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ESTRADAS DE MONTANHA… AO VIRAR DA ESQUINA – parte 1

Que tal um percurso de montanha em Portugal, capaz de rivalizar com alguns célebres destinos pirenaicos ou alpinos?
Será possível?
É! Viagens ao Virar da Esquina explica onde. Venham daí!

 No mundo das duas rodas foi a bicicleta que surgiu primeiro. De tal forma que as primeiras motos mais não eram do que a tentativa de substituir os pedais por um qualquer mecanismo que evitasse o esforço humano.

Assim foi, e o aperfeiçoamento da tecnologia ao longo de décadas fez com que ambos os veículos seguissem caminhos separados. Depois de muitos anos sem alterações apreciáveis, as bicicletas sofreram nos últimos tempos mudanças radicais, quer nos materiais utilizados quer nas suas próprias formas. Já as motos, tiveram uma melhoria mais constante ao longo do tempo, seja em busca de maiores performances, de segurança acrescida ou de melhor eficiência energética.

É assim curioso que nalgum ponto os seus caminhos se comecem agora a cruzar, havendo uma fronteira ténue entre as e-bikes e as mais simples motos eléctricas. Mas essa é toda uma outra conversa….

Este arrazoado vem apenas a propósito de que, pessoalmente e para lá das motos, tenho uma grande paixão pelo ciclismo (praticando de quando em vez). Não perco as transmissões televisivas das grandes provas, em especial, as espectaculares etapas de montanha: admiro o esforço físico dos atletas, as estratégias das equipas e, sobretudo, as fabulosas paisagens. E, de forma interesseira…aproveito as mesmas para servirem de referência para umas viagens de moto por essas paragens…quem sabe um destes dias.

Uma das etapas mais célebres é a que, no seu trajecto, faz a subida do Col du Tourmalet nos Pirenéus franceses. O cimo fica a 2.115 m e culmina uma subida de 18,5 km com uma pendente de quase 8%. Geralmente nessa etapa surgem também outros “cols” célebres – du Portet ou d’Aspin – bem como estâncias de Inverno como Luz-Ardiden ou Cauterets. A distância percorrida ronda geralmente os 180 km e ultrapassa com facilidade os 5.000 m de pendente acumulada. Um esforço titânico para os ciclistas!

É evidente que em maciços montanhosos como os Pirenéus ou os Alpes não é difícil desenhar percursos semelhantes. São montanhas de apreciável dimensão e que atingem altitudes que não conhecemos em Portugal.

Mas e se no nosso País fosse possível desenhar um “etapa” dessas, não gostariam de aproveitar?

Então vamos a isso!

Um destino de montanha em Portugal!

O local óbvio para tal percurso só pode ser a Serra da Estrela. E a forma de o fazer é aproveitar ao máximo as suas estradas num roteiro que permita percorrer uma distância equivalente e com altimetria semelhante ao exemplo dado atrás.

Dir-me-ão que não tem a altitude nem a extensão daquelas montanhas. É verdade. Para chegar aos 2.000 metros teve que o Rei D. João VI mandar construir uma torre que completasse o que faltava – escassos 7 metros.

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Torre

Também não é o ponto mais alto do nosso País, que fica na Ilha do Pico e tem o seu cume vulcânico 350 metros acima da altitude máxima da Estrela. Mas aí é mais difícil chegar de moto…

Tem uma característica peculiar. A Estrela é uma serra, não é uma montanha. Não termina num pico mas sim num planalto. Neste local encontra-se o Vértice Geodésico de 1ª ordem Estrela, que marca a altitude mais elevada de Portugal continental: 1993 metros.

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Vértice geodésico

Conhecida no passado por Malhão da Serra, a Torre deve a sua designação à tal construção em pedra que D. João VI, em 1806, mandou aí erguer. Na década de 50, do século XX, a Força Aérea Portuguesa instalou na Torre uma estação de radar, que está desactivada desde 1970.

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Torre e Radares

Até tem uma rotunda, com a tal torre no meio e algumas construções cuja decrepitude não a enobrecem. Uma curiosidade administrativa: na Torre confluem os municípios de Covilhã, Manteigas e Seia. Será por isso que o aspecto já conheceu melhores dias? Afinal, saber-se-á quem manda ali no pedaço? (ou quem paga?)

A vista panorâmica deste sítio permite, em dias de céu limpo, observar locais tão distantes como as serras do Marão, a norte de Vila Real, da Boa Viagem, na Figueira da Foz, de S. Mamede, em Portalegre e de Gredos, em Espanha.

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Vista a perder de vista

E garanto-vos que aqui se vê um dos pôr do sol mais bonitos de Portugal!

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Pôr do Sol na Torre

A minha última passagem pela Serra da Estrela não foi prolongada. Mas serviu para conhecer os dois últimos acessos (sem contar com os off-road) que me faltavam conhecer.

É isso que vos proponho: um roteiro das subidas e descidas à Serra da Estrela. E como tudo o que sobe também desce, é sempre possível variar os roteiros, ora fazendo uns a subir ora depois (ou noutra ocasião) descendo-os. Fica ao critério de cada um. Mas digo-vos que há ali muito trabalhinho de condução!

E já agora…a paisagem também merece atenção. Muita mesmo!

Uma das principais características dos diferentes acessos ao alto da Serra da Estrela é a sua diversidade. Uns com perfil mais rectilíneo e íngreme. Outros revirados até mais não…e íngremes. Outros…como quiserem…e íngremes!

Vamos lá então!

A Estrela é uma estrela

Nota prévia: sendo a Torre o destino final das vulgares “idas à Serra”, a estrela das nossas serras tem muito mais a oferecer para quem se queira deleitar com umas boas horas de condução. É que o gozo está mesmo na viagem e não no destino….

Para facilitar a descrição, vou considerar a Serra da Estrela como uma estrela de 5 pontas. E em cada ponta, o local de partida de um ou mais trajectos de acesso ao topo.

As 5 pontas da estrela da Serra da Estrela são (em sentido horário se quiserem visualizar no mapa): Covilhã, Unhais da Serra, Loriga, Seia e Manteigas. E a ordem é meramente arbitrária porque qualquer uma serve igualmente o propósito de percorrer estas estradas.

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A Estrela é uma estrela

Para unir as 5 pontas da estrela podemos utilizar estradas nacionais e contornar o maciço principal da Serra através das N230, 231, 232 e 18. Disso vos falarei na próxima crónica. Porque muito há para ver e é uma outra forma de conhecer esta região.

Mas isso fica para depois. Agora vamos à nossa “etapa” de montanha.

O ataque à montanha!

Façamos o inventário das subidas e a descrição de cada uma.

Dessa forma, cada um poderá optar com pleno conhecimento e desenhar o percurso à sua conveniência: se quer começar por um mais fácil e deixar os mais difíceis para o final ou vice-versa, se, em função do local onde se encontra ou por onde chega à Serra e inicia a subida, de quanto tempo disponível tem. Fica ao critério de cada um.

No final faço uma sugestão de percurso que abrange as 5 pontas da Estrela e as 7 subidas que descrevo, procurando repetir o menos possível passagens no mesmo local (o que é quase impossível). Mas é só uma sugestão porque a imaginação de cada um desenhará certamente o melhor percurso.

Irei descrever cada uma e por simplificação todos os troços serão considerados individualmente e como tal, do ponto de partida respectivo até à Torre. Mas um roteiro que inclua sequencialmente alguns, não necessita de atingir o ponto mais alto porque as ligações far-se-ão antes.

Recordo as cinco pontas da Estrela: Covilhã, Unhais da Serra, Loriga, Seia e Manteigas. Podemos começar por qualquer uma.

No final está a sugestão. Que é só isso: sugestão!

Vejamos os 7 acessos até à Torre

1 – Da Covilhã à Torre – 20 km

Esta será, talvez, a subida mais conhecida. Principia no centro da Covilhã, no Largo do Município. E começa logo muito íngreme e sinuosa. A cidade está a cerca de 700 m de altitude pelo que os 20 km da EN339 que a separam da Torre são quase sempre bem inclinados.

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Da Covilhã à Torre

Graças à realização da competição automobilística Rampa da Serra, o piso tem muito boa qualidade a partir da saída da cidade. Por outro lado, esta é, sem dúvida, a subida mais movimentada sempre com bastante trânsito a sugerir cuidados acrescidos.

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A subir da Covilhã

Recomenda-se vivamente uma paragem na Varanda dos Carqueijais pois trata-se de um miradouro com um vista soberba para a Covilhã, logo abaixo e para todo o vale do Zêzere: a famosa Cova da Beira (já ouviram falar das cerejas do Fundão, por exemplo?).

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Varanda dos Carqueijais

Continuando a subir, pouco depois ocupa-nos a vista um imponente edifício cor de rosa. Estamos já a 1.200 m de altitude.

Construído em 1944 foi o Sanatório dos Ferroviários. Com a diminuição dos surtos de tuberculose foi perdendo relevância até que foi encerrado em 1970. Mais tarde serviu temporariamente de alojamento para retornados do Ultramar. Depois…a incúria do Estado deixou-o ao abandono e à ruína.

Até que as Pousadas de Portugal o adquiriram, restauraram com manutenção da traça arquitectónica (no exterior e no interior) preservando o desenho do Arq. Cottinelli Telmo e o transformaram numa moderna unidade hoteleira, que se recomenda.

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Pousada

Prosseguindo a subida, que continua sinuosa e íngreme, na zona chamada de Cantar-Galo, passamos o acesso ao trilho que leva à formação rochosa designada por Pedra do Urso.

Pouco mais à frente chegamos às Penhas da Saúde.

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Penhas da Saúde

Situadas a 1.500 m de altitude, aqui fica o que poderemos designar como uma estância de Inverno. Alguma oferta hoteleira e de restauração bem como muitas casas de férias (principalmente propriedade de covilhanenses). É também aqui que fica a Pousada de Juventude, ideal para quem procura alojamento económico principalmente para grupos (tem camaratas de 6 camas, mas não só). É uma excelente opção para daqui fazer o centro dos périplos serranos.

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Pousada da Juventude

Avançamos agora numa zona mais plana e com menos curvas. É um planalto que nos leva até à zona do Centro de Limpeza de Neve. E ao cruzamento com a EN338 que segue até Manteigas (acesso 6 – para ler mais adiante).

Uma ligeira descida e reiniciamos a subida. Pouco depois, na Nave de Santo António, o primeiro miradouro: o do vale glaciar da Alforfa que vai até Unhais da Serra e de onde sai a estrada que aí nos conduz (Acesso 2 – para ler a seguir).

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Nave de S. António e Cântaros

Voltamos a ter subida íngreme e sinuosa. Mais à frente, num “gancho” à esquerda, novo miradouro, desta vez para o Vale Glaciar do Zêzere. Pouco depois, um pequeno túnel de pedra e adiante, a ermida da Nossa Senhora da Boa Estrela, cavada na rocha.

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Túnel

Aproximamo-nos da Torre. Sente-se a altitude e cada vez se amplia mais o horizonte. Aqui e ali vamos vislumbrando pequenas lagoas e covões de um azul intenso que contrasta com o tom pardo do terreno e do pouco mato rasteiro. E também sentimos o baixar da temperatura….

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A caminho da Torre

Quando chegamos ao cruzamento seguinte, é altura de deixar a EN339 e voltar à esquerda para a Estrada da Torre. Falta cerca de 1 quilómetro, quase a direito mas bem inclinado. Chegámos à Torre!

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Chegámos à Torre
2 – De Unhais da Serra à Torre – 21 km
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Acessos de Unhais e de Loriga

Esta é a subida mais heterogénea: começa e termina em bom piso. Pelo meio alguns pedaços de alcatrão mais irregular e cerca de 1 quilómetro e meio em terra batida! Mas que se faz com relativa facilidade a não ser que tenha chovido e nesse caso pode tornar-se bastante perigoso…porque nada nos separa do vale lá em baixo!

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De Unhais olhamos a Serra

Para a iniciarmos temos que entrar na vila de Unhais da Serra e apontar ao Vale Glaciar. Atravessa-se a ponte sobre a Ribeira de Unhais e…começamos a subir.

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Glaciar da Alforfa

Pouco à frente, no miradouro do Cruzeiro temos uma boa vista para a vila e mais para sul.

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Unhais visto do Miradouro do Cruzeiro

As partes de bom piso coincidem com as zonas mais íngremes, nomeadamente os últimos quilómetros em que nos aproximamos da Nave de Santo António e do miradouro sobre o Vale Glaciar da Alfofra já atrás referido. Aliás, todo este percurso é feito seguindo por uma das encostas do vale. As vistas são deslumbrantes e quase nos esmagam quando, à medida que subimos, olhamos para a frente e a serra nos surge em toda a sua dimensão.

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Vindo de Unhais…

Chegados lá acima, ao cruzamento, encontramos a EN339 que vem da Covilhã (Acesso 1). Daqui até à Torre o caminho é o já atrás referido. Acreditem que esta subida (ou descida) vale a pena ser feita e é certamente a mais perigosa se não tomarmos as devidas precauções.

Em tempos recomendaram-me que a não fizesse sozinho. É capaz de ser uma boa ideia…

3 – De Loriga à Torre – O Adamastor – 22 km

Este é o acesso mais moderno. Estrada ampla, bom piso, a fazer lembrar passos alpinos e pirenaicos lá de fora…

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Subindo o Adamastor

Invoquei Loriga por ser a povoação mais próxima, mas na realidade trata-se da EN338 que já vem desde Vide. Cruza a EN231, na Portela do Arão, a cerca de 3 quilómetros de Loriga e inicia aí a subida que é, de todas, a mais íngreme! De tal forma que a comunidade ciclista lhe chama “O Adamastor”.

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Subindo o Adamastor

A sua inclinação é tal que, tanto quanto me recordo, nenhuma competição ciclista ousou percorrê-la apesar da qualidade do piso. O troço tem efectivamente pouco mais de 9 quilómetros (o resto da subida à Torre coincide com a estrada que vem de Seia e será mencionada nos seguintes acessos 4, 5 e 7) e vai da Portela do Arão (a 960 m de altitude) até pouco depois da Lagoa Comprida (já a 1.650 m de altitude).

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Continuamos a subir o Adamastor

Os primeiros 5 quilómetros têm uma inclinação de 14%. Sempre constante, com algumas curvas a 180º que unem troços quase rectos ou pouco sinuosos. Mas sempre em ascensão.

Depois atenua ligeiramente…para 12% até ao Miradouro da Rocha. Aqui desfrutamos de uma vista deslumbrante para o Vale Glaciar de Loriga, que se vislumbra lá bem ao fundo. Pouco depois, o troço final em que a pendente se atenua, para singelos 9%.

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Miradouro da Rocha – Vista de Loriga e do Vale Glaciar

Chegados lá acima, encontramos a EN339. Se virarmos à esquerda seguimos na direcção de Seia. Optamos pela direita e rumamos em direcção à Torre. Continuamos a subir durante cerca de 8 quilómetros e vamos vislumbrando a Torre cada vez mais próxima.

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Adamastor

Até que atingimos o cruzamento para a Estrada da Torre já referido anteriormente no Acesso 1. Falta pouco para atingirmos o topo da Serra.

4 – De Seia à Torre (por Sabugueiro) – 28 km
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Acessos de Seia e de S. Romão

Este é o segundo acesso mais conhecido ao cume da Serra. A estrada em si é a mesma que utilizamos para fazer a subida com origem na Covilhã: a EN339 mas no sentido contrário. Por ser mais longa tem, naturalmente menor inclinação em geral. Mas tal pode resultar enganador.

Na verdade, a saída de Seia é bastante íngreme e sinuosa, registo que se prolonga por alguns quilómetros até que começamos um pequeno troço a descer até ao Sabugueiro. É conhecida por ser a aldeia mais alta de Portugal, pois situa-se a 1.120 m de altitude (mas tal classificação não será inteiramente correcta).

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A aldeia mais alta….

A estrada atravessa-a e, a par com a construção em pedra típica da Serra, o que vemos é uma sucessão de lojas de produtos serranos (e outros) mais virados para o turista passageiro. Pouco típico mas certamente mais proveitoso para as gentes da terra que aqui encontrarão uma compensação para a aridez das encostas serranas.

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Sabugueiro

Depois do Sabugueiro, a estrada corre até encontrar a M513 que vem de S. Romão (o outro acesso de Seia de que falarei a seguir). Passamos pela pequena albufeira da Barragem Covão do Curral cujo azul das águas quase fere a vista.

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Covão do Curral

Depois prossegue até encontrarmos a Lagoa Comprida. Trata-se da maior extensão de água da Serra e é uma lagoa artificial. Aliás, o paredão da barragem é acompanhado pela nossa estrada ao longo de quase um quilómetro.

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Lagoa Comprida

 

32 - Paredão da Barragem da Lagoa Comprida e a caminho da Torre.jpg
Paredão da Barragem da Lagoa Comprida

A subida continua e pouco mais à frente encontramos o término do Adamastor.

33 - À direita, para o Adamastor; à esquerda para a Torre.jpg
À direita, para o Adamastor; à esquerda para a Torre

Daí até à Torre o percurso é comum e foi referido atrás.

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A caminho da Torre
5 – De Seia à Torre (por S. Romão) – 28 km

De Seia até à vila de S. Romão, cerca de 4 quilómetros, não poderemos falar propriamente de um acesso à Serra. Mas de S. Romão para cima…temos subida. E que subida!

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Início da subida depois de S. Romão

Estrada estreita. Inicialmente com bom piso até à Sra. do Desterro.

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Senhora do Desterro

A primeira parte da subida até pouco depois da Central Hidroeléctrica que foi a primeira de Portugal e é hoje o Museu Natural da Electricidade, faz-se em estrada que não é muito sinuosa apesar de em permanente ascensão e onde se nota a presença da água: a vegetação frondosa contrasta como que iremos encontrar mais à frente.

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Central – Museu Natural da Electricidade

 

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Aqui ainda a vegetação é frondosa

A partir da Central, o percurso passa a ser mais íngreme, pior piso e substancialmente mais sinuoso. A largura da estrada e a qualidade do piso impõem cuidados acrescidos.

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a subir…

 

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Paisagem a perder de vista

Curvas para todos os gostos e feitios, algumas delas a proporcionarem vistas deslumbrantes para poente.

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Sempre a subir

 

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a subida continua…

A aridez aumenta à medida que rapidamente galgamos altitude.

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Quase a chegar ao final

Finalmente, cerca de 12 quilómetros depois, encontramos a EN339 e aí seguimos o mesmo caminho já referido no acesso anterior.

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Encontrámos a EN339

 

6 – De Manteigas à Torre (pelo Vale Glaciar do Zêzere) – 21 km
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Acessos de Manteigas

Saímos de Manteigas e passamos ao lado de um dos ex-libris da terra: os viveiros de trutas. A parte mais sinuosa e estreita da estrada é esta. Depois, à medida que ganhamos altitude percorrendo a estrada que corre na encosta do Vale Glaciar do Zêzere. Esta tem características que a diferenciam das restantes que, de uma forma ou outra, vão contornando a orografia do terreno, esta segue quase a direito. O que não significa que seja uma recta….

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Manteigas

Devo dizer que é um percurso que prefiro fazer a descer. E aí….pode tornar-se vertiginoso. A adrenalina sobe à medida que aumenta a perigosidade. A estrada não é larga, as curvas sucedem-se encadeadas e nunca sabemos se vem alguém em sentido contrário ou encontramos piso húmido na curva. A subir, temos o aliciante de seguirmos sempre com o precipício ao nosso lado direito…e é cada vez mais fundo à medida que avançamos!

47 - Manteigas, vale glaciar e a estrada ao longo da encosta.JPG
Manteigas, vale glaciar e a estrada ao longo da encosta

Pouco depois da saída de Manteigas encontramos à esquerda, o acesso à estrada do Poço do Inferno. É um dos pontos imperdíveis da Serra. Uma cascata alta e que na Primavera atinge o seu grau máximo de espectacularidade com o degelo das neves invernais do cimo da Serra. A estrada é estreitíssima e em mau estado mas, com os devidos cuidados, vale a pena!

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Poço do Inferno

 

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Subida com Manteigas ao fundo.

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O que já subimos…

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O principio da fileira do Queijo da Serra

O cenário que temos à nossa frente é deslumbrante e esmagador à medida que nos aproximamos do cimo. Ainda antes do Covão da Ametade passámos por mais uma cascata: a Fonte Paulo Luis Martins.

À nossa frente estão três dos cumes mais altos da Serra: os 3 cântaros!

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A subida vista do Covão da Ametade

 

53 - Panorama - Cântaro Gordo, Cântaro Magro e Cântaro Raso.jpg
Panorama – Cântaro Gordo, Cântaro Magro e Cântaro Raso

O Covão da Ametade, situado mesmo por baixo dos três picos a que alguém chamou Cântaros – o Gordo, o Magro e o Raso – dois deles acima dos 1900m – é um local frondoso, com um parque de merendas. Um recanto lindíssimo mas que lamentavelmente, por incúria dos responsáveis ou desleixo dos utilizadores, está mal estimado.

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Covão da Ametade

Aqui nasce o Rio Zêzere que depois ganha força a descer o vale glaciar até Manteigas seguindo depois o seu percurso, contornando a Serra a nascente e depois, pelo lado sul na Cova da Beira até, muito mais tarde e mais longe, vir desaguar no Rio Tejo em Constância depois de encher a albufeira de Castelo do Bode.

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Covão da Ametade

Do Covão da Ametade temos uma vista deslumbrante sobre o Vale Glaciar. Para chegarmos ao nosso objectivo falta ainda um pedaço. E este é o troço mais inclinado e sinuoso desta subida. Por ele chegaremos ao cruzamento com a nossa já conhecida EN339 que vem da Covilhã, na zona do Centro de Limpeza de Neve.

Até à Torre, o percurso é o já referido no Acesso 1 anteriormente.

7 – De Manteigas à Torre (pelo Vale do Rossim) – 49km

Em Manteigas seguimos em direcção às Penhas Douradas (sugerimos a ajuda do GPS porque as placas de sinalização apontam para uma estrada que não é aquela que pretendemos, pois embora mais curta, não tem a espectacularidade da EN232 que queremos seguir). 

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Manteigas – Penhas Douradas

A meio da subida temos uma perspectiva diferente do Vale Glaciar, com Manteigas no sopé e bem lá ao fundo, os Cântaros majestosos a contemplarem-nos.

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Vista para o Vale Glaciar do Zêzere

A subida continua, íngreme e sinuosa, sempre em regime de curva e contra curva. É daquelas estradas em que ora vamos para lá, ora para cá, outra vez para lá e assim sucessivamente. Olhamos para baixo e vemos as reviravoltas que nos trouxeram até aí. Um espectáculo!!!

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Curva e contra-curva sempre a subir

À nossa volta, arvoredo e vegetação frondosa a contrastar com a aridez que presenciamos na maioria das outras vertentes da Serra.

Cerca de 20 km de de diversão pura depois, chegamos ao planalto onde se situam as Penhas Douradas. Voltava a paisagem agreste e rude. Quando conseguimos vislumbrar um pouco mais longe, desta vez para Norte, temos uma nova realidade: uma planície a perder de vista no sentido de Gouveia ou um pouco mais longe, Celorico da Beira. A Beira Alta está à frente dos olhos!

Viramos à esquerda para o Vale de Rossim.

Logo a seguir uma construção curiosa: a Casa da Fraga. Curiosa construção que aproveita as formações rochosas. Aqui viveu durante 2 anos o seu criador (palavra mais adequada do que construtor), Alfredo de César Henriques.

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Casa da Fraga

Paciente do famoso médico Dr. Sousa Martins, padecia de tísica pulmonar. Aquele receitou-lhe a estadia, servindo os ares puros da montanha como terapêutica para o mal que o afligia.

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Casa da Fraga

As melhoras sentidas pelo doente tornaram-se conhecidas e fez com que a zona das Penhas Douradas passasse a ser procurada para fins terapêuticos. Por essa razão encontramos diversas casas espalhadas pela encosta serrana.

Pouco mais à frente surge à nossa frente o espelho de água situado a maior altitude na Serra: a barragem do Vale do Rossim. Aqui existe um eco-resort que usufrui da albufeira. Paisagem agreste mas de profunda beleza.

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Vale do Rossim

 

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Vale do Rossim

Do Vale do Rossim seguimos em direcção ao Sabugueiro. E neste caso, vamos descer. A estrada recomenda alguns cuidados pois não está no melhor estado. Sem declives muito pronunciados não oferece dificuldade de maior mas não convém descurar a atenção. A paisagem é a que já estamos habituados: agreste, mato rasteiro aqui e ali salpicado com alguns pequenos conjuntos de árvores. Será talvez a parte menos interessante de todos os percursos.

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A descer para o Sabugueiro

Chegados ao Sabugueiro, encontramos a EN339 e resta-nos segui-la até à Torre, passando pela Lagoa Comprida (ver o acesso 4 já descrito).

Uma sugestão?

Aqui vai:

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Uma sugestão

Da Covilhã seguir até aos Piornos-Centro de Limpeza da Neve (acesso 1). Aqui vira à direita em direcção a Manteigas com passagem – e paragem no Covão da Ametade. Antes de chegar a Manteigas, um saltinho ao Poço do Inferno – (acesso 6)

Em Manteigas subir às Penhas Douradas e daqui até ao vale do Rossim (acesso 7) . Descer para o Sabugueiro e daqui até Seia (acesso 4). Seguir até S. Romão e subir com passagem pelo Museu da Electricidade (acesso 5).

Terminada a subida, virar à direita, rumo à Lagoa Comprida que merece uma paragem, Seguir até à Nave de Santo António e aqui descer até Unhais da Serra (acesso 2).

Finalmente seguir pela Estrada da Beira (N230), virar à direita para Alvoco da Serra, passar Loriga e pouco depois virar à direita rumo à Torre (acesso 3 – Adamastor).

Última sugestão: sincronizar a chegada à Torre com o pôr-do-sol. É imperdível!

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Por do sol na Torre

Lá chegados, saboreando uma “sandocha” mista de queijo da serra com presunto, é possível rever o percurso total: cerca de 180 quilómetros e um declive acumulado superior a 7.000m. Digno de uma travessia pirenaica que incluísse cols famosos como o Tourmalet, o Aspin, o Portet e outros da zona…e fica aqui mesmo, ao virar da esquina!

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Por do sol na Torre

P.S.: Após o pôr do sol, a noite e a temperatura caem de repente. Recomenda-se o máximo cuidado na descida até porque é natural encontrarmos humidade na estrada.

(esta crónica foi publicada originalmente na edição #40 da revista digital Andar de Moto – Setembro 2021)

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