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Coser o Rio Tejo como se um pano fosse… (2)

15 travessias do nosso maior rio, o Tejo, de Lisboa até à ponte de Ródão que une a Beira ao Alentejo com o rio como testemunha.

15 TRAVESSIAS DE LISBOA A RÓDÃO

2 – De Muge a Alvega, subindo o Tejo!

Tínhamos passado Muge. Pouco mais de uma dezenas de quilómetros adiante ficava a Ponte Salgueiro Maia. Está situada junto ao Vale de Santarém, a jusante desta cidade, no IC10 e tem um comprimento total de 4,3km (ponte e viaduto).

008SalgueiroMaia

O nome da ponte é uma homenagem ao Capitão de Abril. Foi inaugurada a 11 de Junho de 2000 e, curiosamente, não é iluminada porque a luz iria interferir com um aeródromo situado nas imediações!

Passada a ponte era tempo de chegarmos a Santarém, cidade antiquíssima, segundo a mitologia por ela terão passado Fenícios e Cartagineses, os Romanos chegaram a ela em 138 a.C. e antes da reconquista por D. Afonso Henriques em 1147, a cidade foi sede de um pequeno emirado independente: a Taifa de Santarém. Não nos detivémos mas passámos pelo seu centro e ao lado das famosas “Portas do Sol”. Descemos para a Ponte de Santarém, a nossa 7ª.

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A Ponte D. Luís I, também chamada Ponte de Santarém, une Santarém a Almeirim pela EN 114. Foi inaugurada em 17 de Setembro de 1881, e foi considerada na altura a maior da Península Ibérica, a terceira da Europa e a sexta do Mundo, ficando como um dos exemplares da “arquitetura do ferro”. Tinha originalmente um comprimento total de 1213 m, largura de 6 m, e altura de 22 m. Foi alargada em 1956.

Santarem

Pouco depois da saída da ponte, virámos à esquerda em direcção a Alpiarça pela EM368-1 onde iríamos tomar novamente a EN118.

O objectivo era a Chamusca onde teríamos, meia dúzia de quilómetros mais à frente, a nossa última travessia da manhã (que já ia avançada) pois o almoço aguardava-nos na Golegã. Ainda na Chamusca fizemos um pequeno desvio para podermos desfrutar da vista do vale do Tejo no Miradouro da Senhora do Pranto.

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A Ponte João Joaquim Isidro dos Reis, conhecida popularmente como Ponte da Chamusca, está localizada sobre o rio Tejo na Estrada Nacional 243 e une a vila de Chamusca com a vila da Golegã.

Esta estrutura é um exemplar emblemático da construção em ferro, muito em voga no final do século XIX e no início do século XX. Apesar de inicialmente (em 1900) prevista para ser ferroviária, fazendo parte do novo ramal de Torres Novas à Golegã, este nunca chegou a ser construído. Assim, em 1908 iniciou-se a sua construção já como ponte rodoviária e pedonal, tendo sido inaugurada em 31 de Agosto de 1909.

E assim chegámos à Golegã. 8 travessias concluídas ficavam as restantes 7 para a jornada da tarde. O nosso destino era agora a Adega do Cú da Mula onde nos desforrámos da canseira matinal saboreando algumas especialidades da casa. Tempo ainda para tomarmos um café na esplanada do Café Central em cujo interior pudemos ver muitos cartazes de touradas no qual o protagonista principal era um homem da terra: Ricardo Chibanga.

Golegã

Feitas as homenagens e restabelecidos os niveis alimentares (sólidos e líquidos, que a desidratação é perigosa para os motociclistas) era tempo de voltarmos à estrada e procurarmos a próxima travessia: a ponte de Constância. Rumámos a Vila Nova da Barquinha, rondámos Tancos e chegámos a Constância.

A Ponte da Praia do Ribatejo ou Ponte de Constância, liga as estradas nacionais EN3 e EN118, unindo Praia do Ribatejo ao município de Constância. Inaugurada em 1889, inicialmente era uma ponte ferroviária. Em 1959, devido ao mau estado da estrutura, a CP construiu outra ao lado, assente sobre os mesmos pilares. A linha abandonada foi cedida às câmaras de Vila Nova da Barquinha e Constância que a adaptaram a ponte rodoviária, inaugurada em 1988.

Em Novembro de 2007 esteve encerrada devido a um deslizamento do tabuleiro. Em 20 de Julho de 2010 foi novamente encerrada por razões de segurança, sendo de novo reaberta em dia 6 de Abril de 2011.

Ponte de via única, com trânsito alternado e gerido por cancela e semáforos, foi precisamente o local onde a embraigem da BMW deu de si. Voltámos a atravessar a ponte para tentar em Constância alguma forma de solução.

Constancia2

Depois de várias tentativas, não foi possível e os nossos companheiros regressaram a Lisboa, pela A23, na única mudança que conseguiram engrenar… Pela nossa parte, retomámos o percurso, novamente pela ponte de Constância, voltámos à nossa bem conhecida EN118 – cabe aqui dizer que fazer esta estrada de fio a pavio, o mesmo será dizer do Montijo a Alpalhão, é projecto futuro – com rumo ao Rossio ao Sul do Tejo para aqui entrarmos na cidade de Abrantes pela ponte que lhe leva o nome: a nossa 10ª travessia.

Ainda antes passámos no Tramagal, importante núcleo industrial do sector da metalo-mecânica (mais do passado que do presente) e também nas famosas “curvas do Tramagal”, terror das viagens automóveis dos anos 60 a 80 do século passado quando a EN118 era o principal eixo viário de Lisboa para as Beiras e Alto Alentejo. Agora…momentos de grande diversão… quem diria?

O Rossio ao Sul do Tejo é uma pequena povoação fronteira a Abrantes e separadas pelo Rio Tejo. Desfruta de uma localização estratégica pois é o cruzamento de duas das maiores estradas nacionais: a EN2, a maior de todas e que cruza o país de norte a sul, e a EN118 que o atravessa de forma transversal desde as proximidades de Lisboa até perto da fronteira com Espanha.

AntesRossio

A Ponte rodoviária de Abrantes sobre o rio Tejo foi inaugurada em 1870, tem o comprimento de 339 metros e liga Abrantes ao Rossio ao Sul do Tejo. Foi construída por um consórcio francês e durante 75 anos foi explorada em regime de concessão, passando para o estado em 1945. Pouco antes de perfazer 100 anos o tabuleiro foi alargado. No nosso périplo, foi a única ponte onde encontrámos restrições de trânsito devido a obras de manutenção. Em 1889 foi também inaugurada a ponte ferroviária de Abrantes.

012Abrantes

E cabe aqui uma chamada de atenção para quem resolva seguir esta nossa sugestão: é aconselhável que tente informar-se previamente das condições de circulação nestas pontes. A maioria são pontes centenárias que justificam regulares obras de manutenção. Por exemplo, já depois do nosso passeio, a ponte de Belver (onde ainda iremos passar) esteve encerrada ao trânsito durante cerca de 2 anos estando já reaberta e recentemente a ponte de Constância também. É evidente que haverá sempre a alternativa de seguir em frente e atravessar na próxima…mas não é a mesma coisa!

Atravessada lentamente a ponte, devido às obras, entrámos em Abrantes e até Alferrarede percorremos um curto trecho da EN2.

Mais antiga que a nacionalidade, Abrantes é cidade desde 1916, tendo o seu foral sido concedido por D. Afonso Henriques em 1179. Em 1807, aquando das invasões francesas, Abrantes foi ocupada pelas tropas do General Junot a quem, na ocasião, Napoleão Bonaparte concedeu o título de Duque de Abrantes. Breve honra, felizmente!

Depois de Alferrarede rumámos à localidade de Mouriscas onde tínhamos a próxima travessia.

A Ponte Rodoferroviária de Alvega ou Ponte do Pego ou ainda Ponte das Mouriscas, é uma ponte sobre o rio Tejo, unindo Alvega (EN118) e Mouriscas (CM1221). Por ela passa o Ramal do Pego da Linha da Beira Baixa, construído pela EDP para acesso dos comboios com carvão provenientes do porto de Sines que abastecem a Central Termoeléctrica do Pego.

013Mouriscas

A ponte rodoviária original foi inaugurada em 17 de Setembro de 1881. A nova ponte rodo-ferroviária foi construída em 1992. Com a construção da A23, a norte, esta ponte ganhou nova importância pois é um dos acessos principais à mesma autoestrada para quem vem do Alto Alentejo.

E, passado Alvega, era no Alto Alentejo que íamos entrar tendo deixado o Ribatejo para trás. Faltavam-nos 4 travessias…

Anterior:

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(1)

A seguir:

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(3)

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(final)

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