Estrada Nacional 2 – de cima a baixo (5)

4ªa etapa – de Castro Verde a Faro e o Regresso a casa O 5º dia chegou. Com ele, o final da odisseia e depois, o já ansiado regresso a casa. Para esta etapa final estava destinada a “piéce de resistance” da EN2 (de cima a baixo, claro): as 365 curvas da Serra do Caldeirão!  Que … Continuar a ler “Estrada Nacional 2 – de cima a baixo (5)”

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4ª etapa – de Castro Verde a Faro e o Regresso a casa

O 5º dia chegou. Com ele, o final da odisseia e depois, o já ansiado regresso a casa.

Para esta etapa final estava destinada a “piéce de resistance” da EN2 (de cima a baixo, claro): as 365 curvas da Serra do Caldeirão!  Que maneira de terminar esta fantástica viagem!

Depois de lauto pequeno almoço (nosso) e atestadela (nas motas) o troço final da EN2 aguardava-nos- Éramos agora 4, pois o nosso amigo Alex fez esta última parte connosco. Ou seja, começámos 3 e acabámos 4, como nos 3 Mosqueteiros do Alexander Dumas.

Foto164

A rota apontava em primeiro lugar a Almodôvar, onde iriam “começar as hostilidades”.

Logo à saída, o painel evocativo da classificação da EN2 como Estrada Património, no troço Almodôvar – S. Brás de Alportel (o tal das 365 curvas!)

Foto151

E aí vamos nós para um pouco mais de 1 hora de diversão, com tudo a que tivemos direito: curvas rápidas, lentas ou assim-assim; curvas a subir, a descer ou em plano; curva, contra-curva e contra-contra-curva e assim sucessivamente. Curvas de toda a maneira e feitio, para todos os gostos…excepto para os que só gostam de andar a direito.

Caldeirao2

17 quilómetros depois de Almodôvar, entrávamos oficialmente no Algarve e apenas mais 8 à frente e, no Ameixial, o Monumento aos Camionistas da EN2. Homenagem certamente merecida. Quando não existiam auto-estradas e este troço fazia parte do principal acesso à capital algarvia, aquilo que para nós é diversão e fonte de prazer, para os camionistas devia ser um tormento: em final de viagem fazer todas estas curvas era obra. Que muitos deixaram inacabada, infelizmente… Justa homenagem à qual nos associámos:

 

Prosseguimos a subida da Serra e a paragem seguinte seria no miradouro da Serra do Caldeirão.

Tempo ainda para fotografar a última das muitas antigas Casas de Cantoneiros. Umas em razoável estado de conservação, outras quase em ruínas. Incrivel como com um trajecto com a dimensão, a história, a diversidade de paisagens e gentes, com tanto para mostrar, e estes edificios simples não são recuperados para postos de apoio aos viajantes. Para poderem comer, refrescar-se ou só descansar, mas acima de tudo para poderem apreciar o que de melhor as terras das redondezas têm para quem as visita! Não tenho dúvidas que, devidamente identificadas, não faltaria quem fizesse até questão de as visitar a todas e, porque não, até carimbar os passaportes… E fariam negócio de certeza!

Foto155

O Miradouro é um ponto obrigatório e onde é possivel desfrutar de uma ampla vista. A partir daí, sempre em curva, era a descer até Faro.

 

3 km depois, em Barranco do Velho, o cruzamento com a EN124 – Via Algaraviana, sem dúvida a fazer num futuro próximo.

Depois, Alportel e S.Brás de Alportel onde vimos mais um exemplar da azulejaria publicitária que era tão tradicional nas nossas estradas antigamente. Desta feita promovia-se a marca de pneus nacional: Mabor General.

Foto160

Quase a chegar a Faro, o cruzamento com a famigerada EN125!

Julgo que nas anteriores crónicas referi a grande anomalia da EN2: a sinalização! É miserável!!! De norte a sul, principalmente nas vilas e cidades! Chaves é sintomático (mas pelo menos colocaram o marco do km 0 no centro de uma praça) e em Faro, o marco está colocado no meio de uma Alameda, perfeitamente despercebido, não fora a ajuda…da PSP! E quanto às placas com as setas…nem vê-las (nem quem nos desse essa indicação)! É absolutamente lamentável…

Mas deixemo-nos de lamúrias! O objectivo tinha sido atingido e, naturalmente, ficou registado para a posteridade:

Foto161

E a equipa maravilha, cuja alegria era francamente maior do que aquela que mesmo assim consegue transparecer.

Alex1

ESTRADA NACIONAL 2: FEITO!!!!

Duas notas finais:

  • a primeira sobre a opção de não terminarmos a etapa iniciada em Abrantes em Castro Verde e não em Faro como pareceria mais lógico. Afinal eram só 100kms que poderiam ter sido perfeitamente feitos na véspera. Tal implicaria a pernoita em Faro (ou um regresso nocturno depois de centenas de quilómetros que era de todo desaconselhável), fazermos a Serra do Caldeirão ao anoitecer, e com o cansaço já acumulado. Ou não correria bem ou não usufruíriamos na plenitude daquele paraíso da condução. Se fosse hoje, estou certo que repetiríamos a opção: fazer a serra pela fresquinha foi uma opção 100% acertada! Acredito que para quem faça a viagem de automóvel, preferirá resolver logo “o petisco” e descansar depois. Mas de mota…é um desperdício se não estivermos no máximo do nosso potencial (e não me refiro a fazer curvas a velocidades estratosféricas…mas sim a tirar todo o proveito de fazer as curvas, aprimorar as trajectórias ou as distâncias de travagem, sentir a potência na roda de trás, sempre sem exageros, claro!)
  • a segunda sobre o que representou para nós esta viagem. A EN2 não é uma viagem qualquer. Não me refiro à distância apenas. É uma viagem de imensos contrastes culturais, paisagisticos, gastronómicos, urbanísticos, mas acima de tudo é um filme a 4 dimensões (às habituais adicionaria o cheiro, pois os aromas vão variando à medida que descemos o País e em função da sua arborização) e em altíssima definição!  E é também uma viagem que reforça os laços de amizade e camaradagem. Todos e cada um de nós ficou mais rico pessoalmente.

Dito isto, só uma sugestão fica: façam a EN2. Não importa o veiculo ou em quanto tempo (quanto mais melhor). Mas façam!

E pronto. Faltava o regresso a casa. Por estrada nacional, pelo IC1 ou como antigamente era conhecida, a Estrada do Algarve. A expectativa era a de uma paragem em Canal Caveira para uma sopa do cozido. A decadência provocada pela auto-estrada que tirou imenso tráfego aquela via e consequentemente os milhares de fregueses do Cozido à Portuguesa do Canal Caveira esteve patente: não havia! Enganámos a desilução com umas tostas em pão alentejano (valha ao menos isso!) e ala que se faz tarde.

Jpeg

O excesso de caminho no pouco asfalto da EN120 até Alcácer do Sal (e a pressa de chegar a casa) fizeram-nos optar pela A2. E pronto, foi voar baixinho até à capital.

Estrada Nacional 2 . Uma experiência inolvidável!

Um abraço e obrigado pela camaradagem e pela companhia ao Zé, ao Jaime e ao Alex! Até à próxima.

BOAS CURVAS! E se forem as da EN2, melhor…

Como recompensa por terem tido a paciência de chegar ao fim, aqui fica o filme da viagem:

N2 – O Filme

E para aqueles que querem uma ajuda adicional para o percurso, aqui fica o link para a página deste blogue onde estão os nossos roadbooks:

Caixa de Ferramentas

 

 

 

2 opiniões sobre “Estrada Nacional 2 – de cima a baixo (5)”

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