolver…

PYRENAEOS 2019
12 Junho – Dia 5

Depois do dilúvio da véspera, o dia de “descanso” surgiu solarengo e risonho. A provar que o S. Pedro anda armado em cão com pulgas. É que não havia necessidade…

Adiante!

Ontem chegámos a Figueres (ensopado, ja comentei? Na recepção do hotel, passado algum tempo ainda lá estava a poça de água que deixei quando fiz o check in…).

Figueres, terra natal de Salvador Dali. Por isso, a manhã foi dedicada ao Museu Dali. Onde pudemos apreciar a genialidade e a criatividade desta figura tão excêntrica quanto racional.

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Teatro Museu Dali
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Teatro Museu Dali – Pormenor da fachada
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Pintura em estereograma: nesta perspectiva, o busto de Abraham Lincoln…
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….mas aqui, um corpo feminino.
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Tudo depende do ponto de onde se olha… A genialidade de Dali, logo à entrada no museu!

Depois de cerca de 2 horas de visita (algum excesso de visitantes, diga-se) e deslumbrados, foi tempo de almoço. E depois, acertar algumas contas:

– irmos ao quilómetro 0 da N260 para fecharmos este capítulo de uma estrada que tem tudo, mas tudo mesmo, para ser uma das rotas míticas do pessoal das motos. É fantástica! Diversão absoluta entre Sabiñanigo e Portbou junto à fronteira com França.

– visitarmos o Cabo Créus. A ponta mais oriental da Península e também escolhida para ser o nosso fecho da travessia dos Pirenéus, que recordo, começou simbolicamente no Cabo Higuer, em Hondarribia no mar Cantábrico. Unimos o Atlântico ao Mediterrâneo.

Finalmente, para fecharmos a jornada, conhecer Cadaqués. Estância turística por onde passaram figuras como Dali ou Picasso. E lindíssima! Uma pequena baía de um mar azul forte e com o casario branco disposto em anfiteatro à sua volta.

No meio disto tudo, acabámos por ainda fazer 129km…e convém salientar que a esmagadora maioria foram daqueles bem divertidos…não esteve mal para “descanso”!!!!

No total levamos já 2.023km.

Amanhã começa a viagem de regresso!

(PV) – O dia de descanso tem menos que contar. Até porque o prato forte – o Teatro  Museu Salvador Dali – não é possível descrever por palavras.

Mas enquanto esperávamos pela entrada, oportunidade para visitar a vizinha Igreja do Santo Padre:

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Quanto ao Teatro Museu Dali, tendo sido inaugurado na década de 70 do Séc.XX presumimos que a sua concepção se deve ao genial e excêntrico criador. E a forma como o próprio edifício está estruturado e o seu design são ilustrativos da criatividade de Dali. Tudo está feito de forma a realçar todas as vertentes criativas e de exploração das diferentes técnicas artísticas. As palavras são insuficientes. E o espaço disponível para colocar todas as fotos tiradas também… Fica a recomendação. Vale a pena visitar Figuéres. É fundamental visitar a obra do genial criador. Até eu que não sou (era) propriamente um conhecedor ou admirador fervoroso saí de lá completamente estarrecido. Fantástico!!!

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Mais de 2 horas de lenta visita, pois entrámos por volta das 11h e nessa altura estava pejado de excursionistas o que tornou o início da visita algo penoso. Mais perto da hora de almoço estava muito mais tranquilo. Talvez o ideal seja programar a visita para as 12.30 e passar lá esse período. Fica a sugestão…

Quem queira ver a colecção completa de fotos (exterior, interior e espólio em exposição – 326 fotos) é seguir o link:

TEATRO MUSEO DALI – FIGUERES – CATALUNHA

De seguida fomos almoçar numa aprazível esplanada no centro da cidade. Quem diria o suplício 24 horas antes!

Depois…fechar alguns temas em aberto.

Desde logo, sair em direcção a norte para alcançarmos o quilómetro 0 da N260. Era a “homenagem” que queríamos fazer a uma estrada que verdadeiramente nos apaixonou. Assim, fomos até à fronteira com França, em Portbou. E, surpresa….tivemos diversão até mesmo à fronteira. Com o beneficio adicional de à nossa esquerda, em baías sucessivas, termos o azul forte do Mediterrâneo. Lindo!

Voltámos atrás cerca de 20km e virámos à esquerda em direcção a Cadaqués. Mais uma atestadela, ligeira paragem junto à praia em El Port de la Selva para a foto da praxe e ao chegarmos à entrada de Cadaqués …

…rumo ao Cabo de Créus.

A ponta mais oriental da Península Ibérica e o final simbólico da nossa trans-pirenaica. Até aqui, a estrada tinha continuado a dar-nos a luta que gostamos. Pirenéus até ao fim!!!

Os 12km até ao Cabo justificavam algum cuidado. Apesar de alcatroada, a estrada não é boa, sem marcações e nalguns casos a requerer atenção. Mas que linda é a aproximação ao Cabo. Selvagem. Agreste. Quase lunar… fora deste mundo!

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A caminho do Cabo de Créus

Encerrámos aqui a travessia dos Pirenéus. Mas não a viagem. Nem as estradas reviradas e desafiantes.

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Cabo de Créus O final da travessia transpirenaica iniciada no já longínquo Cabo de Higuer em Hondarribia
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Viagens ao Virar da Esquina na ponta mais oriental da Península Ibérica

Passámos o resto da tarde e início da noite em Cadaqués. O nosso festejo de Santo António…

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Cadaqués
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Cadaqués
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Cadaqués
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Cadaqués

É uma vila paradisíaca onde, talvez por isso, passaram visitantes famosos: o já referido Salvador Dali, mas também Pablo Picasso, entre outros que vão sendo registados na memória das placas colocadas nas paredes das casas onde viveram.

Uma baía com um mar azul forte e ligeira ondulação, populado de pequenas embarcações (maioritariamente de recreio) e com o casario branco de um ou dois pisos disposto em anfiteatro. Uma marginal de uma ponta à outra a possibilitar um ameno passeio e saborear a calma de uma estância de veraneio fora de época (a apetitosa gelataria…fechou antes das 21h…quando lá chegámos, nada!).

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Sem gelado, a sobremesa foi outra. Mais uma quinzena de quilómetros de curvas e contra curvas até nos começarmos a aproximar de Figuéres. Não foi menos saborosa…explorar o conta-rotações e a aderência dos pneus ao lusco-fusco…delicioso!

No dia seguinte começava o regresso. Muito ainda para ver, mas …sempre o regresso.

PYRENAEOS 2019
13 Junho – Dia 6

Depois de ontem termos fechado o capítulo Pirenéus (achávamos nós…) hoje era tempo de começar a traçar o caminho de regresso.

Saímos de Figuéres com ligeiro atraso devido a um quid pro quo entre o despertador e o fuso horário. Nada de preocupante e perfeitamente recuperável…

A primeira paragem para pequeno almoço e visita demorada foi em Girona. A Catedral e as muralhas do castelo bem como o bairro judeu mereceram a nossa atenção. A Catedral é lindíssima.

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Feito o périplo, rumámos a Vic onde tínhamos como objectivo ver o centro desta antiquíssima cidade. A Praça Central onde às terças e sábados se realiza uma feira cujas origens remontam ao século XII e o Templo Romano praticamente intacto e construído há 2.000 anos foram alvo da nossa atenção.

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Depois o prato forte da jornada: em Bassella (localidade a uma distância razoável de nenhures) fica situado um dos maiores museus de motos da Europa. E lá investimos cerca de 2 horas do nosso tempo. Não foi necessário correrem connosco mas…quase!

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Museu de la Moto – Bassella
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Museu de la Moto – Bassella
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Museu de la Moto – Bassella
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Museu de la Moto – Bassella

Disse no início que pensávamos já ter fechado o capítulo dedicado aos Pirenéus. Mas não! Todo o dia, mas principalmente quando saímos de Vic em direcção a Bassella, fomos tendo ao nosso lado direito a companhia dessas imponentes montanhas…agora com os cumes pintados de branco graças à malfadada intempérie de há 2 dias! Chegámos a estar a menos de 100km de Andorra…e a tentação foi forte…

Finalmente chegámos ao final da etapa: Lérida. E à noite um pequeno passeio apenas para ficarmos deslumbrados com a espantosa catedral. Que domina imponente a cidade. Património da Humanidade perfeitamente justificado.

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Lérida: Catedral
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Lérida
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Lérida: Catedral
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Lérida: Catedral
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Lérida: Catedral
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Lérida: Catedral

Hoje foram mais 308km. No total já levamos 2.331km desde a saída da Capital do Império (como alguns invejosos lhe chamam).

Amanhã, continuaremos a aproximar-nos de Portugal. Uma visita atenta a Saragoça e depois….quilómetros….quilómetros e quilómetros. Que isto de atravessar os 5/6 da Península que não nos pertencem têm muita mão de obra!!!

Amanhã vos contarei como foi.

(PV) – A viagem até Girona não teve história. Já o centro desta cidade catalã tem. E muita. A mais recente diz respeito ao facto de ter oferecido os cenários para as 5ª, 6ª e 7ª temporadas da série Guerra dos Tronos (como não acompanho, não consigo fazer o paralelismo…mas fica a indispensável referência).

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Para lá da visita ao seu Castelo e muralhas que nos permitiram ter uma visão panorâmica da cidade, de todo o espaço que a rodeia e lá ao fundo, a presença dominante dos Pirenéus, de percorrermos as ruas estreitas e empedradas do centro histórico, é evidente que sobressai a Catedral. Imponente e majestosa, possui a maior nave gótica do mundo, o que bem atesta a sua dimensão.

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Girona: Catedral
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Girona: Estátua dos primórdios da cristandade
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Girona: vielas
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Girona: escadaria da catedral
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Girona. pormenor da fachada da catedral
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Girona: vielas
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Girona: vielas
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Girona
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Girona: vielas
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Girona
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Girona: e a Catedral à mão de semear!

De Girona, um pequeno salto até Vic. Demorámos a encontrar o centro. As principais ruas em obras dificultaram a tarefa apesar de a cidade não ser grande. Sobressai, atestando a sua muita antiguidade, um templo romano do Séc I em excelente estado de conservação bem como a praça central onde desde o século XIII se fazem regularmente feiras.

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Vic: Plaza Mayor
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Vic: Templo Romano (Séc I)
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Vic: ruinas
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Vic
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Vic

Visita feita, almoço despachado lá nos lançámos novamente à estrada. O destino ficava a cerca de 100km e teríamos que nos desviar em direcção a noroeste. O que desde logo nos levou a reaproximarmo-nos dos Pirenéus (Andorra chegou a estar a cerca de 80km….e a tentação surgiu…) e a vislumbrarmos os altos cumes da cordilheira agora bem coloridos de branco. E a intempérie tinha sido apenas na antevéspera!

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Pirinéus cobertos de neve. E por ali andámos…

Onde íamos? Visitar o Museo de la Moto, localizado em Bassella. Onde? Isso mesmo! Bassella…algures no meio de nenhures! Mas atenção…o Museu vale a pena a deslocação. E o tempo lá passado é uma visita ao historial do mundo motociclista. É uma peça fundamental na nossa cultura motociclista. Logo à entrada, uma VFR cortada ao meio para conseguirmos perceber as suas entranhas. E depois, por ordem cronológica, inúmeras marcas e modelos que fizeram a história deste mundo e as paixões de motociclistas desde os finais do Séc. XIX.

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Museu de la Moto – Bassella
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Museu de la Moto – Bassella
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Museu de la Moto – Bassella
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Museu de la Moto – Bassella
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Museu de la Moto – Bassella

Onde ficou a retina? Na Norton Manx…por exemplo!

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Museu de la Moto – Bassella Norton Manx – mítica!

A reportagem fotográfica completa (131 fotos) está no seguinte link:

MUSEU DE LA MOTO – BASSELLA (LÉRIDA) – CATALUNHA

Visita feita e digerida, rumo a Lérida para aquela que ainda não sabíamos ir ser a nossa última noite da PYRENAEOS 2019…

EM Lérida, cidade antiquíssima,ainda houve tempo para uma visita.

A Catedral de la Seo Vieja (Sé Velha) inserida no vasto espaço fortificado do Castelo de Gardeny  e situada no cimo de uma colina sobranceira à plana cidade, é imponente. Lindíssima…e a iluminação adequada a somar à luz natural do lusco fusco, ainda acentuou mais a majestosidade daquela construção, cujo inicio remonta ao início do Séc XIII e assenta nas ruinas de antiga mesquita árabe. Depois, descemos pelas estreitas ruas que conduzem à avenida que margina o Rio Segre. Algo sujas, com população predominantemente magrebina…pelo menos aquela hora não nos cativou.

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Lérida
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Lérida: Catedral
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Lérida: Catedral
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Lérida: Catedral
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Lérida

Nesta altura, algum cansaço já nos dominava. E a tradicional “saudade”, conceito tão lusitano, também. Havia que tomar opções para o ou os dias seguintes. Estava assente a visita a Saragoça. Até porque sempre por lá passaríamos. Mas o resto dos planos – Cuenca, Aranjuez e Toledo – estava em dúvida. No dia seguinte decidiríamos…

 

PYRENAEOS 2019
14 Junho – Dia 7
E foi o último dia!

Querem um conselho? Nunca deixem algo de Espanha para ver na viagem de regresso…porque quando começamos a pensar na travessia do “deserto”, os quilómetros que faltam e o território (quase) inóspito, só apetece terminar o mais rapidamente possível.

Foi o que se passou connosco. Depois de tomada a decisão de regresso e deixar algumas coisas (Cuenca, Aranjuez, Toledo) para uma outra oportunidade pela Meseta Castelhana (não é possível ir a tudo na mesma viagem…lição aprendida!) ainda pensámos dividir o regresso em 2 etapas…mas com a preciosa ajuda do Google Maps percebemos que era viável fazer a tirada directa e chegarmos a horas decentes.

Recordo que na véspera tínhamos ficado em Lérida. Cidade monumental mas que nos deixou ideias contraditórias: Zona monumental espectacular e uma zona ribeirinha sempre interessante. Mas “perdemo-nos” pelo seu interior e…não tão bonita…

E para este dia, para lá da estrada (estávamos quase a 1.100km de Lisboa) ainda tínhamos programado visitar Saragoça.

Cidade de grande dimensão, cosmopolita e com uma vida nas ruas absolutamente notável. Dava a sensação que as pessoas andavam nas ruas bem dispostas e com um sorriso no rosto…

Quanto à parte monumental….é mesmo monumental!

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Saragoça: Basílica de Nuestra Señora del Pilar
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Saragoça: ruinas romanas
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César Augusto, Imperador Romano fundador de Saragoça
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Saragoça monumental
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Saragoça monumental (arte mudejar)
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Saragoça monumental
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Saragoça monumental
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Saragoça monumental – Ayuntamiento
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Saragoça monumental (arte mudejar)
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Saragoça monumental
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Saragoça monumental (arte mudejar)
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Saragoça monumental
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Saragoça monumental – ruinas da muralha
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Saragoça: Puente de Piedra
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Saragoça – Basílica
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Saragoça monumental
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Saragoça: Catedral
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Saragoça: Basílica

Sendo um dos principais (senão o principal) pontos de intersecção de diversas culturas – foi fundada pelo Imperador Romano César Augusto, foi importante centro à época do domínio árabe e é um ponto de referência do cristianismo (é aqui o primeiro local onde surge o culto mariano, no séc I da nossa era) – isso transparece na arquitectura de diversos monumentos nomeadamente na impressionante e imponente Basílica de Nossa Senhora do Pilar, a chamada arquitectura mudejar.

No final ainda desfrutámos de uma feira medieval que neste dia se iniciava.

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Saragoça: Feira Medieval
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Saragoça: Feira Medieval
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Saragoça: Feira Medieval

Também não perdemos um olhar pela Saragoça castiça…a prometer uma futura visita mas por horas mais tardias…bem mais tardias!

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Saragoça tipica (…e a servir os Clientes há mais de 100 anos…)
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Saragoça tipica: publicidade mural
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Saragoça tipica: bares e tascas
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Saragoça tipica: bares e tascas
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Saragoça tipica: bares e tascas
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Saragoça tipica: bares e tascas
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Saragoça tipica: bares e tascas

Feita a visita…apontámos a ocidente. Nesta altura, ainda pensávamos vir pernoitar algures depois de Madrid. Quando nos aproximámos dessa meta, consultámos o Google Maps e vímos quanto tempo ainda faltaria para Lisboa. Nem foi preciso dizer nada! Motores a roncar…e ala que é caminho!!!

Paragens diversas para atestar e esticar as pernas…reabastecimento alimentar perto da fronteira em Badajoz e…cerca da meia noite entrávamos na Ponte Vasco da Gama. Chegávamos e terminávamos esta espectacular viagem.

Camaradagem e amizade.

Paisagens espectaculares e o mais diversificadas possíveis- mar, montanha, sol, calor, chuva, frio extremo.

E estradas….FANTÁSTICAS!!!! Verdadeiras lições de condução e diversão até mais não! Cada vez que revejo mentalmente o Col de Bonaigua (perto de Baqueira-Beret) ou outros que percorremos só dá vontade de….voltar já! E na Collada de Toses….ficou uma dívida que tem que ser paga em futura viagem!

Registem o seguinte: estrada N260! Mítica! Imperdível!!! De Portbou no Mediterrâneo até Sabiñanigo nos Pirenéus. Ou ao contrário….ou para lá e para cá…não interessa. É diversão absoluta! Façam-na….

Em resumo, nesta jornada entre Lérida e Lisboa foram 1.092km para um total da viagem de 3.423km. De sexta 7 a sexta 14 de Junho.

E assim foi o PYRENAEOS 2019! Memorável!

(PV) – A descrição de Saragoça está feita atrás. Nada mais a relevar que não seja a viva recomendação que esta cidade justifica paragem e visita demorada. Desde as margens do Rio Ebro a todo o património monumental, a visita a pé pode ser longa mas inteiramente justificada e recompensadora. Imperdível.

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Saragoça: Basílica de Nuestra Señora del Pilar
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Saragoça: Puente de Piedra
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Saragoça: Basílica de Nuestra Señora del Pilar
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Saragoça: Feira Medieval

À saída estava assente: o rumo era directo a Portugal. Sobrava a dúvida: directo ou com uma paragem intermédia que prolongaria a viagem por mais um dia.

Saídos às 14h (locais) reservámos a decisão para depois de passarmos Madrid pois nessa altura já seria possível prever tempos de viagem. Madrid passou-se com tranquilidade apesar de um engarrafamento devido a um acidente que nos fez perder cerca de 15 minutos. Nada de relevante. Na paragem para reabastecimento seguinte…vimos que era possível chegar a Lisboa cerca da meia-noite. Decisão tomada!

Andamento tão rápido quanto possível – era sexta feira à tarde e o trânsito na Carretera de Portugal (a A5) muito intenso até Talavera de La Reina exigia atenção redobrada – e lá fomos andando. Pouco passava das 21h (de Espanha) quando chegámos a Badajoz e até deu tempo para jantarmos. Afinal, em Portugal era uma hora mais cedo.

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A ultima refeição! E um brinde (sem alcool…que ainda faltavam muitos quilómetros e a jornada já ia longa!)

Faltavam 230km na nossa EN4. Cerca da meia noite percorremos a Ponte Vasco da Gama e encerrámos a nossa espectacular viagem.

Uma nota final para as estradas espanholas. Não para as curvas ou contra curvas. Mas sim para o seu estado. Em geral muito bom. Bem conservadas, sinalizadas, com bermas adequadas. Refiro-me às estradas nacionais (para comparar com as nossas…). Quanto às autoestradas…fizemos cerca de 2.000km nestas estradas (Ciudad Rodrigo-San Sebastian e Lérida-Badajoz) e nem um singelo euro em portagens!

CONCLUSÕES

Referi no início a questão de sermos apenas 2 e do equilíbrio de andamentos. É evidente que com um grupo maior, a diversão seria multiplicada e a experiência mais rica. Mas em estradas com as características das que percorremos e a forma como as fizemos (tentando desfrutar da condução e dos traçados…sem prejuízo das paisagens, claro) com alguma rapidez, poderia levar a diferenças de andamento significativas e com o avolumar de alguns tempos de espera mais substanciais. Será uma factor a levar em conta antecipadamente e que deverá ser muito bem alinhado entre todos os membros de um eventual grupo para evitar depois algumas questões que possam surgir e toldar o ambiente de camaradagem desejável. Fica a nota…até porque a regra costuma ser a de seguir o andamento do mais lento (o que pode ser frustrante para alguns mais…afoitos).

 Ir para PYRENAEOS 2019 – parte 1

PYRENAEOS 2019 – Uma viagem inesquecível!

E afinal, quanto custou esta viagem (per capita, valores aproximados)?

Combustível ……………………………………………….  300,00€

Alojamentos ……………………………………………….  160,00€

Alimentação ……………………………………………….. 100,00€

Despesas diversas (entradas, portagens, etc.)…..   40,00€

TOTAL                                                                            600,00€

Quanto aos souvenirs……cada um sabe de si!

O PERCURSO:

Para seguir o trajecto que percorremos, de uma ponta a outra dos Pirenéus e mais um pouco, antes e depois – os mais de 1.500km de Burgos a Saragoça –  aqui fica o link para o download (clicar no mapa ou utilizar directamente o link abaixo para os ficheiros gpx), cortesia Viagens ao Virar da Esquina (sem esquecer os “direitos de autor” do Jaime Fernandes!)

Mapa da viagem

FICHEIROS gpx PARA UTILIZAÇÃO EM GPS

HOTEIS QUE NOS AGRADARAM (e que recomendamos):

– Final da 1ª etapa – Hostal Rural Onbordi (perto de Lasaka, aprox. a 40km de San Sebastian)

– Final da 2ª etapa – Hotel Bujaruelo – Torla

– Final da 3ª etapa – Hotel L’Isard – Andorra-a-Velha

– Final da 4ª e 5ª etapa – Hotel Ronda – Figueres

O custo médio rondou os 55€ por noite em quarto duplo.

2 opiniões sobre “Pyrenaeos 2019 – parte 2”

  1. Fiquei obviamente muito feliz que a viagem tivesse sido concretizada da maneira antevista, sobretudo com muita diversão! Isso deveu-se à experiência, bom senso e bom solidariedade. Mas também a dois factores materiais: à evidente qualidade da manutenção das estradas nacionais espanholas e demais vias urbanas. Por último o factor climatérico: o início de Junho é na minha opinião o melhor tempo para empreender esta viagem. Mas nunca deixando de utilizar um equipamento adequado a qualquer circunstância! Enfim, está feita! Pensamento já na próxima, sempre com o factor diversão em 1º lugar!

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