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Uma viagem de 2 anos a Andar de Moto

Desde Fevereiro de 2019 até agora, são dois anos a viajar nas páginas da Andar de Moto.
Em 21 etapas, fica aqui o resumo de cada uma delas…ao Virar da Esquina.

Parte 1:  In Andar de Moto #33 – Fevereiro de 2021

 Ainda o ano de 2019 tinha a placa “Pintado de Fresco” e já o telefone tocava.

 Do outro lado do fio (era um telemóvel, mas adoro a expressão!), às 15h previamente combinadas, estava o editor da Andar de Moto. Não nos conhecíamos, mas na sequência da conversa surgiu a pergunta: “será que eu gostaria de partilhar nas páginas da revista algumas das histórias das minhas viagens ao virar da esquina?”. A resposta só podia ser afirmativa.

 Gosto de desafios. E no caso era um grande. A minha experiência de contador de histórias de viagens era curta (ainda é). O ano anterior tinha sido “o primeiro do resto da minha vida” e só então tinha aparecido a disponibilidade para dar umas voltas de moto com maior frequência. Partilhá-las tinha surgido naturalmente, primeiro no circulo de amigos e depois, por alturas de Setembro, com o blogue, cujo nome – Viagens ao Virar da Esquina – traduzia o objectivo: dar a conhecer os recantos desta realidade próxima que é Portugal e assim inspirar quem me lesse a ir por aí fora, nos breves momentos que a vida de cada um permite para lá das normais férias.

 Apenas 3 meses decorridos mas o suficiente para alguém ter reparado. Vencida a primeira barreira, o vir a público com escritos próprios, surgia novo desafio. Mal sabia eu então, que a viagem já leva 2 anos e a contar…

 Até agora, Fevereiro de 2021, são estas as 21 etapas de uma viagem por Portugal, que agora vos conto!

 1ª Etapa – Olivença é nossa, dizem…

 Fui com um grupo de amigos até Olivença, animados da intenção quixotesca de reconquistar aquela que os espanhóis dizem sua. Pelo caminho, visitámos o interessante e muito original Castelo de Evoramonte, onde foi assinado em Maio de 1834, o tratado que pôs fim à guerra civil entre miguelistas e liberais. Fratricida como qualquer uma, opôs dois irmãos com visões diferentes do mundo: D. Pedro e D. Miguel. Ganhou o primeiro e a História de Portugal conheceu novo rumo.

 O poiso seguinte foi em Juromenha e aqui tivemos a primeira grande surpresa: a majestosa fortaleza, a Sentinela do Guadiana, lamentavelmente deixada ao desleixo e incúria de quem dela deveria cuidar. Paisagem lindíssima e uma fortificação que nos seus tempos áureos impunha respeito certamente. Do outro lado, na outra margem do Guadiana, é Espanha. Ou não…

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Juromenha-Fortaleza-panorâmica

Finalmente chegámos a Olivença. Na fronteira que não devia ser, vimos a ruína da bonita Ponte d’Ajuda, pelos castelhanos rebentada à bomba em mais um dos muitos episódios de “boa” vizinhança de antigamente.

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A caminho de Elvas – Ponte da Ajuda

Olivença que Portugal reinvindica por direito desde o Congresso de Viena de 1815, não foi reconquistada. Mas conquistou-me: desde as ruas, com toponímia nas duas línguas, tipicamente estremenhas mas com calçada portuguesa, ao carinho e orgulho que os seus habitantes têm, sendo espanhóis, pela herança lusa. E muitos têm dupla-nacionalidade.

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Olivença-Praça central com calçada portuguesa
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Olivença – Toponímia

 

2ª Etapa – Estrada Nacional 2 – Um guia prático

Depois de percorrida a EN2 e antes que chegasse a Primavera, altura ideal para a percorrer, achei que valia passar alguma informação resultante da experiência e do estudo feito na sua preparação.

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EN2

Havia (e ainda há) muito a fazer nesta estrada que percorre Portugal de norte a sul e une as suas duas metades: o litoral e o interior. Uma espécie de “manual do utilizador” destinado a facilitar a vida aqueles que se propõem fazê-la.

3ª etapa – Um dia na Serra dos Candeeiros

Situada a cerca de 100km a norte de Lisboa, esta serra tem como principais ex-líbris as grutas. Umas bem conhecidas e visitáveis – S. António, Alvados, Mira d’Aire – e muitas outras que o não são, resultantes da formação geológica predominantemente calcária e na qual a água das chuvas encontrou os mais diversos caminhos transformando-a num verdadeiro “queijo suíço”.

 Daí também resultaram outros fenómenos com designações um pouco mais estranhas como a Fórnea e o Polje de Minde, que visitámos, num percurso iniciado nas salinas de Rio Maior, passando por Porto de Mós e findo na nascente do Alviela, nos Olhos d’Água.

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Polje de Minde
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Fórnea

Desfrutámos também de bons momentos de condução nas estradas que de uma ponta à outra percorrem esses montes, como não poderia deixar de ser.

4ª etapa – Um dia na Arrábida com mistério, crimes, amores e vistas deslumbrantes

Vou com muita frequência à Arrábida. Sítio único, com fantásticas estradas e paisagens deslumbrantes que não me canso de percorrer. Desta vez, aproveitei para cruzar esses dois aspectos com algumas histórias muito curiosas.

O passeio começou na Lagoa de Albufeira com passagem nas praias da zona do Meco e paragem obrigatória no Cabo Espichel. Passei pelo imponente farol e pelo Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua (a merecer um melhor tratamento por quem vela pelo nosso património).

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Cabo Espichel

Depois Sesimbra onde no Castelo desfrutei da magnífica vista para a baía.

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Sesimbra

Finalmente, Arrábida. Na prática tem duas estradas que a percorrem longitudinalmente: uma que segue junto às praias, desde Setúbal até ao Portinho e outra que percorre a cumeada. Comecei pela primeira e pelas praias: Portinho, Creiro, Coelhos, Galapinhos, Galápos e Figueirinha. Depois, passei o Sanatório – no Forte de Santiago do Outão – e a fábrica do cimento (uma ferida aberta no coração da paisagem).

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Portinho da Arrábida
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Arrábida
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Hospital do Outão- Tróia

Um pouco mais à frente, junto a uma pequena enseada, fica o Palácio da Comenda de Monguelas. A sua ruína e as histórias que misturam nobres endinheirados dos loucos anos 20 (do século passado) com retiros de celebridades como a viúva Kennedy e sua irmã, Truman Capote e o que mais não se sabe. E que ainda serviu de cenário para literatura contemporânea. Parece que agora finalmente está a ser recuperado…

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Palácio da Comenda

A meia encosta encontramos um baluarte, a fortaleza da 7ª Bataria da Artilharia de Costa. O pequeno Forte Velho do Outão (a merecer cuidados, como não podia deixar de ser) com uma vista deslumbrante para Setúbal, Tróia e o estuário do Sado. No exterior ainda podemos ver o que resta de 3 peças de artilharia Vickers de 152mm. E as cassamatas que lhes serviam de apoio.

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7a Bataria

A viagem prossegue. O enquadramento é espectacular mas a exigir cuidados redobrados que a estrada é sinuosa e íngreme por vezes. Alguns quilómetros à frente, já a descer, temos numa pequena recta um miradouro (dos muitos que a estrada tem) e uma rampa de parapente. No final dessa recta, antes da curva à direita, um local celebrizado no único dos filmes de James Bond passado em Portugal…. segundo consta estava Ao Serviço de Sua Majestade!

5ª etapa – Sobe e desce na Serra da Estrela

O maciço da Estrela é o único pedaço de Portugal em que temos um vislumbre de montanhas a sério. Percorrer as suas estradas é garantia de muitas curvas, contra-curvas e paisagens magníficas. Que por vezes nos fazem sentir a nossa pequenez.  

O roteiro escolhido é relativamente simples e foi, desta vez, percorrido em dois dias. No primeiro, com pernoita na Pousada da Juventude das Penhas da Saúde, comecei pela subida da Covilhã até aos Piornos. Aquela onde a inclinação e a sinuosidade melhor se combinam. Depois, pequena descida até ao Covão d’Ametade, onde nasce o Zêzere com a água das muitas fontes do alto da serra. O cenário esmaga-nos com os 3 Cântaros (todos acima dos 1800m): Raso, Magro e Gordo. Dali, a vertiginosa descida pela encosta do vale glaciar até à vila de Manteigas.

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Cântaros
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Vale Glaciar

Da vila serrana e até às Penhas Douradas, uma subida mais a jeito alpino, com alguns “ganchos”, sempre a ganhar cota até terminar no Vale do Rossim. Continuei viagem em direcção ao Sabugueiro, depois Lagoa Comprida e finalmente, a Torre, onde cumpri um dos objectivos desta viagem: ver o pôr do sol no ponto mais alto de Portugal (continental). Deslumbrante!

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Lagoa Comprida
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Por do Sol na Torre

No segundo dia, desci até à Covilhã e segui, pelo Tortozendo em direcção a Unhais da Serra. Depois, Alvoco da Serra, Loriga e, antes de Valezim, virei à direita, novamente em direcção à Torre. Fantástica escalada! Estrada recente, bom piso, sinuosa e íngreme, à qual os ciclistas chamam “Adamastor”. Ao epíteto não será estranha a inclinação: cerca de 1/3 da subida a 14% é obra…. e o resto não baixa dos 9%!

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Adamastor

Cheguei perto da Torre mas não voltei lá. Desci de novo à Covilhã e …era tempo de regresso.

 6ª etapa – Virámos a esquina e fomos até ao Lago Azul

 A albufeira de Castelo de Bode – o Lago Azul – situa-se mesmo a meio de Portugal, e a barragem trava o percurso do Zêzere (cuja nascente vimos na etapa anterior) quase junto à foz onde se dissolve no Tejo.

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Albufeira Castelo de Bode

Circundámos a albufeira, visitámos algumas das suas praias fluviais: Aldeia do Mato, Trízio, Alcanim e Castanheira (também chamada de Lago Azul…).

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Lago Azul (praia fluvial)

Detive-mo-nos na templária Dornes, com a sua original torre de planta pentagonal. Povoação que está presente na História de Portugal desde o seu nascimento, passando pela Lenda de Nª Sª do Pranto, até aos alvores do republicanismo. Ali perto, em Carril, na Sociedade Filamónica Carrilense, foi tocado pela primeira vez “A Portuguesa” de Keil do Amaral, no ano de 1890. Vinte anos depois passaria a ser o Hino Nacional.

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A caminho de Dornes
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Albufeira de Castelo de Bode

As estradas que rodeiam a albufeira são excelentes para a prática do mototurismo. Foram elas que também nos levaram até ao Picoto da Melriça e ao Penedo Furado, alternando paisagens magníficas do plano de água com outras de vegetação exuberante.

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Estrada Panorâmica
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Albufeira e Ponte Ferreira do Zêzere

 

7ª etapa – Brotas, o segredo escondido do Alentejo

Quem diria que, perdida no meio do Alentejo, meia dúzia de quilómetros antes do célebre km500 da EN2, entre Mora e Montemor-o Novo, fica uma pequena vila, outrora sede de concelho e onde desde os idos de 1400 se professa a fé em Nossa Senhora? Muitos anos, séculos, antes de Fátima!

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Brotas (vista panorâmica)

A aparição e o milagre da Nª Sª de Brotas aí fizeram nascer o bonito e singelo Santuário.

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Santuário de Nª Sª de Brotas

Uma fé que fez com que a terra recebesse confrarias de romeiros que aí vinham prestar o seu culto a Maria. Aí construíram as chamadas Casas de Romaria (que hoje estão muito bem recuperadas e adaptadas ao turismo rural). E levaram o culto consigo nos Descobrimentos, razão pelo qual ele se estende às mais longínquas paragens da diáspora lusitana.

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Casas de Confraria

Nas imediações, a justificar um passeio pelas calmas estradas alentejanas, Mora – o Fluviário e o Parque Ecológico do Gameiro ou o Cromeleque do Monte das Fontaínhas Velhas – Pavia e Arraiolos, com o seu típico castelo de muralha circular e o património cultural das Tapeçarias, merecem também uma visita.

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Cromeleque do Monte das Fontaínhas Velhas
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Arraiolos-Homenagem às Tapeçarias e Castelo

 

8ª etapa – Atouguia da Baleia – quando o mar recua

Chamava-se Tauria e foi, por alturas da fundação da nacionalidade, um importante porto de abrigo na baía da S. Domingos. Fruto do assoreamento e do recuo do mar, hoje as ondas situam-se a alguns quilómetros a poente. Do porto resta a memória e S. Domingos é o nome da pequena ribeira que por ali passa. À época, Peniche e Baleal eram ilhas…

 De Tauria (porque era terra de muitos touros bravios) se foi, com o correr dos tempos, passando a Atouguia. E a baleia surgiu porque, segundo reza a lenda, um enorme cetáceo com cerca de 15 metros, ali perto terá dado à costa. Na Igreja de S. Lourenço, que também tem história curiosa até pelo facto de este não ser santo de devoção habitual no nosso País, está uma costela petrificada que seria, diz a lenda, dessa baleia.

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Atouguia – Largo da Igreja Matriz

S. Leonardo era um nobre gaulês do Séc V que dedicou a sua vida a Cristo. Santo de devoção por aquelas paragens, era o padroeiro de navio que alguns séculos depois por ali passou. Forte tempestade os fez buscar abrigo na baía de S. Domingos. Vieram a terra e por aí ficaram até que a borrasca passasse. Só que, cada vez que o temporal acalmava e se tentavam lançar ao mar…logo a intempérie recrudescia e os obrigava a recolher ao abrigo. De tal forma foi, que por ali ficaram definitivamente….

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Igreja de S. Leonardo

E na Atouguia também nos cruzamos com a história trágica de Pedro e Inês (Séc XIV).

Consta que por aqui procuraram refúgio. D.Pedro no Paço da Serra da Atouguia que por tal se veio a chamar mais tarde Serra d’El Rei. O Paço ainda lá está, como testemunho. E D. Inês em Coimbrã (talvez pelo facto dos apaixonados virem de Coimbra), logo ali ao lado da Atouguia.

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Paço Real em Serra D’El Rei

Peniche é visita obrigatória. Imperdíveis são o Cabo Carvoeiro e a Papôa, onde o mar e o vento teceram curiosas esculturas.

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Peniche – Papôa
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Cabo Carvoeiro

Mais à frente, o típico e bonito Baleal. Depois, a caminho da Lagoa de Óbidos, as praias D’El Rei e do Cortiço.

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Lagoa de Óbidos e Foz do Arelho.j

Finalmente, Óbidos, a vila literária. Perdermo-nos nas suas ruas e nas ameias do castelo é vivermos um regresso à idade medieval.

9ª etapa – A globalização começou na EN2

Como é que um termo tão característico do Séc XXI estará relacionado com a Estrada Nacional 2?

Porque a verdadeira globalização, aquela que deu a conhecer “novos mundos ao mundo”, teve um marco fundamental na forma como se desenvolveu, por algo que ocorreu em 1479….na vila alentejana de Alcáçovas!

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Igreja Matriz de Alcáçovas

Aqui foi celebrado entre as coroas Portuguesas e Castelhana, no recém restaurado Paço dos Henriques, um tratado que nas suas disposições estabelecia as bases para a divisão do mundo entre os dois países. Essa divisão seria finalmente consagrada na versão definitiva em Tordesilhas. Mas sem Alcáçovas, este não teria existido.

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Paço dos Henriques

O Tratado de Alcáçovas foi também fundamental porque veio por termo a uma crise na sucessão da Coroa de Castela, permitindo o casamento entre Isabel de Castela e Fernando de Aragão, mais tarde conhecidos como Reis Católicos, e que iria resultar na união de estados que originou Espanha.

E Alcáçovas fica na Estrada Nacional 2! Ou seja, a globalização começou ali, na EN2.

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Marco simbólico dos 551km em Alcáçovas

 

10ª etapa – Pelos caminhos de Ibn Darraj al-Qastalli

O período da nossa história que antecede a Reconquista Cristã e a fundação de Portugal está um pouco escondido na penumbra dos tempos. Durante cerca de 8 séculos, os muçulmanos permaneceram na Península Ibérica. No território que agora é Portugal foram cerca de 400 anos…impossível não terem deixado uma forte herança, da qual a maioria das palavras do vocabulário começadas pelo prefixo “Al” não será a menor das evidências. Afinal…era o Al- Andaluz! Mas vai muito para lá disso.

Nesses tempos, o culto das letras era muito forte. E um dos principais poetas muçulmanos dessa época foi Ibn Darraj al-Qastalli. Nasceu no ano de 958 e chamaram-lhe Ibn Darraj. Por ter nascido em Cacela lhe deram o apelido de al-Qastalli.

Cacela Velha foi pois o destino! Situada à beira da Ria Formosa, perto de Tavira, a sua fundação perde-se na memória dos tempos. Seria certamente terra de passagem de comerciantes – gregos, fenícios – ou alvo de pilhagens de piratas que atacavam esta costa. Os romanos reconheceram-lhe importância mas foi com os muçulmanos que atingiu o seu apogeu, principalmente no Séc X e chamar-se-ia Hishn Kastala, Qastallat Dararsh, Cacetalate ou Cacila (donde virá o actual Cacela).

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Forte de Cacela

Foi conquistada pelos Cristãos em 1240 e teve foral outorgado por D. Dinis em 1283. Muito destruída pelo Terramoto de 1755, deixou de ser sede de concelho nessa época.

Ibn Darraj tinha tal prestígio que integrava a corte na qualidade de poeta oficial e escritor redactor do Estado Califal do poderoso Almançor pelos finais do Séc X. Percorreu os domínios árabes da Península Ibérica e veio a morrer em 1030, tendo deixado vasta obra que abrange 3 períodos fundamentais da história do Al-Andalus: o esplendor do Estado Califal, a guerra civil que se lhe seguiu e o período dos reinos taifas. Foi um dos grandes viajantes medievais do Gharb al-Andalus devido à posição que ocupava na Corte, relatando, através da sua escrita, as adversidades e dificuldades que enfrentara ao viajar. A sua memória está bem presente em Cacela.

Cacela Velha está edificada no cimo de uma pequena arriba fóssil, antiga de 1 milhão de anos, que domina este extremo da Ria Formosa e está separada da ondulação do mar pela ilha-barreira que nos dá uma praia maravilhosa.

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Ria Formosa e Forte de Cacela.
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Cacela Velha – Igreja Matriz (sec XVI)

Destaca-se a pequena fortaleza e as muralhas que albergam no seu interior meia-dúzia de casas, uma igreja, um poço e uma riquíssima história. Que mais do que batalhas passadas recorda sim um passado e presente intimamente ligado à poesia. Talvez a beleza da paisagem seja a inspiração….

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Homenagem a Ibn-Darraj

Muito mais recentes são as presenças de Sophia de Mello Breyner Andresen ou Eugénio de Andrade entre muitos outros.

Uma pequena localidade mas que serviu e serve de alfobre de inspiração para poetas que por sua vez, também a consagram. É possível observar em muitas das paredes, azulejos com poemas a ela dedicados e que evocam esta fonte de inspiração.

11ª etapa – EN 124 – A outra estrada do Algarve

Todos conhecemos ou já ouvimos falar da famigerada Nacional 125, no Algarve. Uma estrada nacional que é, na grande maioria do seu trajecto uma via urbana, perigosa nas suas armadilhas e lenta para quem pretende deslocar-se com maior celeridade.

Mas, no Algarve existe uma outra estrada. que a antecede na numeração do Plano Rodoviário: a EN124.

E foi esta que percorri. Formalmente começa em Portimão e termina a meia dúzia de quilómetros de Alcoutim no outro extremo do Algarve. Resolvi alargar um pouco o âmbito: iniciei a jornada na Praia da Rocha e terminei-a novamente junto ao mar, no local mais a sudeste de Portugal: na Ponta da Areia em Vila Real de Santo António.

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Praia da Rocha

Da Praia da Rocha rumei a norte até Silves. Daqui, a nossa EN124 vira para poente e começa a ser um pouco mais interessante. Vamos-nos progressivamente afastando do Algarve turístico e entramos no Algarve rural.

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Barranco do Velho – EN124 cruza a EN2

Até S. Bartolomeu de Messines a estrada, sob o ponto de vista de condução, não nos desafia. Mas a partir de Alte, entramos na Serra do Caldeirão e a partir daí, outro mundo surge aos nossos olhos.

À nossa frente uma estrada em bom estado, com pouco movimento, numa sucessão quase infinita de curvas e contra-curvas. São cerca de 90 km de puro deleite. Que não se esgotam no prazer motociclístico. Porque a paisagem do Barrocal Algarvio é deslumbrante. Quando paramos, o silêncio é quase absoluto. Digo quase, porque a natureza tem o seu fundo musical.

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Barrocal Algarvio

Antes de Alcoutim, em Pereiro, encontrei uma tradicional feira, com os seus vendedores de banha-da- cobra, as tendas de atoalhados ou de especialidades típicas, as barracas das bifanas… Era a feira de S. Rafael, o nosso padroeiro. Não podia ser melhor!

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Pereiro- Feira de S. Rafael

Alcoutim marca o final da EN124 (na verdade termina 8km antes). À nossa frente, o Guadiana e a espanhola San Lúcar de Guadiana.

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Alcoutim e Guadiana

Virei para sul em direcção ao final da jornada. Esperava-me a Marginal do Guadiana. Uma estrada municipal que vai de Alcoutim até um pouco abaixo de Odeleite. Sempre junto à margem direita do rio que aqui se começa a espraiar. Passo o Montinho das Laranjeiras, Guerreiros do Rio e Foz do Odeleite. e finalmente a EN122 por Castro Marim até Vila Real.

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Marginal do Guadiana

A Ponta da Areia é só um pouco mais adiante, depois de passado o farol mais oriental de Portugal. Dali em frente, só água: ou a foz do Guadiana e Ayamonte ou o Atlântico com sabor a Mediterrâneo.

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Ponta da Areia – Foz do Guadiana

(Continua…)

Estas foram as 11 primeiras etapas da minha viagem de 2 anos a Andar de Moto, publicadas no número de Fevereiro da “Andar de Moto”.

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2 anos a andar de moto – parte 1

 

Parte 2: in Andar de Moto #34 – Março de 2021

Recordo que (no mês passado) terminei a primeira parte desta viagem de 2 anos, no extremo sudoeste de Portugal. Dali…só por água: para Espanha cruzando a foz do Guadiana ou então, perder-me nas águas do Atlântico, quem sabe para onde…

De moto não tinha saída. Regressei….

12ª Etapa – Pelos caminhos do Alto Tejo

Lembram-se do Major Alvega das revistas de aventuras aos quadradinhos? E da posterior série televisiva? Os mais velhos certamente. Pois este percurso começa na vila de Alvega (que inspirou o nome português daquele herói imaginário), situada nas margens do Tejo alguns quilómetros acima de Abrantes. É aqui que o leito do rio se começa a alargar.

Pois a ideia é percorrer as margens para montante, quase até Espanha.

Pouco depois de Alvega, atravesso o Tejo pelo paredão da Barragem de Belver. Logo a seguir, passo pela praia fluvial de Ortiga. Não é a única nesta albufeira. Mais à frente a vila que lhe dá nome: Belver.

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Belver visto do Alamal

Com o seu castelo medieval imponente no monte fronteiro ao casario, com facilidade descortinamos a sua importância noutras era. Na outra margem, a praia fluvial do Alamal. Recanto magnífico, muito aprazível em alturas estivais (que por aqui quando faz calor, faz mesmo). Atravesso a ponte metálica a caminho de Gavião. Um pequeno percurso mas com umas curvas simpáticas. Até Nisa a estrada (EN118) não tem história…rectas e bom piso. Um bom aperitivo para o troço de 18km que une Nisa, a última do Alentejo, a Vila Velha de Ródão, a primeira da Beira Baixa. Puro deleite motociclístico.

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Ponte de Ródão
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Portas de Ródão e Linha da Beira Baixa

Última travessia do Tejo e oportunidade para olhar para o monumento natural das Portas de Ródão. magnífico! No topo da encosta, uma singela torre, mas com uma lenda antiquíssima que nos remete para o tempo dos Visigodos: é o Castelo do Rei Wamba.

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Castelo do Rei Vamba – Tejo rumo à foz

13ª Etapa – Borba, a filha alentejana de um deus menor

 O título deixa antever o desfavor que brinda esta terra alentejana: a sua mais pequena cidade. Borba.

Fui até lá pelo caminho mais longo: passei por Mora, Pavia, Vimieiro…detive-me a contemplar de longe o Castelo de Evoramonte (chovia e já lá tinha estado quando fui até Olivença – ver a história da 1ª etapa). Passei pelo Redondo e detive-me no Alandroal. Interessante vila, tipicamente alentejana e com um Castelo a merecer visita (e melhor conservação…mas já vi muito pior). Regressei a Juromenha. A Sentinela do Guadiana deixou-me maravilhado mais uma vez (rever a 1ª etapa desta viagem de 2 anos). Daqui fiz finalmente agulha para o meu destino.

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Fortaleza de Juromenha

Borba fica a 3 quilómetros da Princesa do Alentejo: Vila Viçosa. E essa é também a sua desdita. Porque parece que tudo de bom ficou na vila, hoje cidade, da Casa de Bragança e da Santa Padroeira de Portugal, Nª Sª da Conceição. Conta-se que Borba tem uma fonte…apenas porque já não cabia em Vila Viçosa….

Em Vila Viçosa, são imperdíveis o Paço Ducal – magnífico e a justificar a visita guiada: uma lição de História de Portugal! – o Castelo, a Igreja de Nª Sª da Conceição. E as ruas da bonita terra alentejana.

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Paço Ducal
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Castelo de Vila Viçosa

Borba perde em beleza para a sua vizinha. Casario típico da região e recorte urbanístico que deixa antever a sua ancestralidade: foi tomada aos Mouros em 1217. E se da vila pouco mais há a destacar, a não ser a excelência dos seus mármores (mas cujo contraste é evidente na terra esventrada e nos montes de escória resultantes da extracção da preciosa pedra), daqui levei a gratidão da forma como fui acolhido na Casa do Terreiro do Poço e dos amigos que aí fiz.

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Pormenor da muralha de Borba
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Borba

O regresso foi por Estremoz e Évora. Em ambas não me detive. terminei o périplo no Cromeleque dos Almendres, monumento pré-histórico que pede meças em antiguidade ao famoso Stonehenge inglês.

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Cromeleque dos Almendres

 

14ª Etapa – Para lá do virar da esquina, a lenda das duas chaves

Por duas vezes estive em Chaves. Em ambas para no dia seguinte me lançar estrada abaixo pela EN2. Pouco tempo para desfrutar da cidade mas suficiente ainda assim, no somatório das duas, para absorver a sua ancestralidade, os seus monumentos e o ser das suas gentes. 

Há um monumento em particular que é um dos meus favoritos em Portugal e que não me canso de contemplar: a Ponte de Trajano. Construida pelos Romanos no século I da nossa era, reparada e restaurada ao longo do tempo, aí está ela: formosa e segura! E ao serviço… dois mil anos depois. Obra magnífica.

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Ponte de Trajano

Percorridas as suas ruas, tive a oportunidade de ver a cidade na sua amplitude do bonito Miradouro situado num monte que a protege do lado nascente. Vista fantástica.

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Vista panorâmica do Miradouro

Denominada Acqua Flaviae pelos Romanos graças à excelência medicinal das suas águas – algo que os Romanos prezavam e cultivavam – foi nessa época que se passaram os factos (serão factos?…acreditemos nisso) que deram origem à Lenda das Duas Chaves e mais tarde deram nome à cidade: as chaves da Saúde e do Amor.

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Torre de Menagem.

 

15ª Etapa – A lenda das duas caras

 Visitar Guimarães é um desafio se a quisermos descrever sem cair nos clichés habituais do “berço da nacionalidade” ou das desavenças entre D. Afonso Henriques e sua mãe. Sem dúvida que foi a primeira capital de Portugal. Fundamental na fundação da Nacionalidade e preponderante na Reconquista Cristã.

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Castelo de Guimarães

Para evidenciar esse riquíssimo passado, lá estão o magnífico e imponente Castelo, a Igreja de S. Miguel onde o nosso primeiro rei foi baptizado, ou logo ao lado o majestoso Paço dos Duques de Bragança (construído no Séc. XV e único na Península sob o ponto de vista arquitectónico), Percorrer as ruas que descem do Castelo, com um casario típico e bem conservado é ter a certeza de estarmos a percorrer os caminhos da nossa História.

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Paço Duques de Bragança

Mas a história que me atraiu a Guimarães foi outra: a do Guimarães das Duas Caras!

No Largo da Oliveira, ponto fulcral do Centro Histórico de Guimarães, com uma secular oliveira que lhe dá o nome e um monumento gótico celebrando a vitória na Batalha do Salado. Atrás deste a Igreja de Nª Sª da Colegiada (ou da Oliveira). Do outro lado, o edifício medieval dos antigos Paços do Concelho onde, no cimo da sua fachada principal, figura a curiosa estátua de um personagem com uma característica única: tem duas caras. Uma, no local natural e uma outra no abdomén! É o Guimarães das Duas Caras.

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Largo da Oliveira – Monumento à Batalha do Salado

A história, ou lenda, remonta aos tempos de D. Sebastião e da Batalha de Alcácer Quibir. E dessa fatídica ocorrência veio a nascer a lenda de um natural desta terra, que curiosamente lhe levaria o nome (ou a alcunha), da sua fuga e regresso à terra natal numa aventura de múltiplas peripécias e que, presumo, tenha vindo a originar a famosa expressão “tem o Rei na barriga”.

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Estátua Guimarães Duas Caras

Curioso? A lenda está contada com todos os detalhes na edição de Julho de 2020.

E se não perdi a oportunidade de ver um espectacular pôr-do-sol na Penha, também trouxe a memória da pernoita na Casa do Ribeiro. Magnífico solar tipicamente minhoto, bem conservado graças aos seus proprietários que foram os meus anfitriões. O serão em amena conversa foi excelente e enriquecedor. A deixar saudades, sem dúvida.

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Pôr do Sol na Penha

 

16ª Etapa – Fui andar de carrossel

 Recordam-se daqueles carrosséis das feiras, que giram e giram, num sobe e desce como se tivessem uma ondulação? Com cavalos e motos, carros de bombeiros e carruagens? Normalmente têm uns caldeiros onde cabem algumas pessoas e rodam sobre o seu próprio eixo, para a direita e para esquerda, à medida que o carrossel evolui. Essa foi a inspiração para esta volta.

Diz-se habitualmente que o Alentejo é plano. E que as estradas são monotonamente a direito. É verdade. Na sua essência assim é. Mas não há regra que não tenha as suas excepções. Uma delas é certamente a zona que percorri e um conjunto de estradas que nos permitem fazer de seguida, cerca de 70km de curvas e contra-curvas, para a direita e para a esquerda, em sobe e desce permanente. Recordam-se do carrossel?

A viagem começou em Alcácer do Sal. A marginal desta cidade da margem direita do Sado é lugar aprazível para começar estas digressões. O cafézinho matinal numa esplanada com aquele enquadramento é excelente para marcar o início de qualquer jornada.

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Alcácer do Sal.

Daí, em direcção à Comporta, a primeira paragem no Cais Palafítico da Carrasqueira e a oportunidade para ver como o engenho humano resolve os seus problemas, tantas vezes da forma mais simples. E a paisagem…deslumbrante: o estuário do Rio Sado, estreitado entre Tróia e Setúbal com a Arrábida em pano de fundo. Imperdível.

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Cais Palafíticos da Carrasqueira

Segui até Melides para “apanhar” o Carrossel Alentejano: a estrada que dali me levou até Grândola (EN261-2) e daqui até Santiago do Cacém (EN120) atravessa e volta a atravessar a Serra de Grândola. Depois, na mesma EN120, a Serra do Cercal até à pequena povoação de Sonega, foi a continuação deste trajecto sinuoso e um verdadeiro deleite de condução. Verdade se diga que a novíssima Suzuki V-Strom 1050XT foi a companhia ideal.

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Estrada Nacional 120

Acabado o festim…rumei em direcção ao litoral. Era agora tempo de reviver algumas reminiscências deste pedaço de território onde vivi a minha infância: Porto Côvo, S.Torpes, Sines, Lagoas de Santo André e Melides.

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Porto Côvo
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Sines – Praia Vasco da Gama

Vivi até à adolescência em Grândola e estas foram as praias onde passei férias tantas vezes. Obviamente que o terreno desta volta não me era desconhecido. Pelo contrário…mas já não o percorria há muitos, muitos anos. Foi bom voltar. 

17ª Etapa – Uma viagem às arrecuas do tempo

Se na etapa passada regressei ao Alentejo da minha infância, nesta continuei por estas terras mas do outro lado, junto à fronteira e mais para norte. Por onde costumo andar mais frequentemente nas últimas décadas.

 Porquê uma viagem às arrecuas do tempo? Pelas simples razão que a minha primeira paragem foi em Castelo de Vide. E aí, naquela a que chamam Sintra do Alentejo (o que eu detesto estas fórmulas! Sintra é Sintra. Para mais inigualável. Castelo de Vide não precisa de comparativo. tem personalidade, beleza, ancestralidade própria. O mesmo raciocínio se aplica a muitos outros locais…minimizam-se porque acabam por ser entendidos como segunda escolha.Adiante!). Neste caso o responsável do epíteto foi D. Pedro V. Palavra de El-Rei!

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Vista panorâmica de Castelo de Vide

Aqui recordei Gonçalo Eanes de Abreu, distinto membro da Ala dos Namorados de D. Nuno àlvares Pereira, na Batalha de Aljubarrota. Falei do passado judaico de Castelo de Vide, que se projectou até à actualidade e de Garcia de Orta, filho de judeus e distinto médico do início do Séc. XVI. Outros filhos da terra mencionados foram Mouzinho da Silveira, político e jurisconsulto do Séc. XIX e Fernando Salgueiro Maia, militar do 25 de Abril.

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Largo de Gonçalo Eanes de Abreu
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Judiaria

De Castelo de Vide, rumei a Marvão. Pela famosa estrada (EN246-1) em que as “árvores estão de cuecas” no prosaico dizer das gentes daqui.

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A estrada onde as árvores estão de cuecas

Situada no cimo de imponente escarpa da Serra do Sapoio, a 900m de altitude, é impressionante guardiã destas terras. E certamente foi um baluarte na defesa destes territórios ao longo dos séculos mais remotos.

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Marvão…lá em cima

Ou seja, ao visitar Marvão, andamos para trás no tempo relativamente a Castelo de Vide.

Nos tempos do Romanos fez parte da estrutura defensiva da vizinha cidade de Ammaia e na época do domínio mouro atingiu maior relevo. Terá sido Ibne Maruane, líder militar e religioso sufista do Al Andalus, que deu nome à vila de Marvão (Marvão pela aliteração do seu nome Maruane), cujo castelo construiu entre 876 e 877. 

Na Reconquista, seria tomada e perdida aos Mouros. No início do Séc. XIII já portuguesa recebeu foral em 1226 outorgado por D. Sancho II. A pequena e bem conservada vila está integralmente situda no interior das muralhas.

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Marvão – Castelo e Jardim

E é das ameias desta que podemos vislumbrar o horizonte. É uma visão deslumbrante, qualquer que seja a época do ano. Dada a altura a que estamos, dizem que daí “podemos ver as águias de costas”. Não foi desta vez…mas confirmo!

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De Marvão vê-se a terra toda

Saí de Marvão e continuei a viagem às arrecuas. Ainda mais para trás no tempo.

 Fui até às ruínas da cidade romana de Ammaia. Ficam em S. Salvador da Aramenha, meia dúzia de quilómetros a sul de Marvão. Foi nesse tempo um importante núcleo, situado no trajecto entre Emérita Augusta (a espanhola Mérida na designação actual) e os mais importantes locais no território mais ocidental onde hoje se situa o nosso País. Fundada no Séc. I, teve o seu apogeu nos tempos seguintes, entrando em declínio por volta do Séc. V. Depois, foi sendo sucessivamente saqueada. Perdida no tempo e soterrada, só mais recentemente veio a ser alvo de escavações que a pouco e pouco no vão trazendo a memória do seu brilhantismo…há 2000 mil anos.

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Ammaia -Porta Sul

Comecei na actualidade e fui até ao Séc. XV em Castelo de Vide. Em Marvão se fala da herança moura e da Reconquista Cristã. Na Ammaia, recorda-se o nosso passado civilizacional com os Romanos. Andei às arrecuas do tempo. 

18ª Etapa – Do Cabo à Póvoa pelas Aldeias Avieiras

 Esta etapa é um regresso ao Rio Tejo. Em concreto a algo que é do mais típico que nas suas margens podemos encontrar: as aldeias avieiras.

 Nas primeiras décadas do Séc. XX, os pescadores de Vieira de Leiria, pela impossibilidade de se fazerem ao mar no Inverno, migravam para a lezíria do Tejo e prosseguiam a sua faina por aqui. Se no início, essas migrações eram sazonais, muitos foram por aqui ficando. Por outro lado, as habituais cheias do Tejo, obrigavam a que recorressem a cais palafíticos e as casas onde residiam ficassem também sobre estacaria. Daí a sua muito típica construção em várias aldeias que podemos encontrar de um e outro lado do Tejo. Desde as imediações de Lisboa até um pouco para lá de Santarém. E avieiras pela origem desses migrantes: vinham de Vieira.

 Começámos a jornada, no Cabo, defronte de Vila Franca de Xira, onde antigamente (antes de 1951) se fazia a travessia do rio em embarcações denominadas “gasolinos”. Prossegui e em Salvaterra de Magos, fiz breve visita à Falcoaria Real com a promessa de lá voltar com mais tempo.

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Cabo – Vila Franca do outro lado

Dali, passei no Bico da Goiva onde começa a Vala Real de Salvaterra e pela Praia Doce. Nome simpático o desta praia fluvial. Depois detive-me no Escaroupim. Talvez a mais conhecida das Aldeias Avieiras.

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Escaroupim

Prossegui o caminho e detive-me em Muge. Paragem obrigatória para reabastecimento nas bifanas do Silas. Aqui fica a Casa de Cadaval e pude ainda ver uma pequena ponte romana votada quase ao esquecimento. Porto de Sabugueiro foi a aldeia avieira seguinte.

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Porto de Sabugueiro

Regressei a Muge e passei para a margem direita pela centenária Ponte Rainha D. Amélia.

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Porto de Muge e Ponte Rainha D. Amélia

Seguiu-se Valada do Ribatejo, famosa pela sua resistência habitual às cheias do Tejo. Muito aprazível a zona ribeirinha com pequeno ancoradouro e um parque de merendas agradável com árvores frondosas propiciadoras de sombras convidativas em dias de maior canícula. Tranquilidade absoluta por aqui.

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Valada

De Valada visitei sucessivamente Palhota – onde viveu Alves Redol que bem descreveu a vida destas gentes e onde foi realizado em 1975 o documentário “Avieiros” – e Porto da Palha, situada na Quinta do Lezirão.

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Palhota – casa típica
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Palhota – Cais palafítico
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Porto da Palha – Canoa do Tejo

Mais à frente, a praia fluvial da Casa Branca. Ou melhor, o que dela resta, pois está votada ao abandono. Também ao abandono e em ruínas está, um pouco mais à frente, o Palácio das Obras Novas (nome irónico!).

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Palácio das Obras Novas

Atravessei a Vara Real da Azambuja e passada esta terra ribatejana, o destino final ficava no Bairro dos Pescadores junto à Póvoa de S. Iria. Apenas para recordar o antigo cais palafítico que recentes obras de “melhoramentos” eliminaram, perdendo-se essas memórias.

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Rio Tejo na Póvoa de Santa Iria – Memória de 2017

 

19ª Etapa – Romeiro, Romeiro, quem és tu?…Ninguém!

 Esta jornada é sobre uma estrada: a Estrada Nacional 10, que percorri. Porquê esta estrada em especial? Ela começa em Cacilhas e termina, do outro lado da capital, em Sacavém. Ou seja, faz um percurso circular pela Península de Setúbal, vai atravessar o Tejo em Vial Franca de Xira e depois regressa a Lisboa em percurso paralelo ao rio. Sempre achei curioso estar numa fila para entrar em Lisboa, na margem sul e ouvir dizer na rádio, que também havia fila a norte…na EN10, a mesma estrada e por onde eu tinha vindo.

 Visitei Cacilhas e o cais onde ainda me recordo de apanhar o barco para Lisboa (em miúdo, daí vi a construção da Ponte 25 de Abril). Foi aqui que encontrei a inspiração para o título: no Frei Luis de Sousa de Almeida Garrett, é aí que se situa o Palácio de D. João de Portugal, aonde este regressa depois de 20 anos de cativeiro resultante da derrota em Alcácer Quibir (isto passa-se em 1600). E aí é feita a célebre pergunta….

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Cacilhas

Depois segui com um pequeno desvio até à Ponta dos Corvos, defronte do Seixal. aí fica também a ruína da fábrica de secagem de bacalhau Atlântica. Reminiscências de uma indústria quase desaparecida. Como também tinha visto anteriormente ao passar no que resta da Lisnave.

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Fábrica Atlântica

Tempo ainda para breve visita ao Moinho de Marés de Corroios.

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Moinho de Marés de Corroios

Segui em direcção a Azeitão, com a Arrábida a ganhar dimensão no cenário. Em Setúbal, subi à Fortaleza de S. Filipe (Pousada) para usufruir da vista espectacular para a cidade de Bocage, o estuário do Sado e a Península de Tróia.

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Setúbal – panorâmica

Até à Marateca segui rumo a nascente e ainda passei pelo Moinho de Marés de Mouriscas. Aí inflecti para norte, sempre seguindo a EN10.

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EN10 – Marco

Visitei S. Isidro de Pegões, local de interessante obra de colonização interna promovida nos anos 50 do século passado.

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S. Isidro de Pegões

Novamente na EN10, passei sucessivamente Samora Correia, Porto Alto e entrei em Vila Franca pela Ponte Marechal Carmona. Subi ao Monte Gordo para apreciar a ampla vista da lezíria ribatejana, com a cidade aos pés.

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V. Franca de Xira

Depois de Vila Franca, à saída de Alhandra, um pequeno desvio: subi durante cerca de 1 km, e num frondoso parque com uma vista magnífica, imponente monumento aos Heróis das Linhas de Torres.

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Monumento Linhas de Torres

Pouco mais adiante, no Sobralinho, oportunidade para visitar o Palácio e Parque que leva o nome da terra.

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Palácio do Sobralinho

E Sacavém estava logo ali a seguir. O final da EN10. Uma estrada que acaba quase onde começou

20 – As estradas esquecidas da Beira Baixa

Vivi 2 anos em Castelo Branco. Todavia esta volta é por uma zona que não conhecia. E que pelo que apreciei, está quase votada ao esquecimento. Se as modernas auto estradas rasgam a paisagem, conseguem ter quase o mesmo efeito na coesão do território. Quem por lá passa em alta velocidade busca o destino e nem se apercebe da realidade que, neste caso, vai da A-23 até à fronteira com Espanha.

 Comecei em Vila Velha de Ródão depois do aquecimento no troço da EN18 que percorre a Serra de Nisa.

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EN18 Serra de Nisa – Casa de Cantoneiros

Como sempre, parei na ponte defronte das Portas de Ródão. Daí, até à primeira paragem, em Malpica do Tejo, passei por Perais, Alfrivida e pela Ponte de Lenticais (com um muito bonito parque de merendas ao seu lado).

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Ponte de Lentiscais

Em Malpica tentei aceder ao seu porto fluvial…mas a estrada estava cortada. Não percebi… Voltei para trás e tive um “encontro imediato”…

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Perto de Malpica do Tejo

A partir daqui, estava a percorrer o Parque Natural do Tejo Internacional (a margem esquerda do rio nesta zona, pertence a Espanha). Próxima paragem, Monforte da Beira e depois rumo ao Rosmaninhal. Se olharmos para o mapa percebemos o recanto do nosso País onde estava. Esta terra foi sede de concelho entre 1510 e 1836.

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Rosmaninhal – Igreja Matriz e Torre do Relógio

Era tempo de rumar a norte. O destino era Termas de Monfortinho. Até lá chegar passei por Zebreira. 

As Termas ficam mesmo junto a Espanha (separada aliás por um pequeno rio, quase à distância de um salto…mas não vale a pena. É só atravessar a ponte!). Conhecidas pelos Romanos, nunca chegaram a conhecer o esplendor de outros locais termais devido à dificuldade de acessos. Tempos houve, não muito para trás, que este era um destino remoto.

55-E20-Termas de Monfortinho.jpg_8.99_jpg Das Termas saí em direcção a duas terras que são bem conhecidas: Penha Garcia e Monsanto. Com características diferentes mas são parecidas por ficarem ambas no cimo de montes e rodeadas do agreste de formações rochosas graníticas com formatos que a erosão do tempo esculpiu. Não é por acaso que são presença frequentes em promoções turísticas pois a beleza agreste destas terras deixa-nos reduzidos à nossa pequena dimensão

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Penha Garcia – vista panorâmica
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Penha Garcia – Pelourinho
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Monsanto – Panorama com a Torre do Lucano ao fundo
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Monsanto – rua

Terminei o percurso na antiquíssima Idanha-a-Velha. Fundada no Séc I aC à época do Imperador Augusto. Segundo algumas teorias, terá sido aqui que, em 305, terá nascido o Papa Dâmaso I. Mais tarde, conheceu grande esplendor na época visigótica. Os Mouros arrasaram-na em 713. Foi definitivamente conquistada por D. Sancho I.

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Idanha a Velha – Fortaleza – Porta Norte

Terras esquecidas estas. A que a situação sanitária ainda mais agrava. Locais houve onde passei que não se via vivalma. E a que encontrei olhava-me como se questionasse “o que anda este aqui a fazer”. Se calhar, com razão….

21 – A demanda pela Esperança

O mote foi tentar encontrar (simbolicamente, claro) algo que no presente é fundamental para todos: Esperança.

 Serviu para completar uma zona ainda por desvendar nestas minhas viagens ao virar da esquina. Portalegre e, naturalmente visitar uma pequena povoação que tem esse nome tão grande: Esperança.

 A cidade do norte alentejano, que se espalha a meia encosta da Serra de S. Mamede, tem um belíssimo enquadramento paisagístico. E percorrer as ruas do seu centro histórico é um bom exercício físico. Ora se sobe, ora se desce, em ruas de empedrado por vezes irregular. As 4 torres que restam do Castelo marcam a linha do horizonte bem como a imponente Sé em estilo maneirista. Muito bonita.

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Panorama de Portalegre

Quando entramos em Portalegre, todos os caminhos vão dar ao Rossio. É aqui o coração da cidade. E também onde fica o imponente e secular plátano (considerado a mais bela árvore de Portugal em 2020) que marca o inicio do agradável Jardim do Tarro. O Museu das Tapeçarias é um marco a merecer entrada noutra época em que possamos visitar estes espaços.

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Rossio e Plátano
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Castelo de Portalegre
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Sé de Portalegre

Depois do périplo por Portalegre, era tempo de prosseguir na minha demanda. A rumo foi em direcção a Arronches. Pequena vila sede de concelho e que faz fronteira com Espanha, tem o ponto central no largo onde se situam os Paços do Concelho, a Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia, cada uma com a sua torre que marcam de forma distinta o recorte urbano de Arronches. E Esperança estava perto…

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Arronches – panorama e Rio Caia
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3 torres – Igrejas Matriz e da Misericórdia e Câmara Municipal

Efectivamente, a pequena aldeia sede de freguesia, fica a meia dúzia de quilómetros em direcção ao país vizinho. Pouco tem a registar para lá do seu nome e do facto de quase parecer deserta.

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Esperança!
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Entrada de Esperança

A demanda estava concluída. Mas sabia que ali perto ficava uma ponte muito curiosa. Tão curiosa que é considerada a mais pequena ponte internacional do mundo. Une duas povoações de nome igual em diferentes línguas: Marco do lado de cá do Arroyo Abrilongo (o pequeno ribeiro que as separa e faz fronteira) e El Marco do lado de lá.

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O caminho que leva à fronteira
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A mais pequena ponte internacional do mundo

Antes de regressar, voltei a Esperança e fiz um pequeno desvio para visitar as pinturas rupestres da Lapa dos Gaivões. Foi a forma perfeita para terminar esta jornada…em demanda da Esperança.

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Lapa dos Gaivões

E foi com pinturas rupestres terminei esta fase de 2 anos da minha viagem a Andar de Moto. Espero que tenham gostado e que estas voltas e reviravoltas ao virar da esquina possam servir para vos inspirar a melhor conhecer os recantos deste nosso País. Afinal, as aventuras são onde nós quisermos que sejam. Assim possamos rapidamente ultrapassar os constrangimentos que nos prendem e possamos dar asas à liberdade.

Para terminar, porque a segunda metade destes dois anos foi passada num enquadramento pouco propício, devo salientar que todas as viagens realizadas durante este período foram feitas em estrita obediência às regras sanitárias e de mobilidade vigentes ao momento.

Estas foram as 10 restantes etapas da minha viagem de 2 anos a Andar de Moto, publicadas no número de Março da “Andar de Moto”.

2 anos a andar de moto-2

 O meu desejo é que possamos continuar estas Viagens ao Virar da Esquina convosco.

 Entretanto, podem ler as histórias completas que estão à vossa disposição no site da Andar de Moto. Se quiserem começar pela primeira é só seguir o link (as restantes estão lá também):

https://www.andardemoto.pt/opinioes/41741-olivenca-e-nossa-dizem/

 

Obrigado por nos acompanharem.

Boas curvas…com muita saúde!

E acompanhe Viagens ao Virar da Esquina em:

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