SuperSoco CPX – O (belo) som do silêncio

Ecológica, silenciosa e elegante. Serão estas as características mais relevantes desta scooter eléctrica?

A resposta à questão e a análise está a seguir….

 Os veículos eléctricos têm (ou tinham até há pouco tempo) 3 características evidentes: a ausência de gases de escape, o silêncio da sua marcha e…eram feios!

Esta última característica está a desvanecer-se rapidamente e a moto de que vos vou falar é um bom exemplo. Acho-a bonita, com tudo o que isso possa ter de subjectivo.

Por outro lado, se é facto indesmentível que os motores eléctricos não libertam gases para a atmosfera também é igualmente incontestável que a produção da electricidade que os alimenta (neste caso concreto a partir de uma tomada doméstica) provém em percentagem significativa da queima de combustíveis fósseis (mais de 50% em 2019, em Portugal!).

Finalmente…o silêncio. 

Sou franco, gosto de ouvir as sinfonias tocadas pelos escapes (de série e como tal homologados e cumpridores das regras legais na matéria) de algumas das motos de que vos tenho falado por aqui. Quanto a escapes aftermarket, principalmente quando o objectivo é “aumentar a segurança porque nos tornam mais audíveis” (leia-se “gazadas” no meio do trânsito) não gosto. Até porque a questão da segurança é discutível…e a Física explica o fenómeno (Efeito Doppler). Uma certeza eu tenho: o grau de simpatia dos outros utentes da via pública diminui na mesma proporção que o nosso ruído aumenta…

Ainda assim, e sem contradizer o que acabei de referir, o facto dos veículos eléctricos serem silenciosos pode, isso sim, ser factor de algum risco porque os demais – geralmente peões – nem se apercebem da proximidade. E se estiverem “enfronhados” no telefone esperto então nem se fala…

A moto que vos trago agora é a Super Soco CPX. E é lindamente silenciosa! É verdade! Conduzir uma moto sem ouvir o “ronco” do motor é estranho ao início. Eu habituei-me com muita rapidez e gostei.

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Mas o nome da moto deixa-nos de pé atrás! “Super Soco” remete-nos para uma realidade algo violenta…a recordar vagamente personagens “carinhosos” como Van Damme, Jason Statham, Steven Seagal ou o inesquecível Chuck Norris. Malta com super socos…

Nada disso!!! A Super Soco é uma marca de motos eléctricas e a alusão tem apenas a ver com diferentes significados que uma mesma palavra pode ter  noutras línguas que não a nossa.

A detentora da marca, a VmotoSoco Limited é uma empresa  fundada em 2015 e cotada na bolsa de valores australiana, produz os seus veículos em Nanjing na China e estabeleceu operações na Europa, tendo sede em Amsterdão onde instalou o seu centro de negócios, vendas e marketing, um centro de design e desenvolvimento em Itália e um centro logístico na Alemanha. Produz anualmente cerca de 300 mil veículos nas suas diversas marcas.

Ganhou diversos prémios internacionais, como por exemplo “iF Design Award” na Alemanha, Medalha de Ouro no “China’s Good Design”, “G-MARK Good Design Award” no Japão. Tem cerca de 500 patentes registadas e mais de 2.000 pontos de venda em 73 países.

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Loja Super Soco em Milão, Itália

Uma marca global, dir-se-á… E muito ambiciosa como se pode concluir do que referem no seu site: “A Visão da Vmoto Soco é alcançar a liderança Mundial na produção de veículos eléctricos

A Super Soco é a sua marca destinada aos consumidores de todo o mundo e a E-Max a marca que produz veículos, também eléctricos, destinados a empresas de serviços de entregas.

Em Portugal e desde Março deste ano, passou a ser representada pela Moteo,SA (Suzuki, Brixton, SYM, Peugeot Motorcycles) e já está a ter uma presença muito mais activa no nosso mercado.

Aliás, foi notícia recentemente que de acordo com os dados divulgados pela ACAP, a Super Soco foi a marca eléctrica mais vendida em Portugal durante o mês de Julho, sendo a Super Soco CPX igualmente o modelo mais vendido no mesmo período.

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Feita a primeira apresentação, devo referir a enorme curiosidade que tinha em experimentar esta moto porque configura aquilo que julgo ser uma das soluções de mobilidade para o presente e futuro imediato.

Destinada ao ambiente citadino e à “vida de todos os dias” foi muito interessante tê-la comigo durante alguns dias e assim poder replicar a tal utilização quotidiana. E também avaliar a forma como são geríveis os seus ciclos de carregamento e a conveniência de o poder fazer no domicílio.

Como explicarei lá mais para a frente, a utilização da expressão “uma das soluções” foi deliberada.

Mas primeiro vamos à moto!

Super Soco … CPX!

1 – Apresentação da moto

Voltamos aos nomes. Não sei se repararam no nome do modelo: CPX. Não faz lembrar nada?

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Pois é! Esta Super Soco é ambiciosa. O seu posicionamento no mercado não é nem mais, nem menos do que enfrentar a principal rival dos motores a combustão (por ser líder de mercado e pelas suas características): a Honda PCX.

E por feliz coincidência, nos dias anteriores ao desta experiência fiz alguns quilómetros precisamente com uma PCX. Sem fazer um comparativo, de qualquer modo vou utilizar a bitola, porque um dos aspectos fulcrais quando avaliamos um veículo eléctrico é a comparação com os seus homólogos que funcionam a ouro líquido (nomeadamente no que se refere ao aspecto dos custos de aquisição, manutenção e utilização).

A CPX é, esteticamente, muito engraçada. Elegante no desenho, ligeira no aspecto, com um “olhar” felino que atrai e um jogo cromático – preta com toques de vermelho – que fica sempre bem. Mas existe outra opção: cinza com efeitos em amarelo.

20210726_121121.jpgÉ notória a influência do traço ao gosto europeu (referi atrás a localização do centro de design…Itália. Pois é!). A qualidade dos acabamentos é francamente boa.

Em termos equivalentes, a CPX é uma scooter urbana que compete directamente com as 125 cc que por aí andam. Por essa razão, quer em dimensões quer em performances está em linha com as diferentes propostas que existem no mercado.

O guiador é largo e as mãos “caem” bem nele. O vidro é alto o que assegura boa protecção ao nível da cabeça mas não tanto nos ombros, principalmente se formos altos. e neste caso, devido à inclinação do vidro, o seu topo fica muito próximo do capacete o que, ao entrar ou sair da moto, nos leva a lá bater por vezes.

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Os espelhos retrovisores têm formato hexagonal (muito em voga actualmente) com boa visibilidade.

IONX0019_Moment.jpgO mostrador é totalmente digital e reúne toda a informação que necessitamos, com boa visibilidade e sem reflexos. Tem muito boa leitura. As informações disponíveis são: Velocidade, gráfico da potência utilizada, temperatura ambiente, relógio, indicador do modo de potência, temperatura de utilização, indicadores de carga das baterias (sob a forma de gráfico de barras e em percentagem), odómetro e indicador de autonomia (que também pode dar a indicação dos parciais de quilometragem).

20210724_163219.jpgUma nota importante sobre os indicadores de carga das baterias. Estas funcionam em série, ou seja, primeiro descarrega uma e, só depois, a outra entra em acção (no momento da passagem, há um ligeiro descontinuar momentâneo de fornecimento de energia).

Tal é visualizável correctamente nos indicadores de barras. O indicador percentual refere-se exclusivamente à carga da 2ª bateria (ou seja, se indicar 50% o que na verdade nos resta é 25% da capacidade total, isto é, 35 km de autonomia no modo Sport). Com o hábito de utilização não é pormenor significativo mas importa estar atento. De qualquer forma, o indicador de autonomia em quilómetros funciona e é rigoroso.

Ecran.jpgNo punho esquerdo temos os habituais comandos de luzes. O dos piscas todavia é de deslocamento lateral com 3 posições: esquerda, central e direita.

VIRB0046_Moment(2).jpgNo punho direito, as coisas são diversas. Por cima temos o comando que regula a entrega de potência. Em formato de cursor tem as 3 posições disponíveis: 1- Eco, 2 – Normal e 3 – Sport. Por baixo, um interruptor sequencial (podemos visualizar a opção escolhida no mostrador), com 3 opções: F – em que a moto anda para a frente a muito baixa velocidade, R – que acciona a marcha-atrás efinalmente,  o modo de condução normal (1, 2 ou 3) com a indicação do nível de potência escolhido. Como é óbvio as duas primeiras posições servem para ajudar nas pequenas manobras do dia-a-dia.

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Os assentos destacam-se: são individuais, amplos, bastante confortáveis e com excelente aspecto. O do condutor levanta para podermos aceder às baterias. O facto de ter uma plataforma atrás do banco do pendura onde se pode colocar uma top-case (ou prendermos algum volume a transportar) dá ainda mais flexibilidade na utilização.

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A iluminação é totalmente em LED e com design muito atractivo.

Possui descansos lateral e central.

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O quadro é em liga de alumínio e aço. O motor está acoplado ao cubo da roda traseira com um monobraço no qual está ancorado o amortecedor traseiro (em posição lateral). 

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Dessa forma, o lado direito da roda traseira está completamente exposto. Para lá do efeito estético é também muito prático para qualquer intervenção que seja necessário efectuar nesta roda.

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A roda 16” na frente (14” atrás) dá-lhe a capacidade de enfrentar algumas das armadilhas das “trialeiras urbanas” das nossas cidades com bastante desembaraço. Os pneus são tubeless e ambos 100/80, variando o diâmetro.

Os travões com CBS (não tem ABS mas actua sobre os dois travões em simultâneo) e dois discos – 240 mm à frente e 180 mm atrás – são suficientes e muito competentes.

A suspensão tem à frente uma forquilha hidráulica convencional e atrás um mono amortecedor lateral. Comporta-se de forma competente com o senão do amortecedor traseiro esgotar rapidamente com impacto nas costas se cairmos nos muitos buracos e desníveis citadinos (o meu peso também não será alheio a esse efeito…).

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O assento está a 760 mm e o comprimento da moto ultrapassa ligeiramente os 2 metros. O peso é de 143 kg com uma bateria ou de 163 kg com duas.

O espaço a bordo não é folgado (pelo menos para os meus 1,82m) mas o conforto do assento e a correcta colocação do guiador facilitam ao conforto. interessantes os dois pequenos apoios ligeiramente recuados em relação à posição normal dos pés e que nos permitem adoptar uma posição com a perna um pouco mais flectida. Dá para ir variando de posição e isso diminui a sensação de cansaço.

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A moto está dotada de um sistema keyless através de comando remoto (também tem chave que servirá essencialmente para abrir o espaço por baixo do banco), que não só serve para a activar, como ao desligar a bloqueia e acciona o sistema anti-roubo com alarme.

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2- Falemos agora do coração da máquina

Tem um motor eléctrico Supersoco Vmoto com potência nominal de 4 kW. A potência máxima é de 4,8 kW (6,4 cv) que é impulsionado por duas baterias (neste caso, porque a moto pode ser adquirida só com uma) de lítio de 60V/45Ah. O binário é de 171 Nm! Mas domesticado para arranques calmos.

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A moto vem equipada com um carregador Fast Charger de 70,5V/15Ah. Liga directamente na tomada doméstica e demora cerca de 3,5h a carregar cada uma das baterias. 7 horas no total, portanto.

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Existem duas formas de efectuar o carregamento: ou com as baterias no seu lugar e a utilização de uma tomada que fica na moto localizada abaixo do assento ou, em alternativa, as baterias podem ser retiradas e carregadas em qualquer local onde exista uma tomada (uma de cada vez).

20210724_143450.jpgAqui poderá pensar-se: “é interessante a possibilidade de retirar a bateria e levá-la para casa ou para o escritório e recarregá-la”. Pois é….na realidade é possível. Mas cada bateria pesa 20 kg… (comprovei!).

O condutor poderá ainda verificar o estado da carga das baterias nos indicadores que cada uma tem, bastando para tar pressionar o botão à esquerda das luzes:

Dois aspectos importantes relativos às baterias: têm uma esperança de vida útil de 1.500 ciclos de carregamento (no mínimo equivalerá a cerca de 100.000 km por bateria) e garantia de 2 anos, tal como a moto.

O condutor controla digitalmente 3 modos de disponibilização da potência: 1 – ECO, 2 – Normal e 3 – Sport.

O modo ECO limita a velocidade a cerca de 45 km/h e maximiza a autonomia – 140 km com 1 bateria e 280 km com 2. No modo Normal, a velocidade máxima será cerca de 65 km/h e a autonomia baixa para 90 / 180 km respectivamente. Já no modo Sport, a potência é toda libertada, a velocidade máxima ultrapassa os 90 km/h mas a autonomia fica reduzida a 70 / 140 km, consoante o número de baterias. Veja-se a seguinte tabela com os valores alcançados nesta experiência:

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 3. Experiência de condução

 Contrariamente à percepção geral sobre veículos eléctricos, a Super Soco, de forma deliberada, limita a disponibilização de potência no arranque. Ou seja, é progressiva e user friendly em vez de termos logo um “disparo”.

Não é por isso uma moto rápida mas depois, a progressão é sempre constante. E esta progressão mostra uma característica importante: os 3 modos servem apenas para limitar a velocidade. Ou seja, se escolhermos o modo Sport, por exemplo, mas não ultrapassarmos deliberadamente os 45 km/h, o efeito obtido é o mesmo que se optarmos pelo modo Eco. Por outro lado, se andarmos apenas no modo ECO pode suceder que se necessitarmos de fazer uma ultrapassagem mais rápida depois nos faltar velocidade para a concluir.

VIRB0046_Moment(3).jpgEm condições normais de utilização em ambiente citadino – recordo que os limites de velocidade são, genericamente, de 50 km/h nas ruas e avenidas e 80 km/h em vias rápidas – pode ser conveniente andar num modo menos económico para acompanhar a fluidez do trânsito e tornar a condução mais segura.

VIRB0049_Moment(2).jpgJá em estrada, naturalmente a maior parte do trajecto será em modo Sport.

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Um conselho: o controlo da autonomia é fundamental quando conduzimos veículos eléctricos. Não é possível “atestar” em qualquer esquina… Por isso, manda a prudência que o valor a reter sempre seja o que a moto dá no modo 3-Sport. Até porque esse será sempre o pior cenário!

20210724_121407_Moment.jpgMas com o hábito, este tipo de cuidados passa a ser natural. E é conveniente referir que a indicação de autonomia me pareceu sempre bastante fiável.

Apesar de o custo ser um pormenor fundamental, julgo que a opção de compra seria sempre da versão com 2 baterias. Até porque com uma autonomia de 70 km, só com uma bateria…o número de ciclos de carregamento tornar-se-à muito frequente e, principalmente, obriga a especiais cuidados para não haver descuidos.

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Nos dias em que tive a Super Soco CPX comigo, utilizei-a tanto em trânsito citadino como numa voltinha de fim de semana por estradas nacionais.

Na cidade porta-se lindamente. Acompanha bem o trânsito, tem boa maneabilidade e a sua resposta é eficaz. Sentimo-nos perfeitamente confortáveis no ritmo normal de circulação do trânsito, sem quaisquer constrangimentos.

VIRB0049_Moment.jpgEm estrada, não sendo essa a sua principal vocação, tem um comportamento muito correcto. É evidente que em subidas mais acentuadas poderá denotar alguma falta de força mas…provavelmente outros utentes da estrada sentirão o mesmo. Em curva tem um comportamento são que denota a boa qualidade das suspensões e o bom equilíbrio do conjunto motor-ciclística.

VIRB0047_Moment(4).jpgNum percurso sinuoso, a velocidades na ordem dos 80 a 90 km/h, pode até tornar-se divertida. A tal não será estranho a sua ligeireza e o facto do centro de gravidade se situar relativamente baixo e no centro da moto, graças à colocação das 2 baterias que só à sua conta pesam 40 kg (25% do peso total do conjunto).

VIRB0047_Moment.jpgSob o ponto de vista de conveniência, é bom dizer que a solução de 2 baterias (a que recomendo) retira completamente qualquer possibilidade de utilizar o espaço por baixo do banco para transportarmos algum objecto, muito menos para lá guardarmos um capacete como é habitual neste tipo de motos (com motores de combustão).

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Há sempre a possibilidade de utilizarmos um saco ou mochila e pendurá-lo entre as nossas pernas, num gancho que existe na carenagem. Também nesta existe um pequeno espaço (mas suficientemente profundo) para levarmos pequenos objectos ou ligarmos o telemóvel na tomada USB logo por cima.

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Ainda a este respeito, de referir que a Super Soco tem em curso uma campanha de lançamento em que oferece uma Top-case de 33 litros (cujo valor é de cerca de 80€). Até 31 de Agosto…

4 – Custos de “exploração”

Quando analisamos a mobilidade eléctrica, um dos primeiros aspectos que releva é o do custo dos veículos. Que geralmente são mais caros que os correspondentes que funcionam a líquidos adquiridos a preço de ouro.

A Super Soco CPX custa, na versão com 2 baterias, 5.699 € (aos quais acrescem os habituais custos administrativos de cerca de 360 €). Ou seja, arredondando, 6 mil euros (a versão só com uma bateria fica por 4.599 + despesas). O que nos permite concluir que o preço de uma bateria rondará os 1.100 € (preços recolhidos no final do mês de Julho junto do concessionário).

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Ora a concorrente a motor a combustão visada pela CPX (a já atrás referida Honda PCX) custará pouco mais do que metade do seu valor! Como existem até modelos mais baratos no mercado, direi que é possível adquirir uma Super Soco CPX pelo valor de 2 scooters 125. Apesar do sucesso de vendas que referi no início…pode ser uma tarefa árdua convencer os consumidores a não ser que os restantes custos sejam substancialmente inferiores. É o que vamos tentar perceber:

1. SCOOTER “CONVENCIONAL” – Se o utilizador comum de uma scooter com motor de combustão efectuar 10.000 km em média por ano, para lá do consumo de combustível terá ainda que adicionar duas revisões à sua máquina. Admitamos 60€ por cada uma, ou seja 120€.

Com uma média aos 100km de 2,2 litros e um preço de referência de 1,70€/litro de combustível significa que ao final do ano teremos um gasto aproximado de 380 €.

O utilizador de uma scooter gastará cerca de 500 € por ano para perfazer 10.000km.

Em 10 anos (já veremos o porquê deste prazo) terá gasto 5.000 € mais os 3.000€ de custo de aquisição. 8.000€ portanto. Nesta altura, o valor residual da sua moto será muito próximo de nulo.

20210726_121225_Moment(2).jpg2. SUPER SOCO CPX – O comprador de uma CPX desembolsa 5.000€ na aquisição da versão com uma bateria que terá uma vida útil de 100.000 km (os tais 10.000 km por ano atrás utilizados no cálculo). Por ano, para efectuar os mesmos 10.000 km que o da scooter a combustão, terá que efectuar (no pior cenário que será o de utilizar sempre o nível de potência máximo ou a autonomia mínima, isto é 70 km) 143 ciclos de carregamento da bateria que armazena 2,7 kWh.

Segundo o site Electromaps num estudo recente, o valor de carregamento de uma bateria automóvel de 60 kWh é, em Portugal, de cerca de 13,25 € (também aqui não somos dos mais baratos da Europa…), logo, em proporção, o ciclo de carregamento da CPX custaria 0,60 € (convém salientar que o custo de carregamento de baterias automóveis nos postos públicos tem um custo de kWh mais barato que o dos consumidores domésticos..).

20210726_121225_Moment(4).jpgO custo energético para os 10.000 km seria de 86 €. Ou 860 € no final do período de 10 anos e 100.000 km que seria a vida útil da bateria da CPX e nessa altura poderíamos também assumir que o valor residual da moto seria negligenciável.

Admita-se que as revisões da Super Soco teriam metade do valor e a mesma periodicidade das da scooter a combustão. Duas por ano e 60 € no total. Ou mais 600 € no final do 10 anos. Resulta num total de 6.460€.

20210726_121225_Moment(3).jpg3. OUTRAS CONSIDERAÇÕES – Há custos que não são aqui considerados porque vamos assumir que são equivalentes: pneus, pastilhas de travão e outros elementos de desgaste. Os motores eléctricos têm menos manutenção porque têm menor número de partes móveis e tenho dúvidas que a sofisticação e fiabilidade dos módulos electrónicos de gestão da energia eléctrica seja muito diferente relativamente aos que são incluídos nas motos de motor a combustão da actualidade devido à necessidade de adequação às normas ambientais.

A este respeito, vi recentemente um estudo internacional relativo ao sector automóvel (em Autoportal.pt) no qual os custos de manutenção dos veículos eléctricos tinham um valor de cerca de 1,6 vezes superior aos automóveis com motor de combustão interna. Tal devia-se ao facto de serem tecnologia nova e as intervenções serem mais demoradas porque os problemas surgidos também seriam novos… Não levei em consideração esta informação mas tinha que a referir.

4 -RESUMINDO

– o valor estimado para uma scooter com motor de combustão interno seria, no final dos 10 anos e 100.000km de 8.000€.

– o valor estimado para a Super Soco CPX (com uma bateria) seria, no mesmo prazo e distância, de 6.460€.

Uma poupança de cerca de 20%.

Por outro lado, o tipo de utilização poderá fazer deslocar a vantagem para um ou outro lado. Ou seja, os motores de combustão interna são menos eficientes (maior consumo por quilómetro percorrido) em ambiente urbano do que em estrada aberta. Já os motores eléctricos têm o comportamento inverso. Ou seja, se a utilização for exclusivamente urbana, o ponto de equilíbrio vai surgir antes e o benefício do veículo eléctrico surgirá bastante mais cedo tornando-o mais racional.

SuperSoco -CUSTOS.jpgEstes cálculos valem o que valem. Num prazo de 10 anos não podemos fixar os valores de custo, seja da gasolina seja da energia eléctrica. Numa lógica meramente de oferta/procura, seria normal que avançando a mobilidade eléctrica os consumos de combustíveis fósseis se reduzissem, logo menor procura e redução de preço (mas como este é quase totalmente administrativo devido aos impostos…).

Já a energia eléctrica tenderá a aumentar o seu preço. Pelo efeito de maior procura mas também porque o incremento de capacidade produtiva terá que ser subsidiado pelos consumidores… e isto se entretanto o Estado não achar que será conveniente acrescentar mais umas taxinhas ao custo da energia!

Finalmente, dois aspectos que não são despiciendos:

1. a vontade do comprador e o seu posicionamento face às políticas de mobilidade no presente e no futuro;

2. a maior ou menor confiança do comprador relativamente à fiabilidade dos veículos em comparação e à sua expectativa de duração dos mesmos. Ou da sua posse. E a capacidade para um maior investimento inicial que depois se dilui na utilização subsequente.

Em conclusão

Relativamente ao caso concreto da SuperSoco CPX considero tratar-se de uma solução muito válida para deslocações em meio urbano.

VIRB0047_Moment(7).jpgComo julgo ter demonstrado, não será propriamente o aspecto financeiro a ser decisivo porque a um menor “custo de exploração” corresponde um bastante superior “custo de aquisição”. Caberá assim, a cada um, definir quais as suas opções preferenciais.

A utilização desta CPX serviu-me também para consolidar a ideia que o domínio preferencial da mobilidade eléctrica será o meio urbano uma vez que o consumo da energia armazenada nas baterias cresce exponencialmente à medida que a velocidade aumenta.

As autonomias medidas em quilómetros são bastante superiores nas deslocações urbanas se comparadas com a rapidez com que vemos essa mesma autonomia desaparecer se conduzirmos em estrada aberta.

Por isso (e outras razões cujo espaço de debate não será este) julgo que a mobilidade eléctrica é uma das soluções do presente e do futuro da nossa mobilidade. Mas não será a única nem a definitiva.

Resumo tudo no seguinte: se (ou quando) os custos de aquisição se reduzirem, aproximando estes veículos dos dos motores de combustão equivalentes, a solução eléctrica será a ideal para o meio urbano e até sub-urbano.

E, sem dogmas ambientalistas, esta será a melhor solução para o ecosistema onde vivemos. Porque é precisamente no meio urbano que o factor poluição é crucial. Não é no meio rural… não se esqueçam que as árvores precisam do carbono para produzirem oxigénio. Chama-se fotosíntese…

Quanto ao acréscimo de produção de electricidade necessário para os alimentar, isso “são outros 500!”

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Uma coisa é certa: com a CPX, visitas a estes locais só para nos encontrarmos com os nossos amigos….

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Super Soco CPX – O filme

A recolha de imagens feita durante esta experiência com a Super Soco CPX deu origem, como já vem sendo habitual, ao vídeo que  poderá ser visto no Canal de YouTube de Viagens ao Virar da Esquina:

“Super Soco CPX – o som do silêncio”

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AGRADECIMENTOS

Sobre a Super Soco CPX ficou tudo dito. Assim importa aqui deixar os devidos agradecimentos:

– À MOTEO, SA, representante nacional da Super Soco entre outras marcas e a quem fico grato pela constante disponibilidade, colaboração e amizade.

– À WATT – Electric Moving, concessionário da marca, localizado no Parque das Nações em Lisboa, que nos brindou com uma enorme simpatia e disponibilidade.

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– Aos amigos sempre presentes que me ajudam com os seus comentários e na captação de imagens.

A todos um enorme bem haja!

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