Coser o Rio Tejo como se um pano fosse… (final)

15 travessias do nosso maior rio, o Tejo, de Lisboa até à ponte de Ródão que une a Beira ao Alentejo com o rio como testemunha.

15 travessias de Lisboa a Ródão

4. Objectivo concluido. O regresso.

Faltava a sobremesa! Falei nela um pouco atrás…

Desde a Ponte de Ródão até Nisa, pela EN18, são cerca de 20 km do melhor que pode haver para fazer de mota. Curvas para todos os gostos, bom piso, pouco trânsito, uma paisagem com uma certa beleza agreste….foi mesmo a cereja no topo do bolo!

E assim chegámos a Nisa. Era tempo de reabastecer as montadas.

Cabe aqui fazer um intervalo na descrição. No início mencionei que se fosse hoje, complementaria o percurso e fá-lo-ia desde a foz (em Oeiras) até ao ponto em que o Tejo passa a ser integralmente português. Esse ponto fica no concelho de Nisa, na fronteira com Espanha e tem uma curiosidade adicional: a barragem de Cedillo (ou embalse de Cedillo em castelhano). Trata-se de uma barragem inteiramente espanhola, cujo paredão faz parte da fronteira e que está construído no local exacto em que o Tejo não só entra em território português (na margem norte já há alguns quilómetros que o é) como também é a foz de um dos afluentes, o Rio Sever que daí para sul separa Portugal de Espanha. É uma barragem que simultaneamente bloqueia a passagem de dois rios, daí a sua curiosidade.

002Cedillo

É possível atravessá-la até metade do paredão e depois tomar a estrada que leva à povoação de Cedillo e daí partir para o interior de Espanha, nomeadamente Cáceres. Todavia, nem sempre esta travessia está aberta ao público pelo que é melhor não contar com ela se o objectivo for prosseguir para Espanha.

De destacar que entre Nisa e Montalvão (EM359-3) temos mais cerca de 20 km de estrada espectacular. Estreita mas com bom piso e com algumas curvas em ângulo recto (entre outras mais ou menos pronunciadas) capazes de nos deixarem com um sorriso de orelha a orelha dentro do capacete! Aqui já se sentirá o cansaço dos quilómetros mas vale a pena. Montalvão é uma pequena povoação que tem um miradouro nas ruínas do seu castelo com uma vista deslumbrante. Podemos ver a Serra de S.Mamede a sul, Serra de Nisa a oeste, Serra da Gardunha (e eventualmente a da Estrela se a visibilidade for óptima) a norte e as serranias espanholas a leste.

De Montalvão à barragem de Cedillo, a estrada é menos interessante, com pior piso e com uma inclinação na aproximação à barragem algo significativa.

Depois, se objectivo for o regresso, é fazer o caminho inverso até Nisa e aí optar pela via mais conveniente. Ou então, em Montalvão rumar a Castelo de Vide e … mais um dia ou dois para desfrutar de tudo o que a região de S. Mamede tem para oferecer: o triângulo Castelo de Vide, Marvão e Portalegre. Asseguro que vale a pena! E que estradas tem…

Feito este pequeno intervalo, voltemos ao nosso relato. Acabámos de abastecer em Nisa e com um simples telefonema, porque não uma visitinha à família? Assim foi. Em Gáfete pudemos descansar um pouco, saborear um lanche com algumas iguarias regionais (esta é a zona do queijo de Nisa e também profícua em enchidos) e finalmente fazermo-nos à estrada de regresso a Lisboa depois de um breve descanso.

Gafete

Desde o início dissemos que iríamos evitar ao máximo as AE. Assim fizemos.

O regresso foi por Crato, Alter do Chão, Ponte de Sor, Montargil, Couço.

Aqui, foi obrigatória uma paragem. Há bastante tempo que viajávamos de noite e a certa altura comecei a ter dificuldade em algumas curvas pois, percebi depois, estava com dificuldades de visão. A estrada, nomeadamente entre Montargil e Couço era bastante escura,  bordejada de árvores e com piso bastante irregular. Algo se passava. Quando parámos e tirei o capacete percebi: a viseira estava totalmente coberta por mosquitos! Dodot em acção, limpeza efectuada, visibilidade óptima e aí vamos nós outra vez: Azervadinha, Coruche (um pouco ao lado) e Infantado. Aqui optámos por entrar por Vila Franca de Xira pelo que tomámos a EN10, pelo Porto Alto. Depois A1 e estávamos em Lisboa. Mais de 700 km depois, cansados, mas mais do que satisfeitos.

E concretizámos a nossa homenagem ao Rio Tejo. Percorremos as suas duas margens, fizémos as 15 travessias entre elas, visitámos as muitas terras que ficam no caminho, vimos paisagens espectaculares e bastante diversificadas e desfrutámos de alguns excelentes troços de estrada a pedirem uma condução um pouquinho mais empenhada. Muito bom!

É evidente que um percurso com esta dimensão, a fazer num só dia, retira a possibilidade de contactos com as muitas pessoas com que nos fomos cruzando. Para tal, seria necessário mais tempo, como é óbvio. A camaradagem entre os companheiros de viagem foi extraordinária…a pedir a repetição em outros projectos e destinos.

O que já aconteceu, obviamente.

Obrigado pela companhia e camaradagem, Filipa, Filomena, Jaime e Nuno!

DSC00004

Para terminar, o resumo das travessias:

  1.  Ponte Vasco da Gama – km 2
  2. Ponte 25 de Abril – km 62
  3. Ponte Marechal Carmona – km 89
  4. Ponte da Lezíria – km 120
  5. Ponte Rainha D. Amélia – km 150
  6. Ponte Salgueiro Maia – km 172
  7. Ponte de D. Luís – km 180
  8. Ponte João Joaquim Isidro dos Reis – km 210
  9. Ponte da Praia do Ribatejo – km 228
  10. Ponte Rainha D. Leonor – km 248
  11. Ponte das Mouriscas – km 266
  12. Barragem de Belver – km 281
  13. Ponte de Belver – km 294
  14. Barragem do Fratel – Km 314
  15. Ponte das Portas de Ródão – km 341

Anterior:

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(1)

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(2)

Coser o Rio Tejo como se um pano fosse…(3)

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